quarta-feira, 23 de abril de 2025

O Espírito de Xangai – a China Não Aceitará Intimidações

 

O Espírito de Xangai – a China Não Aceitará Intimidações

Não haveria lugar mais estratégico para passar os últimos dias do Chilique Tarifário de Trump que Xangai – capital comercial, empresarial e cultural da China

Do alto da Torre Jin Mao, no distrito financeiro de padrão mundial de  Lujiazui, em Pudong, um elegantemente discreto companheiro art déco do arranha-céu do Centro Financeiro Mundial – o símbolo distintivo do poderio econômico da China – é como se os raios de uma roda radiassem para o Bund e ainda mais além, seguindo o incessante impulso a se contrapor à  idiotia absurda do “Imperador das Tarifas”, objeto de implacáveis caçoadas em miríades de plataformas de mídia social chinesas.  

 Tive o privilégio de caminhar do Centro Financeiro Bund, que abriga, entre outras instituições, a Fundação Fosun – uma obra-prima arquitetônica inspirada nas construções de bambu – até a Academia Chinesa, no imaculado campus da Universidade Fudan, onde participei de um seminário com o famosíssimo  Professor Zhang Weiwei em uma mesa-redonda composta dos melhores alunos de doutorado das mais diversas disciplinas. O Professor Zhang Weiwei é o principal conceituador da China como um estado-civilização.  

O tema principal de nosso seminário foi a parceria estratégica Rússia-China, mas era inevitável que o foco se deslocasse incessantemente para o embasamento lógico usado pelo Imperador das Tarifas. As perguntas dos estudantes não poderiam ser mais afiadas. O seminário foi complementado por uma entrevista de grande nível de profundidade feita para a Academia Chinesa e apresentada por seu CEO, o formidável Pan Xiaoli.

 Uma visita à sede do Guancha – o maior website independente de noticiário/análise da China de hoje, cujos diversos canais em diferentes plataformas atingem o estarrecedor número de 200 milhões de pessoas – não poderia ter vindo em melhor hora. Guo Jiezhen, pesquisador do Instituto China, que participou de nossa mesa-redonda na Universidade de Fundan, trouxe uma das análises mais sagazes daquilo que ele descreve como "a insana técnica de fazer dinheiro" de Trump.  

 Em nosso encontro com o novo editor-em-chefe do Guancha,  He Shenquan, discutindo com os hipercompetentes especialistas em relações internacionais  Kelly Liu e Yang Hanyi – o chefe da comunicação do Instituto China – assistimos a um excepcional podcast com o Coronel do Exército de Libertação Popular Wang Lihua, com Gao Zhikai – Vice-Diretor do Centro China e Globalização  (CCG) – e com o sempre essencial Li Bo, Presidente do Instituto de Estratégia de Desenvolvimento  Chunqiu de Xangai.  

 E foi então que a lendária formulação de Mao Zedong datada da década de 1960, dos Estados Unidos como um “tigre de papel” – citada por toda a parte, de slogans guerrilheiros latino-americanos  a filmes de Godard - ressurgiu com força total.  

 Wang Lihua citou o que o Presidente Xi havia dito a Putin em sua decisiva reunião no Kremlin, há dois anos: estamos em meio a mudanças jamais vistas em cem anos.  

 Wang: “Essa mudança não pode se dar de uma só vez, e a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos não se resolverá em definitivo. Fricções e conflitos dessa natureza, nas palavras do Presidente Mao, são como “criar problemas, fracassar, criar problemas novamente, fracassar novamente, até a destruição”.  

Wang concluiu com aquilo que talvez encapsule o sentimento dominante na China, identificado em cada rua, em cada esquina de Xangai: “É difícil para os Estados Unidos consertarem a si próprios de dentro para fora. Agora, os Estados Unidos têm que se confrontar  com a China e com o resto do mundo, e sua força, obviamente, não é suficiente, de modo que o fracasso é inevitável. Não temos medo de uma guerra prolongada porque o tempo está de nosso lado”.    

