segunda-feira, 1 de maio de 2017

Revolução de Fevereiro: movimento que abriu portas à União Soviética


Os soldados que tomaram parte da Revolução de Fevereiro de 1917 em Petrogrado (foto de arquivo)

Revolução de Fevereiro: movimento que abriu portas à União Soviética

© Sputnik/ Arquivo da Sputnik
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Primeiro passo da Revolução Russa (6)
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No dia 23 de fevereiro a Rússia assinala o 100º aniversário da Revolução de Fevereiro. Infelizmente, nem todos têm plena consciência histórica daquilo que se passou na época, das causas do acontecido e como a Revolução de Fevereiro foi diferente da de Outubro. A Sputnik explica e lhes propõe uma retrospectiva dos eventos.

A Rússia entrou no século XX dilacerada por problemas que se vinham agudizando. Dava para sentir o perigo revolucionário no ar — e não levou muito tempo para que este se concretizasse. Foi uma cadeia sólida de causas e condições prévias — não apenas ideias e lemas — que levou ao colapso de czarismo na Rússia e à futura instalação do regime comunista, mudando o registro civilizacional do país e de todo o globo de uma vez por todas.
Início de século turbulento
Algumas das causas mais flagrantes dos distúrbios que abalaram o país nas primeiras décadas do século XX foram más safras, o aumento exponencial da dívida orçamental, fracassos no plano militar e a ausência de qualquer tipo de direitos civis.
Tudo isso fez com que as massas populares se revoltassem contra o regime imperial e reivindicassem aquilo que eles consideravam ser algo que inerentemente lhes pertencia. Em primeiro lugar, foram os trabalhadores rurais que ficaram na "armadilha" de prolongadas contribuições sem um verdadeiro direito à terra na consequência da polêmica reforma que aboliu a servidão em 1861. Segundo, foram os recém-emergidos trabalhadores urbanos que se manifestaram com os principais lemas da época: "Nos deem pão!", "Abaixo a guerra!", "Fora com o absolutismo!".
A situação estava agravada pelo fato das autoridades imperiais terem envolvido o país em duas guerras desastrosas que acabaram por corroer a economia russa por dentro: ou seja, a derrota "vergonhosa" na confrontação com o Japão em 1904-1905 e a arrastada Primeira Guerra Mundial que drenou todo o sangue do regime czarista agonizante. O fator mais importante foi também a discordância que se tinha gerado a nível do Estado, sendo que em fevereiro de 1917 a Duma de Estado, já formada completamente pela oposição ao czarismo, se reunia apenas algumas vezes por ano, e o governo estava mergulhado em um incessante carrossel ministerial.
Além das razões puramente econômicas e materiais, o czarismo estava comprometido e privado da confiança por parte do povo devido aos acontecimentos em torno da figura mística de Grigory Rasputin, que oficialmente ajudava o príncipe Aleksei a sobreviver à hemofilia, porém, ele alegadamente teria exercido grande influência sobre as decisões da família real. Rasputin, de origem rural, era considerado como "profeta" e "ancião", e até hoje há muitas especulações quanto à sua participação nos acontecimentos de 1917.
Revolução russa de 1905: um futuro que não se deu
Seria justo dizer que, em grande sentido, a Revolução de Fevereiro foi impulsionada pela desilusão com a revolução anterior de 1905, que não chegou a trazer quaisquer frutos. Mesmo que tivessem sido declarados, as liberdades e princípios democráticos fracassaram na sua aplicação, o que ainda agravou mais a atmosfera de desilusão na sociedade.
Porém, vale ressaltar que, se a Revolução de 1905 era pautada por forças e motivos pouco definidos, tendo sido despoletada pelo chamado Domingo Sangrento (22 de janeiro de 1905), que consistiu de uma manifestação pacífica, encabeçada pelo padre ortodoxo Georgy Gapon, esmagada violentamente pela guarda czarista, a sua "sucessora" de fevereiro de 1917 já tinha uma base ideológica mais sólida. Deste modo, o movimento revolucionário caótico de 1905 resultou na obtenção ilusória de um leque de liberdades e na planejada transição da monarquia ao parlamentarismo, proclamadas pelo famoso Manifesto de Outubro, mas uma parte esmagadora destes resultados não passou de nada além de simples declarações.
Os grupos opositores ao czarismo ganharam poderes legislativos. Porém, eles não conseguiram obter consenso entre eles mesmos. A Duma de Estado virou um palco de briga entre os grupos que, em princípio, queriam o mesmo, mas divergiam nos métodos e nas ideias.
