terça-feira, 28 de maio de 2024

Chefe da Aliança Bolivariana: hiperimperialismo só tem 'força militar e guerras para fazer negócios' 07:22 28.05.2024

 

Chefe da Aliança Bolivariana: hiperimperialismo só tem 'força militar e guerras para fazer negócios'

O secretário-executivo da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP), Jorge Arreaza - Sputnik Brasil, 1920, 28.05.2024
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Completamente avesso à manutenção da lógica de exploração do modelo imperialista, Jorge Arreaza, o secretário-executivo da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA-TCP), compartilhou os objetivos do programa Alternativa Social Global em entrevista exclusiva à Sputnik.
O secretário-executivo da ALBA-TCP, Jorge Arreaza falou à Sputnik sobre estratégias para implementar a agenda proposta pelo bloco e como fortalecer a cooperação entre os países-membros e outras organizações internacionais em um cenário de declínio do imperialismo. Para ele, uma tendência que já deu origem a acordos que apoiam a construção de um sistema multilateral em diversas áreas.
Há vários anos que o imperialismo entrou em uma fase de declínio, um processo que Arreaza descreve como "imparável". Neste contexto, os movimentos sociais e as pessoas têm sentido a necessidade de chegar a acordos que permitam a construção de uma sociedade pós-imperialista.

"É uma necessidade que surge do íntimo do povo", disse Arreaza, destacando que essa proposta levada a cabo pela ALBA-TCP procura proteger os direitos sociais de todos e estabelecer uma "agenda mínima comum" em diversas áreas como política, economia, educação, saúde e ambiente.

No documento apresentado pela ALBA-TCP, o conceito de "hiperimperialismo" é utilizado para descrever o declínio produtivo e financeiro, bem como a dependência da força militar por esse modelo que, destaca Arreaza, "não é apenas dos Estados Unidos, são da rede de corporações do mundo ocidental, por assim dizer, que controlam as economias, a política, as esferas militares e sociais nos nossos países ou nos países ocidentais", apontou o secretário.
"O dólar está sendo superado, está em vias de ser superado, igualado também por outras moedas e outras forças financeiras do mundo. O que resta ao imperialismo? Guerras para tomar territórios, recursos naturais, para demonstrar poder", acrescentou.
Para Arreaza, a importância do financiamento da Alternativa Social Global, baseia-se na necessidade de uma melhor distribuição de recursos para garantir os direitos sociais
Conferência sobre Multipolaridade: a maioria global acelerando rumo a um mundo justo e democrático - Sputnik Brasil, 1920, 29.02.2024
Pepe Café
Conferência sobre Multipolaridade: a maioria global acelerando rumo a um mundo justo e democrático
"Se conseguíssemos, por exemplo, renegociar todas as dívidas externas, que também foram quase impostas pelos bancos internacionais, pelo Fundo Monetário Internacional [FMI], se conseguíssemos compensar, reparar o que o sistema econômico fez ao povo, bem, haveria força suficiente para podermos avançar nestas outras áreas dos direitos sociais, na cultura, na educação, na saúde, na habitação e na alimentação", destacou ele.
No entanto, o secretário também acredita que alguns dispositivos internacionais, apesar das invasões e agressões dos países ocidentais e do permanente desrespeito às resoluções do Conselho de Segurança (CSNU) e da própria Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), precisam ser fortalecidos e repensados segundo o atual contexto das relações internacionais.

"Embora as Nações Unidas neste momento estejam enfraquecidas pelo imperialismo, acredito que o papel da comunidade internacional e dos países da ALBA deveria ser o de fortalecer as Nações Unidas, de expandir o poder do Sul Global, que no Conselho de Segurança as vozes do 'nosso Sul' possam entrar, que pensemos no sistema de votação nas Nações Unidas, e não no poder do veto", destacou.

Diante deste desafio de governança global e para garantir o cumprimento desses objetivos centrais, a ALBA-TCP decidiu que os governos dos seus países-membros devem assumir essa agenda como parte das suas próprias políticas, assim como refletir as preocupações referentes à inteligência artificial (IA) e seu uso destrutivo.
"Há uma preocupação real e latente [...] sobre o desenvolvimento ilimitado destas novas tecnologias que podem destruir a própria humanidade", disse ele.
A próxima reunião da ALBA, marcada para julho deste ano, coincide com o nascimento de Simón Bolívar, e será crucial para definir e começar a apresentar o documento da Alternativa Social Global perante a ONU e outros fóruns internacionais. Arreaza expressou a esperança de que a Venezuela possa em breve aderir ao BRICS, expandindo assim a influência do povo da América Latina.

domingo, 26 de maio de 2024

Em meio a turbulência monetária global, estaria o padrão-ouro regressando?