 A China “não tem medo da guerra”, seja qual for a forma com que ela se manifeste, de híbrida a quente, é o sentimento dominante em Xangai, com base no conceito maoísta de “frente unida”, e esposado por todos, desde acadêmicos e líderes empresariais até moradores dos “alojamentos modelo” da era maoísta impecavelmente preservados – e com um olho na inovação (por exemplo: fila após fila de tomadas para alimentar a multidão de bicicletas elétricas estacionadas nos pátios internos).  

 O “Tigre de Papel” Dá o Bote

 Foi imensamente esclarecedor participar de almoços de negócios com executivos e com pessoal de vendas de diversas províncias chinesas – na espetacular Pei Mansion, um dos mais belos prédios de inícios do século XX de Xangai, onde o famoso arquiteto I.M. Pei viveu por um ano,  e também no Ali Wang, o melhor restaurante da cidade, situado no Centro Financeiro Mundial, que proporcionou uma experiência completa de pratos uigures de carne de carneiro.

Todas as conversas e debate foram marcadas por uma constante: nenhuma ilusão quanto ao Trump 2.0 vir a mudar de estratégia, e como voltar essa estratégia contra os Estados Unidos, ao estilo de  Sun Tzu; de que forma a China deve acumular um sólido conjunto de instrumentos de barganha e, principalmente que, desde o início, essa foi uma guerra de uma fração da elite das classes dominantes estadunidenses contra a China. O resto do mundo é uma mera atração secundária.  

 Não é de admirar, portanto, que em qualquer jantar de negócios, após uma inigualável festa gastronômica, a conversa logo se volte para o fato de  que a estratégia chinesa não irá tratar do controle de danos imediatos, e que a China já está de olho em novos vínculos e nós que aprofundem sua competitividade global no longo prazo.

 É uma questão em aberto se o Trump 2.0 e seu time de sinófobos conseguirão evitar o surgimento de uma aliança estratégica da Maioria Global contra o Império do Caos.

 Em Xangai e por toda a China, a submissão simplesmente não é uma opção. Em termos culturais, Trump conseguir antagonizar  de uma só vez 1,4 bilhões de chineses ao desrespeitar o estado-civilização. A coisa que mais irrita os chineses é o desrespeito (ver, por exemplo,  o “século de humilhação”.  

 Uma guerra comercial escancarada? Desacoplamento profundo? Manda vir.  

 O Imperador das Tarifas atacou, em especial, as cadeias de suprimento do Sudeste Asiático – Vietnã, Camboja, Laos, Mianmar. O principal parceiro comercial de toda a ASEAN 10 é a China. Os investimentos externos diretos chineses são muito importantes para o Camboja e para Mianmar, que enfrenta grandes dificuldades após o terremoto. É fora de dúvida que a ASEAN terá que agir de forma “estrategicamente multilateral”.  

 A tão oportuna viagem do Presidente Xi ao Vietnã, Camboja e Malásia já começou a dar o tom  – o que foi corroborado pelo Chanceler chinês Wang Yi: "O Sudeste Asiático chegou a um consenso: continuaremos unidos e diremos não a esses atos retrógrados e regressivos”.  

 O Chilique Tarifário de Trump (CTT) é uma guerra contra os BRICS e a ASEAN – e contra a crescente presença da ASEAN nos BRICS, como membros plenos (Indonésia) e parceiros (Malásia, Tailândia, Vietnã). Intelectuais chineses de grande prestígio têm plena consciência desse fato. Trump, de sua parte, levando em conta sua ficha corrida, sequer sabe o que BRICS e ASEAN de fato s Nas reuniões sherpa dos BRICS, que preparam para a cúpula que terá lugar no Rio, em inícios de julho, já se notam sérias medidas visando a se contrapor ao “protecionismo sem precedentes” da guerra comercial de Trump, nas palavras do Ministério da Agricultura brasileiro. Trump já lançou a ameaça que se tornou sua marca: uma tarifa de 150%  para todos os membros dos BRICS. A China, um dos principais países-membros dos BRICS,  não se deixou intimidar.

