Apoio
mundial ao Irã - Reações nos EUA
19.10.2012
Por Anna Malm
Correspondente de Pátria
Latina na Europa
Numa perspectiva global as
posições de Bush e Obama em relação ao direito do Irã a um programa próprio
para o desenvolvimento de um ciclo de combustão nuclear assim como para o
enriquecimento do urânio em seu próprio território deixa os EUA fora da linha
da demarcação mundial. [1]
Isso foi claramente
demonstrado pela cúpula do Movimento dos Países não Alinhados, o que acarretou
as reações americanas que iremos discutir abaixo. Os cento e vinte membros
deste movimento representam 55% da população do planeta e quase 2/3 dos países
membros da ONU. Nesse movimento o Egito, a Índia, a África do Sul, a China e a
Yugoslávia tem papel de destaque, sendo que o Brasil vem acompanhando o
movimento na qualidade de observador. [2]
A cúpula do movimento, que
foi realizada em Teerã do 26 ao 31 de agôsto desse ano, marcou explicitamente
um grande repúdio mundial quanto as posições unilaterais tomadas pelos EUA em
relação ao Irã. Observe-se entretanto que a atitude obtusa dos Estados Unidos
estende-se também a grande maioria dos países ditos "Não-Ocidentais"
ou seja "No- Western" que já assinaram o Tratado de Não Proliferação
Nuclear - TNP. [1]
Como se sabe o TNP é um
tratado de não proliferação nuclear que foi assinado em 1968 e que entrou
em vigor em 1970. O tratado conta com a adesão de 189 países, cinco dos quais
detentores de armas nucleares - EUA, Rússia, Reino Unido, França e China. Estes
são os mesmíssimos países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
O tratado da não proliferação foi revidado em 2010 e inclui agora uma total
interdição de armas de destruição em massa, para o Oriente Médio.
[2] Aqui encontra-se então Israel à "luz da ribalta" e
perguntas lógicas e justas se acumulam.
O caso é que nos Estados
Unidos o repúdio internacional demonstrado claramente através das tomadas de
posição na cúpula do Movimento dos Países Não Alinhados causou uma reação
imediata dos adeptos das posições de Bush e Obama.
Um desses adeptos que
- ressalta-se, não é nenhum advogado ou estudante de Direito
Internacional argumentou conjuntamente com associados que a declaração
apresentada pelo Movimento dos Países Não Alinhados tinha interpretado
erroneamente o Tratado de Não Proliferação Nuclear, o que teria então dado o
apoio mundial ao Irã. [3]
Este argumento foi imediata
e vigorosamente refutado por Daniel Joyner e aqui temos que ressaltar que o Dr.
Joyner é Professor de Faculdade de Direito, e um dos mais reconhecidos e
respeitados estudiosos do Tratado de não Proliferação Nuclear. Ele é também
autor de um livro, que em português poderia ter o título "Interpretando o
Tratado de Não Proliferação". Este é um dos seus livros, que em sua forma
original, foi publicado pela "Oxford Press". Por ser um
trabalho científico este livro foi, antes de sua publicação, submetido ao
devido control por dois outros doutores especializados na questão da
proliferação nuclear. Veja [1] e [4]
Centrando a atenção à
argumentação pública entre o mencionado adepto e Daniel Joyner revela-se
então muito do que se passa nos Estados Unidos em relação ao Irã.
Sem causa ou razão de ser no caso da proliferação nuclear apresentam-se
diversos atores como especialistas profissionais da questão. Simples opinião
baseada em interesses políticos ou outros são depois divulgadas e celebradas
como resultado de pesquisa profissional de peso.
Naturalmente que isto sendo
levado ao seu extremo, como realmente é o caso nos Estados Unidos de hoje, tem
como consequência uma grande deturpação dos fatos. [1]
Depois há também o problema
dos próprios profissionais que alinhados com a linha oficial fazem o que podem
e o que não podem para apoiar a linha de intimidação do governo. Observe-se
aqui que isso não é sómente em relação ao Irã, como também em relação a outros
países em desenvolvimento que costumam ser intimidados tanto na questão da
energia nuclear como também em muitas outras áreas. [1] [4]
Temos então que os
mencionados profissionais nos Estados Unidos estão tão ligados ao governo que
não podem ser vistos como independentes ou neutrais em relação ao Irã.
Ressalta-se agora o aspecto "provincial" da chamada
"comunidade da não proliferação" uma vez que esta também na sua
capacidade, dita internacional, por sua vez também tem seu núcleo centrado
junto ao centro político de Washington.
Ressalta-se então que muito
mais do que nos outros países os membros do agrupamento de profissionais
envolvidos na questão da não proliferação nos Estados Unidos apresentam as
seguintes características: [1]
a)
contratos anteriores com o governo
b)
interesse em ser contratado pelo governo no futuro
c)
teriam sido ou gostariam de ser financiados pelo governo
d)
gostariam de manter ou ter acesso aos favores de representantes oficiais, ou
pela informação a poder ser obtida ou pelo simples prazer de ser convidado
especial em diversas circunstâncias.
Ao dito junta-se a
tendência dos envolvidos na questão de apresentarem-se bem com a mídia
institucional. Sendo assim estes profissionais nunca apresentarão os fatos que
contradigam as posições oficiais, preferindo evadir-se ou ressaltar o que possa
pesar bem para a posição já estabelecida pelos dirigentes. [1]
O Dr. Daniel Joyner [4]
frente a tudo o que se passa nos Estados Unidos, ressalta que é necessário que
os argumentos apresentados pelo governo da República Islâmica do Irã sejam
analisados rigorosa e independentemente pela comunidade internacional, como
seria o caso com argumentos apresentados por outros governos em situação
comparável. As razões desta necessidade são muitas, mas tem-se que ser
ressaltada a urgência de impedir a continuação das desnaturadas, injustas e
desnecessárias sanções impostas ao povo iraniano.
A lei assim como o Direito
Internacional tem que prevalecer nas relações internacionais e o Irã tem todo o
apoio conferido pela Lei, a Justiça e o Direito Internacional.
Os conselheiros legais dos
governos ocidentais tramam e fazem suas maquinações com falsos argumentos
legais para poder dar uma aparência de credibilidade as suas políticas de
intimidação.

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