 

Em meio a turbulência monetária global, estaria o padrão-ouro regressando?

Ouro (imagem de referência) - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2024
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Os sinais ue o padrão-ouro está regressando à política monetária global são evidentes, afirma o presidente e editor-chefe da Forbede qs, Steve Forbes. O especialista aponta vários aspectos que sustentam a confiança em um novo sistema econômico e financeiro, incluindo a diminuição da confiança no dólar.
"É difícil de acreditar, mas o mundo está começando a caminhar para um sistema monetário baseado no ouro", observa Forbes.
padrão-ouro tem má reputação entre os especialistas econômicos e financeiros, lembra o analista. No entanto, este regime monetário funcionou de forma eficaz, apesar de todos os "mitos" que o rodeiam hoje, afirma ele. O sistema beneficiou, em particular, os próprios Estados Unidos, que durante décadas registraram um crescimento econômico impressionante, ritmo que se perdeu com o abandono desse padrão.
Segundo o especialista, entre os sinais do retorno do ouro aos fundamentos do sistema monetário mundial está o aumento do volume de compras do metal precioso pelos bancos centrais de potências como China, Índia, Rússia e outros.
"Estes países estão reagindo às dúvidas crescentes sobre o valor do dólar a longo prazo, o que, por sua vez, é um sintoma do declínio percebido dos EUA", comenta.
Outro indicador importante é a expansão das criptomoedas, cuja popularidade se deve à crescente desconfiança na moeda fiduciária, observa a Forbes. Porém, a principal desvantagem das criptomoedas, como o bitcoin, é a falta de um valor estável, o que dificulta sua utilização em transações comerciais, principalmente em contratos de longo prazo. O analista presume que, com o tempo, o mercado de criptomoedas vincularia seu valor ao equivalente em ouro.
"Existem diversas criptomoedas ligadas ao ouro, mas ainda não conquistaram credibilidade e mecanismos para a sua utilização generalizada. No entanto, esta situação pode mudar à medida que os governos desenvolverem as suas políticas monetárias", detalha.
Com a dívida total mundial ultrapassando hoje os US$ 300 trilhões (cerca de R$ 1,5 quatrilhão), três vezes o seu Produto Interno Bruto (PIB), a sociedade global enfrentará inevitavelmente uma crise "que não pode ser facilmente paga", alerta a Forbes.
Bolsa de valores de Nova York (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 14.05.2024
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Por fim, o analista enfatiza a mudança do papel do BRICS. O grupo, inicialmente composto pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, se define como uma associação de mercados emergentes e países em desenvolvimento, fundada em laços históricos de amizade, solidariedade e interesses partilhados. Em 2023, o BRICS convidou a Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, a Etiópia e o Irã a aderirem.
Após a adesão de cinco novos Estados, o grupo do BRICS representa quase metade da população mundial, mais de 40% da produção mundial de petróleo e cerca de 25% das exportações mundiais.
A Forbes observa que as atividades financeiras do BRICS "estão começando a agitar as coisas" na esfera monetária global. A edição indica como exemplo as operações financeiras da Índia com títulos governamentais baseados em ouro, que lançou desde 2023.
"[Os títulos de ouro] provavelmente serão muito populares entre os investidores de todo o mundo. Desde o início da era da [moeda flutuante] em 1971 até hoje, os títulos de ouro com um rendimento de 4% teriam apresentado desempenho superior a todos os mercados de ações e títulos no mundo", afirma o analista citando o especialista monetário Nathan Lewis.

'Animal ferido': analista explica por que diminuiu a percepção dos EUA como líder global

 

'Animal ferido': analista explica por que diminuiu a percepção dos EUA como líder global