 Atarefados em Construir Consenso Global contra as Intimidações   

 Enquanto isso, em Pequim, em consonância com todo o frenesi intelectual de Xangai, Jensen Huang, CEO da Nvidia, vestindo terno (ele prefere jaquetas de couro) em sinal de respeito e falando inglês (apesar de ter nascido em Taiwan) teve um encontro hiperimportante com Ren Hongbin, presidente do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT).

 Aqui temos, então, o CEO multibilionário de uma gigante de chips dos Estados Unidos dizendo pessoalmente ao governo chinês que sua empresa permanece totalmente comprometida com o mercado chinês, apesar das severas restrições à exportação de Chips de IA impostas pelo  Trump 2.0.   ignificam.

 Um livro recém-lançado, The Thinking Machine: Jensen Huang, Nvidia, and the World’s Most Coveted Microchip, é leitura obrigatória para entender a maneira de pensar de Huang. Ele é um imigrante asiático que veio da pobreza, personifica o clássico sonho americano, não aceita desaforo de ninguém e é hipercompetitivo. Huang tem plena consciência de que a Nvidia, simplesmente, não pode perder o mercado chinês, além de saber que, antes de 2030, os engenheiros chineses irão lançar seu próprio  GPU, levando talvez a Nvidia à falência.

 Voltando a Xangai, ao levantar voo do Aeroporto de Pudong foi fácil entender por que o tráfego de passageiros  da China alcançou uma alta recorde no primeiro trimestre de 2025 – mesmo em uma atmosfera de “crise” e competição feroz, inclusive com as ferrovias de alta velocidade. Some-se a isso o tsunami humano que invade a Rodovia  Nanjing em uma sexta-feira à noite, exigindo filas e mais filas de policiais militares para disciplinar o fluxo humano em ambos os lados do bulevar de pedestres.  

 Crise de consumo? Que crise? Paralelamente, do outro lado do Pacífico, o  Taobao é hoje o número 2 – e continua crescendo  – na App Store da Apple, nos Estados Unidos. Todos estão ansiosos não apenas por vídeos do TikTok, mas também por ir às compras e ter acesso ilimitado a produtos baratos made in China.  

 No front militar, a China acaba de lançar uma bomba de hidrogênio não-nuclear. Sem urânio. Sem plutônio. Apenas uma inigualável solução de química-engenharia. Impérios decadentes travando guerras por procuração são tão século passado. A nova bomba chinesa pesa 2 quilos, dura quinze vezes mais que o TNT e sua bola de fogo excede os 1000 graus Celsius.  

 A principal lição aprendida nesses frenéticos dias em Xangai talvez seja de que a China está hoje firme e estrategicamente focada em ocupar, por todo o planeta, uma posição de superioridade moral.  

 O Chilique Tarifário de Trump  (CTT) talvez não melhore o déficit comercial americano. Mas já ficou claro que ele implodiu a credibilidade dos Estados Unidos.   

 Além do mais, a prioridade absoluta da China vai muito além do comércio global: todos os que estejam familiarizados com o Pensamento de Xi Jinping sabem que seu objetivo é alcançar a “modernização nacional”,  a unificação e a construção, juntamente com parceiros de todos os continentes, de uma “comunidade de futuro compartilhado”.  

 Tanto em termos geopolíticos quanto geoeconômicos, portanto, esse é o mapa do percurso que temos pela frente: Xangai vem mostrando que a China está se deliciando com seu novo papel de farol da Resistência, disposta a desafiar toda e qualquer intimidação, ocupada em construir um consenso em meio à Maioria Global. Trata-se de paciência estratégica – que um Império caótico e fora do controle simplesmente não possui.  