A fermentação no maior órgão legislativo do país fez com que os principais problemas do país, que tinham servido de ímpeto ao movimento de 1905, não fossem resolvidos. Primeiramente, se tratava da chamada "questão agrária". Pior ainda, a Rússia estava atolada em uma dispendiosa e infrutífera campanha militar — a Primeira Guerra Mundial.
Dias ousados da revolta popular
Nos dias de janeiro e, especialmente, de fevereiro de 1917, cada vez mais fábricas se viam paralisadas por greves, sendo o caso mais conhecido relacionado com a fábrica Putilov em Petrogrado (nome de então de São Petersburgo). Os motins públicos se realizavam sob os lemas "Abaixo a guerra!" e "Viva a República!".
Outra uma parte integrante dos acontecimentos de fevereiro foram as "rebeliões do pão", provocadas por um programa de distribuição de produtos agrícolas ineficiente, introduzido um ano antes. Todos estes distúrbios foram apenas um prólogo para a Revolução, que começou em 23 de fevereiro (8 de março atual, devido à mudança de calendário), com greves maciças contra czarismo, fome e escassez de direitos civis.
A atmosfera se vinha agudizando, o tzar Nicolau II, de acordo com alguns relatos, ficou em pânico, a Duma de Estado acabou sendo dissolvida. As ruas viviam um caos armado. Neste contexto, o destino do Império dependia totalmente da lealdade do exército ao regime. Porém, a maior parte dos militares não justificou as esperanças da monarquia. Começou uma rebelião militar. Em 27 de fevereiro (atual 12 de março), os soldados de Petrogrado cercaram o Palácio Tauride onde estava sediada a Duma, supostamente já dissolvida. Em vez dela, foi formada uma nova entidade — o Comitê Provisório da Duma de Estado, que logo assumiu funções.
Uma das figuras-chave nos acontecimentos de fevereiro foi o socialista revolucionário Aleksandr Kerensky, que não só ascendeu ao poder na época, mas saudou a revolução lhe dando grande inspiração e apoio. Nos dias turbulentos da agonia dos antigos órgãos legislativos, Kerensky apelava aos deputados para que não cedessem ao tsar, chefiou o processo da substituição da guarda do Palácio pelos militares rebeldes e, finalmente, integrou a nova entidade legislativa.
De modo inesperado para as autoridades, o ardor revolucionário se via alastrando a Moscou e, provavelmente, bem poderia ter prosseguido para outras grandes cidades russas se nada tivesse sido feito. O caos revolucionário na Rússia resultou na chamada dualidade de poderes, ou seja, na governança exercida de fato por uma força (Soviete de Petrogrado), mas de jure atribuída a outra (Governo Provisório).
Em 2 de março, o tzar Nicolau II abdicou do trono, passando-o para seu irmão, Mikhail Aleksandrovich, que, por sua vez, o recusou. O czarismo caiu, a família real foi detida, privada de todos os direitos e todos os seus bens.
Herança de Fevereiro ou primeiro 'ato' da Grande Revolução Russa
O projeto de Estado que surgiu em resultado das manifestações de Fevereiro foi um dos mais democráticos, se não o mais democrático, da época. Poucos países podiam se gabar de ter um leque tão vasto de liberdades proclamadas, inclusive as das mulheres.
Mas isso acabou por não sair para além da moldura do projeto. No final, todas as principais reclamações de Fevereiro continuavam insatisfeitas — a guerra continuou, a crise econômica não dava fôlego ao país, a questão do campo permaneceu em impasse e, finalmente, a crise governamental sacudiu de novo a Rússia.
O fenômeno emergido dos movimentos de fevereiro, a dualidade de poderes, era uma espécie de bomba-relógio. Por um lado, o Soviete de Petrogrado como órgão do povo, e por outro — a força da burguesia, mais treinada para as atividades públicas, mas muito menos apoiada pelos recém-manifestantes. Deste modo, o país ficou paralisado pela "ditadura da burguesia", ou seja, pelo Governo Provisório que não era capaz de promover as reformas necessárias e cumprir as promessas dadas. Os problemas econômicos e políticos se vinham agudizando, os setores agrário e industrial estavam na miséria e a questão das terras não se resolvia. Muitos, aliás, acreditam que a Revolução de Fevereiro foi uma parte da subsequente Guerra Civil Russa.
Tudo isso serviu como pretexto para o último "ato" deste grande movimento revolucionário — transformação de uma revolução democrática e burguesa em uma socialista, que ocorreu já no mês de outubro de 1917.