Bandeira dos Estados Unidos (imagem de referência) - Sputnik Brasil, 1920, 26.05.2024
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A imagem positiva dos Estados Unidos como líder global registou um declínio em 2023 face ao ano anterior, de acordo com o Índice de Percepção da Democracia publicado este ano. Quais são os fatores que levaram a esse declínio? A Sputnik conversou com a doutora em ciências sociais Mariana Aparício para explorar a questão.
relatório da Aliança das Democracias foi elaborado com as respostas dos habitantes de 53 dos 195 países do mundo. Seus resultados revelaram que os Estados Unidos caíram cinco pontos percentuais na percepção positiva como líder global, passando de 27% em 2022 para 22%.
A doutora em ciências sociais pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Mariana Aparício destacou para a Sputnik que, embora a imagem do país continue em bons níveis, a queda registrada pode ser compreendida principalmente porque o atual presidente norte-americano Joe Biden teve de enfrentar as consequências da política externa implementada pelo seu antecessor, Donald Trump, bem como problemas internos como assistência médica, educação, pobreza e desenvolvimento econômico, para citar alguns.
"Os Estados Unidos já estão, nestas duas décadas do século 21, com esta crise de hegemonia e da percepção de si mesmos como líderes do regime internacional", disse a dra. Aparício. Além disso, a especialista destaca que as ações de política externa de cada administração são ponderadas pela população mundial.
Segundo o índice, a popularidade dos Estados Unidos sofreu um impacto global em 2024, particularmente em países do Oriente Médio e do Norte de África, no entanto, a sua imagem também foi afetada em alguns países da Europa.
"Os EUA são uma potência em declínio, já se fala em uma reconfiguração do sistema internacional em que a China e a Rússia estão à frente desse outro projeto, que confronta diretamente a civilização dos Estados Unidos; não é uma disputa por dinheiro, pela economia, sobre política ou geopolítica, sobre território, é uma disputa sobre uma concepção de identidades hemisféricas, de identidades globais, e é isso que o torna tão perigoso e que faz dos EUA um animal ferido", considerou Carlos Manuel López, professor de relações internacionais da Faculdade de Estudos Superiores (FES) de Aragão, à Sputnik.
Embora o estudo não considere o impacto que o papel dos Estados Unidos no conflito em Gaza teve na percepção global, foi relatado que a questão atingiu as intenções de reeleição de Biden, especificamente em certos setores democratas e juvenis.
Estudantes participam de um protesto em frente à reitoria da Universidade de Atenas, em 13 de maio de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 15.05.2024
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No dia 20 de maio, o atual presidente dos EUA falou sobre a decisão do promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) de pedir mandados de prisão contra líderes israelenses, incluindo o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
"Israel deve fazer todo o possível para garantir a proteção dos civis, mas me deixe ser claro: ao contrário das acusações contra Israel feitas pela Corte Internacional de Justiça, o que está acontecendo não é um genocídio, nós o rejeitamos", disse Biden.
Para o professor López, a imagem dos Estados Unidos se deteriora devido ao "apoio cego" que o governo Biden tem dado a Israel ante o genocídio cometido em Gaza, bem como à repressão às manifestações estudantis a favor da causa palestina.
"Este apoio e repressão cegos levam a opinião pública global a não ignorar as ações dos Estados Unidos. Anos antes, décadas antes, este poder mediático dos Estados Unidos inibia todas as críticas que eram feitas contra as suas ações", explicou o especialista.
A dra. Aparício destacou, por sua vez, que o papel dos Estados Unidos em nível global entrará em um período de revisão, no sentido de que o país requer projeção de liderança.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, fala durante uma entrevista coletiva após sua reunião bilateral com o ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Retno Marsudi (não na foto), no escritório do Ministério das Relações Exteriores em Jacarta, em 18 de abril de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 15.05.2024
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China e Rússia aumentam percepção positiva

Outro resultado reportado pelo Índice de Percepção da Democracia é que a Rússia e a China tiveram um aumento na sua percepção positiva. Segundo o professor López, isto se deve ao fato de ambos os países liderarem outro projeto de identidade global, no qual procuram compreender a política a partir de outra perspectiva.
"[Esta perspectiva] está tentando resolver as necessidades autênticas das suas sociedades e, no processo, para a sociedade global, devemos compreender que a política internacional tem de ser reconfigurada para abordar verdadeiramente as causas que geram os verdadeiros problemas mundiais", observou ele.
Segundo o índice, as áreas do mundo onde se registou o aumento desta percepção positiva são o Oriente Médio e Norte de África, a Ásia e a América Latina.
No caso específico da China, ambos os analistas concordam que a sua relação econômica com os países latino-americanos impacta a percepção que as populações do gigante asiático têm.
"Essa percepção positiva tem a ver com um relacionamento mais duradouro, com maior conhecimento, onde os países latino-americanos veem a República Popular [da China] como um parceiro potencial e como um aliado para a diversificação comercial", disse a dra. Aparício.
Por sua vez, Manuel López destacou que a América Latina enfrenta o desafio de se separar dos efeitos causados pelos caprichos das potências mundiais e salvaguardar os interesses da sua população.
"Seja a China, seja os Estados Unidos, seja a França, seja o país que for, se houver projetos de investimento que sirvam a população, teriam que ser operacionalizados sem ter que cuidar dos aspectos ideológicos, políticos, ou de filiação", considerou.
O especialista citou como exemplo o caso do México, um país que na sua opinião tem conseguido manter a sua independência em assuntos vitais para a nação sem interferir nos assuntos das grandes potências.