 Tradução de Patricia Zimbres



segunda-feira, 21 de abril de 2025

A farsa de Bolsonaro no hospital é desmascarado pela inteligência artificial de Musk

 

Assista: vídeo de Bolsonaro no hospital é desmascarado pela inteligência artificial de Musk

A IA analisou as imagens de Bolsonaro no hospiital em que ele aparece com uma sonda nasogástrica

247 - Internado no hospital desde o dia 12 de abril, Jair Bolsonaro tem divulgado vídeos de sua recuperação com imagens em que caminha pelo hospital com sonda nasogástrica e outros aparelhos de acompanhamento médico.

Mas as imagens que deveriam comover e justificar sua ausência em compromissos judiciais acabou chamndo a atenção. E não foi um médico, mas da própria inteligência artificial desenvolvida por uma empresa de Elon Musk que iNa imagem postada por Bolsonaro ele aparece com uma sonda nasogástrica, no entanto, ao analisar a imagem, a IA apontou que o tubo não está inserido no nariz, apenas colado por fora.

Em um vídeo postado nas redes sociais, o influenciador Thiago dos Reis aponta o que chama de erro grotesco, digno de uma peça de teatro de quinta categoria.

“Ah, por essa nem eu esperava”, dispara Thiago dos Reis. Segundo ele, o ex-presidente tentou se vitimizar — mas acabou desmascarado por uma inteligência artificial da empresa de Elon Musk.

“Olha, o Bolsonaro postou essa foto… e eu não sou médico nem nada. Mas olha a sonda dele! Tá grudada no nariz e não tá enfiada no nariz, não”, explica Thiago, chamando a atenção para um detalhe. “E olha, ele coloca aí aparelho que é cardíaco na clavícula.”

A cena foi analisada por uma IA da empresa de Elon Musk, e o veredito foi direto: “A imagem apresenta inconsistências médicas. Primeiro: o tubo nasogástrico parece estar apenas colado sobre o nariz, não inserido — o que é incorreto pra esse tipo de sonda, que deve entrar pela narina até o estômago. Segundo: uma pessoa com sonda nasogástrica para alimentação não deveria estar comendo com colher, pois isso pode causar complicações como aspiração. Esses pontos sugerem que a imagem pode ter sido manipulada ou encenada, não refletindo uma situação médica real.”

Thiago ainda lembra que toda encenação não tem apenas o objetivo de comover, mas fugir da Justiça.

“Ah, por essa nem eu esperava”, dispara Thiago dos Reis. Segundo ele, o ex-presidente tentou se vitimizar — mas acabou desmascarado por uma inteligência artificial da empresa de Elon Musk.

“Olha, o Bolsonaro postou essa foto… e eu não sou médico nem nada. Mas olha a sonda dele! Tá grudada no nariz e não tá enfiada no nariz, não”, explica Thiago, chamando a atenção para um detalhe. “E olha, ele coloca aí aparelho que é cardíaco na clavícula.”

A cena foi analisada por uma IA da empresa de Elon Musk, e o veredito foi direto: “A imagem apresenta inconsistências médicas. Primeiro: o tubo nasogástrico parece estar apenas colado sobre o nariz, não inserido — o que é incorreto pra esse tipo de sonda, que deve entrar pela narina até o estômago. Segundo: uma pessoa com sonda nasogástrica para alimentação não deveria estar comendo com colher, pois isso pode causar complicações como aspiração. Esses pontos sugerem que a imagem pode ter sido manipulada ou encenada, não refletindo uma situação médica real.”

Thiago ainda lembra que toda encenação não tem apenas o objetivo de comover, mas fugir da Justiça.

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Mohamad Ali
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Estou longe de ser bolsonarista, mas se você ver a foto de 2019, me parece que este na parte de cima do Naris é para segurar a sonda, por baixo tem um que dá para ver entrando na narina.