Lucio Bernardo Jr./ Câmara dos Deputados
A
chancelaria russa emitiu um comunicado sobre as relações entre o Brasil
e a Rússia, articulado por Maria Zakharova. Segundo a representante
oficial do Ministério das Relações Exteriores, a Rússia acompanha
atentamente a situação no Brasil. “Esperamos que os problemas que possam
surgir neste período sejam solucionados no âmbito do Direito
Constitucional, sem intervenções externas”, acrescentou ela.
Confira a íntegra do comentário de Lázaro Heifetz.
***
“É realmente uma tentativa de golpe de Estado usando instrumentos
democráticos. Não é bom para o Brasil. Você sabe, uma vez o presidente
Nixon disse: ‘Para onde o Brasil for, o resto da América Latina irá’. Se
a oposição, os adversários da Dilma Rousseff e de Lula da Silva, querem
continuar o caminho da América Latina desta maneira, isso significa que
eles indicam o caminho da ilegalidade. Recentemente, os organismos
internacionais da América Latina atuaram de uma certa forma, na base da
continuidade, para acabar com tais tentativas. Por exemplo, durante o
golpe de Estado em Honduras contra Manuel Zelaya, a participação de
Tegucigalpa na ONU foi suspensa. A mesma tentativa de golpe
constitucional no Paraguai, quando o presidente Fernando Lugo foi
derrubado, também levou à suspensão do país no Mercosul. Neste caso, se
continuar a linha, o Brasil, será sujeito a um sério teste.
O
procedimento, na verdade, não é tão simples. Não é o afastamento do
governo de Dilma do poder. É a suspensão de seu mandato durante 180
dias, em que a polícia federal vai procurar as provas para confirmar
as acusações contra ela. Aqui nos vemos o problema: a oposição quer
declarar o impeachment, sem provas de qualquer crime. Ela está ligada a
crimes ocorridos, mas indiretamente. Na verdade, todas as provas são
indiretas. O que é mais engraçado e mais trágico é que o vice-presidente
Michel Temer que, no caso de impeachment, vai assumir a presidência,
será acusado dos mesmos crimes. E contra o iniciador do impeachment, o
presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, também existem
as mesmas acusações, que, na verdade, foram apresentadas ainda antes de o
serem contra Dilma ou Michel. Se seguirmos esta lógica, vamos admitir
que Dilma Rousseff seja corrupta. Consequentemente, o vice-presidente
também é corrupto e o presidente da Câmara dos Deputados também. Então, o
que nos temos no final de contas? Uma mudança dum corrupto, por outro?
Neste caso qual é o motivo deste procedimento?
Maryanna Oliveira/ Câmara dos Deputados
A
presidência será assumida por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos
Deputados. Se decidirmos afastar todos do poder, então, deveríamos
demitir o vice-presidente também. Você sabe que, até aos últimos
acontecimentos, existia uma forte coalização no governo. Era o Partido
dos Trabalhadores (PT) de Dilma Rousseff, o Partido do Movimento
Democrático Brasileiro (PMDB) de Michel Temer e vários partidos menores,
que entraram na coalização nos tempos do primeiro mandato de Lula da
Silva. E na minha opinião, o que Dilma Rousseff está dizendo, que é uma
conspiração, um golpe, uma traição por parte de Temer, para mim, na
verdade, corresponde à realidade. Seria lógico, já que você chegou ao
poder junto com Dilma Rousseff, sob uma única bandeira, que todos
renunciassem: deputados e senadores. Que fossem declaradas eleições
antecipadas. Do meu ponto da vista, o que os ex-parceiros de coalizão de
Dilma Rousseff estão fazendo é uma vergonha. É, simplesmente,
desprezível”.
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