sexta-feira, 3 de junho de 2022

BOLSONARO PROVOCA CRISE E FALTA DE REMÉDIOS NO BRASIL - Jogos Vorazes: portos fechados e crise logística provocam falta de remédios no Brasil

 

Jogos Vorazes: portos fechados e crise logística provocam falta de remédios no Brasil

Técnico de laboratório estuda amostras de sangue de voluntários que tomaram a vacina contra a COVID-19 da Johnson & Johnson em Groblersdal, na África do Sul - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2022
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Especiais
Faltam medicamentos nos hospitais e farmácias brasileiras? Em entrevista à Sputnik Brasil, representantes do setor farmacêutico fazem um apelo às autoridades públicas, enquanto o país corre sério risco de mergulhar em uma nova crise no setor de saúde.
pressa em impor sanções à Rússia, após o lançamento da operação militar na Ucrânia, foi feita com um cálculo específico: devastar a economia russa. No entanto, em um mundo globalizado, onde tudo está interligado, todas as ações têm consequências. Os bloqueios comerciais contra Moscou provocaram falta de fertilizantes e grãos pelo planeta, agravando a fome e encarecendo produtos.
Nos últimos meses, o retorno da COVID-19 à China provocou um efeito em cascata semelhante. O fechamento dos portos chineses em função do lockdown congestionou o fluxo de mercadorias nos maiores e mais importantes portos do mundo, criando gargalos logísticos. A exemplo do que houve com o Brasil na questão dos fertilizantes, desabastecido dos insumos dada a posição de importador do país, a crise que nos atinge desta vez está no mercado de medicamentos.
O fato é que as farmácias brasileiras e o sistema de saúde do país relatam, em 18 estados e no Distrito Federal, problemas que vão da falta de remédios nas prateleiras das drogarias ao adiamento de cirurgias por desabastecimento de drogas específicas. Segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), uma ausência é comum a todos os estados: a dipirona monoidratada injetável de 500 mg. O remédio é um dos mais usados na rede de saúde, indicado para o tratamento de dor e febre.
Um dos 55 terminais de carga do Porto de Santos, no litoral de São Paulo - Sputnik Brasil, 1920, 01.06.2022
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A crise tem explicação e solução, garantem Norberto Prestes, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), e Sérgio Mena Barreto, CEO da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), entrevistados pela Sputnik Brasil para falar sobre o problema em um momento em que os produtos farmacêuticos subiram 6,13% no mês de abrilsegundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os especialistas concordam que as razões para a falta de remédios nas prateleiras das drogarias e o adiamento de cirurgias por desabastecimento de medicamentos são as dificuldades logísticas e a dependência do Brasil dos mercados externos para a compra de insumos.
"A logística é um problema que dura há dois anos, principalmente em razão da COVID-19. O setor farmacêutico foi muito impactado nos últimos anos", apontou Norberto Prestes. Ao justificar seu argumento para a falta de remédios, ele lembrou que "o Brasil não é rota principal de logística do mundo, representando apenas 2%" dos fluxos globais. Isso, segundo ele, representou um impacto grande para o país, embora não seja a causa principal.
"A região que abrange a logística de comércio no mundo se concentra no hemisfério norte do globo, e nós tivemos problemas com um novo lockdown da China. Isso fez com que as mercadorias ficassem retidas nessa região", comentou.
Complementando o argumento, Sérgio Mena Barreto pontuou que "além da maior dificuldade para a chegada de insumos ao país, tivemos uma espécie de efeito dominó, pois outros produtos que estavam faltando exigiram mais dedicação da indústria, acarretando a redução na fabricação de outros produtos".
Ambos os especialistas consideram que o verdadeiro problema consiste no fato de que "o Brasil importa 95% dos insumos para medicamentos". Norberto Prestes enfatizou que no caso dos antibióticos a situação é ainda pior, pois "não temos nenhuma fábrica". Ele relembrou, por outro lado, que "o Brasil já teve quatro grandes indústrias de antibióticos", que foram fechadas em meio ao processo de desindustrialização em curso no país há décadas.
Linha de montagem de caminhões da montadora Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, São Paulo (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 25.05.2022
Notícias do Brasil
Desindustrialização: o que explica o Brasil ter chegado a esse ponto?
Reverter essa situação do setor industrial, na avaliação de Norberto Prestes, inclusive é a única saída para que o Brasil contorne o desabastecimento de medicamentos, drogas e insumos. À Sputnik Brasil, ele defendeu "uma política de Estado, permanente, de nacionalização de insumos".
"A gente precisa priorizar a nossa produção, principalmente daqueles [medicamentos] que são críticos para a população brasileira. A gente busca isso com as agências responsáveis, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa], uma articulação para definir essa produção", comentou, ressaltando que há conversas com o governo para que sejam dadas condições para uma retomada industrial no âmbito dos remédios.
Norberto Prestes defende um programa estatal para o setor de medicamentos argumentando que diversos outros países, em especial EUA, Austrália e Índia, tomaram iniciativas para proteger seu mercado de remédios. O governo norte-americano, por exemplo, como apontou o especialista, "está nacionalizando 180 insumos para se tornar independente da China".
"A Austrália está fazendo investimento em produções mais flexíveis de IFA [ingrediente farmacêutico ativo, produzido principalmente pela China], que são mais baratas e têm custo menor. A Índia investiu US$ 8 bilhões [R$ 38,3 bilhões] em seu programa de nacionalização. É uma discussão longa, mas é essencial que aconteça. O Brasil precisa ser minimamente capaz de produzir moléculas quando necessário. Da mesma forma que foi criado um programa para fertilizantes, é preciso um para a indústria farmacêutica."
Presidente da República, Jair Bolsonaro acompanhado da Primeira Dama, Michelle Bolsonaro recebem o Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 30.05.2022
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Bolsonaro diz que visita à Rússia ajudou Brasil a driblar crise de fertilizantes e celebra parceria

Após aumento surpreendente, diretor da APEX em Moscou revela tendências do comércio Brasil-Rússia

 

Após aumento surpreendente, diretor da APEX em Moscou revela tendências do comércio Brasil-Rússia

PRODEXPO - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2022
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Especiais
O comércio entre Brasil e Rússia aumentou no primeiro quadrimestre de 2022, apesar das sanções econômicas e crise geopolítica. A Sputnik Brasil entrevistou o diretor da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil) em Moscou para traçar as principais tendências de comércio entre Brasil e Rússia.
Analistas foram surpreendidos pelos dados do comércio entre Brasil e Rússia no primeiro quadrimestre de 2022, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia (SECEX/ME) do Brasil. De acordo com as estatísticas, a Rússia aumentou seu volume de vendas de forma significativa e hoje é o quinto principal fornecedor do Brasil.
As exportações russas totalizaram US$ 2,4 bilhões (cerca de R$ 11,5 bilhões), um aumento de 89% em relação ao mesmo período do ano passado. O bom desempenho russo é creditado principalmente aos adubos e fertilizantes, que responderam por 68,67% deste valor.
Mas as exportações brasileiras para a Rússia também cresceram entre janeiro e abril de 2022, em pleno período de crise geopolítica. As vendas do Brasil totalizaram US$ 741,5 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões), uma alta de 81,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
O aumento das exportações surpreende, uma vez que existe uma série de desafios logísticos para a exportação para a Rússia em função das sanções econômicas ocidentais. Além das dificuldades de pagamento, as principais empresas de transporte marítimo de cargas deixaram de realizar entregas em portos russos.
A Sputnik Brasil entrevistou o diretor do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil) em Moscou, Almir Ribeiro Américo, para resolver esse quebra-cabeça e traçar as principais tendências do comércio entre Brasil e Rússia.
"Esse crescimento [das exportações para a Rússia] deveu-se sobretudo à performance das exportações de dois produtos: soja e açúcar", disse Américo à Sputnik Brasil.
Segundo ele, o Brasil exportou 495,2 mil toneladas de soja nos quatro primeiros meses deste ano, o equivalente a US$ 264,2 milhões de dólares (cerca de R$ 1,2 bilhão), "um crescimento de 125% em valor e de 136% de volume exportados".
No caso do açúcar, Américo relata que o Brasil vendeu 362,4 mil toneladas no primeiro quadrimestre, por US$ 146,8 milhões de dólares (cerca de R$ 705 milhões). Segundo ele, "no mesmo período do ano anterior, a Rússia comprou somente 13,6 mil toneladas de açúcar, devido à supersafra de açúcar produzido localmente naquele período".
Almir Américo, diretor do escritório da APEX em Moscou, no estande do Brasil na feira de alimentos Prodexpo, em 13 de fevereiro de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2022
Almir Américo, diretor do escritório da APEX em Moscou, no estande do Brasil na feira de alimentos Prodexpo, em 13 de fevereiro de 2020
Os demais produtos da pauta comercial brasileira, como carnes e castanhas, "tiveram oscilações menores, logo impactaram marginalmente nessa performance".
Apesar das altas, Américo nota que a balança comercial continua deficitária para o Brasil em US$ 1,64 bilhão (cerca de R$ 7,86 bilhões).
"Os dados indicam que a Rússia segue amplamente superavitária no comércio com o Brasil", disse Américo. "Para cada dólar exportado pelo Brasil para a Rússia nesse período, os russos exportaram ao Brasil 3,2 dólares."
Segundo ele, não há sinais de que o superávit comercial russo possa ser revertido no curto e médio prazo.
"A tendência é que o déficit brasileiro no comércio com a Rússia se amplie no curso de 2022, uma vez que, desde março, em consequência das sanções e bloqueios logísticos devidos aos conflitos na Ucrânia, as exportações de tradicionais produtos brasileiros para a Rússia, como carnes, amendoins, cafés e mesmo o açúcar estão comprometidas por falta de opções logísticas ou pelo aumento dos riscos e custos logísticos para as empresas brasileiras exportarem para o país", relatou Américo.
Soja - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2022
Soja
Quando perguntado se Brasil e Rússia poderiam encontrar soluções logísticas bilateralmente para manter o fluxo de comércio, Américo explicou que os produtos que têm mais dificuldade são aqueles exportados em contêineres e logo dependem de empresas ocidentais para o seu transporte.
"Acho que temos que analisar essas buscas de soluções produto por produto. Há aqueles produtos que são exportados em contêineres, cuja logística depende de operadoras globais que controlam as rotas e principais frotas desses navios porta-contêineres", explicou Américo.
Para esses produtos, "as chances de soluções bilaterais entre Brasil e Rússia são mais difíceis, uma vez que dependem de quatro grandes operadores europeus que têm transportado contêineres da América do Sul e aderiram às sanções de maneira severa, deixando poucas opções aos exportadores".
Em Savannah, no estado norte-americano Georgia, um navio de contêineres aparece carregado no porto local, em 29 de setembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2022
Em Savannah, no estado norte-americano Georgia, um navio de contêineres aparece carregado no porto local, em 29 de setembro de 2021
Por outro lado, os produtos que são transportados em navios cargueiros do tipo graneleiro, como a soja e açúcar, encontram mais facilidades.
"Esses são produtos cujas opções logísticas são menos dependentes dos serviços dos grandes operadores do Ocidente", disse Américo. "E [exportados em] grandes volumes, que justificam fretamentos exclusivos."
As facilidades logísticas de produtos exportados em grades volumes por navios graneleiros fretados favorece as exportações russas mais do que as brasileiras, o que explica a tendência de manutenção do déficit comercial do Brasil.
"Os produtos que a Rússia exporta ao Brasil são fertilizantes e derivados do petróleo, logo, o lado russo tem mais opções de manter seu fornecimento ao Brasil do que o contrário", apontou Américo.
As dificuldades logísticas devem reduzir gradualmente o potencial das exportações brasileiras para a Rússia. Segundo Américo, "é certa e previsível uma diminuição das exportações brasileiras para a Rússia".
Diretor da Apex-Brasil na Rússia, Almir Ribeiro Américo - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2022
Diretor da Apex-Brasil na Rússia, Almir Ribeiro Américo
Dados de comércio exterior do primeiro quadrimestre divulgados pela SECEX/ME indicaram um aumento na corrente de comércio entre Brasil e Rússia, com aumento de 81,3% nas exportações brasileiras para a Rússia e de 89% nas vendas russas ao Brasil. Com os resultados, a Rússia se tornou o quinto maior fornecedor do Brasil, atrás somente da China, EUA, Alemanha e Argentina.

OTAN, 'tentando acender estopim', realiza exercícios próximo da fronteira com Ucrânia

 

OTAN, 'tentando acender estopim', realiza exercícios próximo da fronteira com Ucrânia

Soldados portugueses participam de exercícios da OTAN - Sputnik Brasil, 1920, 03.06.2022
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As Forças Armadas da Romênia, bem como de outros cinco países europeus e dos EUA, participaram de exercícios militares em um campo de treinamento na vila romena de Smardan, próximo da fronteira com a Ucrânia.
De acordo com a mídia local, os exercícios ocorreram perto das fronteiras da Ucrânia e Moldávia, envolvendo manobras de combate terrestres e aéreas, para elevar a interoperabilidade através de exercícios de comando assistidos por computador.
Kremlin em Moscou, Rússia (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 02.06.2022
Panorama internacional
Especialista chinês enumera contramedidas da Rússia em resposta à expansão da OTAN
Com isso, a OTAN ainda espera fornecer prontidão tática às tropas com munição de combate real.
As manobras contaram com 1.000 soldados romenos, além de tropas da França, Bélgica, Bulgária, Itália, Portugal e EUA.