Fevereiro de 1917 – 100 anos: 'A experiência soviética balizou o séc. 20'


Comemoração do aniversário da Revolução de Fevereiro de 1917

Fevereiro de 1917 100 anos: 'A experiência soviética balizou o séc. 20'

AP Photo / Alexander Zemlianichenko
Rússia
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Primeiro passo da Revolução Russa (6)
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"A Revolução Russa, assim como em outros países, teve influência direta no Brasil", diz Ângelo Segrillo, especialista em História da Rússia da USP – Universidade de São Paulo.

27 de fevereiro de 1917, uma hora da tarde em Petrogrado, ou São Petersburgo, então capital do Império Russo chefiado pelo Czar Nicolau II. Insatisfeitos com a falta de trabalho, alimentos e dinheiro, militares e operários invadem o Palácio Tauride e pedem a deposição do czar, o fim do absolutismo monárquico na Rússia e a proclamação da República, que deveria seguir uma linha esquerdista, contemplando iguais oportunidades para todos. Os manifestantes são recebidos então pelo Deputado Alexander Kerensky, que mais tarde viria a exercer funções de comando ao assumir o Ministério da Defesa.
Acuado, Nicolau II tenta fugir e renuncia em favor do irmão, Mikhail Alexandrovich Romanov, mas este declina do cargo, alegando não se sentir em condições de chefiar o Império Russo. É a oportunidade que Kerensky percebe para, aliado aos insurgentes, derrubar a monarquia e entregar o cargo de primeiro-ministro (provisório) ao Príncipe Georgy Lvov.
Estava deflagrada a primeira fase da Revolução de 1917 na Rússia, movimento que só iria se consolidar em outubro/novembro daquele ano, em sua segunda fase, liderada por Vladimir Lenin.
No centenário da Revolução de Fevereiro de 1917, entre seus vários aspectos, discute-se a influência que a Revolução Comunista teve em todo o mundo, em particular no Brasil. Especialista em Rússia e conhecedor dos temas históricos brasileiros, o Professor Ângelo Segrillo, da USP (Universidade de São Paulo), opina: "A Revolução Russa teve influência direta no Brasil."
"No Brasil houve a greve geral de 1917", lembra Segrillo. "Foi a primeira grande greve geral organizada, mais pelos anarquistas. Inicialmente, aqui no Brasil, eram os anarquistas que tinham mais força no meio operário, e em 1917 foi concomitante à Revolução Russa. Não foi a Revolução Russa que causou essa greve geral no Brasil, mas os impactos das notícias da Revolução Russa deram uma grande força para esse movimento de 1917. Em 1918 ainda houve outros movimentos que vieram da greve de 1917."
O especialista da USP acrescenta que "já em 1917, as notícias da Revolução na Rússia, tanto de fevereiro quanto de outubro, tiveram impacto concomitante, não que uma causasse a outra – todas elas estavam no bojo do mesmo movimento trazido pela desorganização da Primeira Guerra Mundial, que deu grande força para esses movimentos".
O comentário do Professor Ângelo Segrillo avança na História da Rússia e em sua influência no Brasil:
"Depois, com os bolcheviques já no poder, a influência foi bastante forte, já na década de 1920. Logo após, tivemos a formação do Partido Comunista Brasileiro, no início da década de 1920, sob influência direta da União Soviética. E continua por aí a influência no movimento brasileiro. A Revolução Russa, assim como em outros países, teve influência direta no Brasil."
Além da fundação do Partido Comunista Brasileiro, a Revolução Comunista da Rússia produziu no Brasil outras importantes influências:
"Acho que principalmente nos meios sindical e político. Em sentido mais amplo do que o meramente partidário, há essa influência ideológica. O célebre historiador inglês Eric Hobsbawm escreveu um livro cujo subtítulo é 'O Breve Século 20', porque ele considera que o século 20, na verdade, começou com a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa e terminou com a desagregação da União Soviética."
Assim, segundo o historiador britânico, nas palavras do Professor Ângelo Segrillo, "a experiência soviética balizou o século 20 porque foi o contraponto ao capitalismo. Esse embate entre o capitalismo e o socialismo soviético praticamente balizou a História do século 20, segundo Hobsbawm. E aqui no Brasil também isso foi fundamental, não apenas na política, também na cultura. Há toda uma série de escritores, artistas. Essa foi uma influência muito grande. No mundo como um todo, como Hobsbawm colocou, a experiência soviética, o socialismo em geral balizou a existência do Brasil e do mundo ao longo do século 20".

Fevereiro de 1917: Revolução Russa inspirou mudanças na América Latina


Desfile militar em Moscou em comemoração à Revolução de Fevereiro (Arquivo)

Fevereiro de 1917: Revolução Russa inspirou mudanças na América Latina

© Sputnik/
Opinião
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Apesar de ainda subestimada por alguns historiadores, a Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia endossou a Revolução Bolchevique em novembro daquele mesmo ano, que acabou com o império da dinastia Romanov. O movimento inspirou profundas mudanças na América Latina e no Brasil, com a queda da Velha República e a ascensão do Estado Novo.

Em meio à profunda convulsão econômica, social e política, oriunda, entre outros motivos, da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, a insatisfação popular foi num crescendo de protestos e greves em Petrogrado até que no dia 28 de fevereiro a cidade caiu nas mãos dos amotinados, forçando o Czar Nicolau II a abdicar. O governo provisório russo voltou a colocar o país no front contra os alemães, intensificando os protestos. Com o país mergulhado em profunda convulsão e com a volta de Lênin do exílio, estavam dadas as condições necessárias para a ascensão dos bolcheviques ao poder.
Na opinião de Rafael Villa, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), o principal legado dessa pré-revolução foi ter permitido um maior nível de consciência dos trabalhadores russos, especialmente nos grandes centros urbanos, como na capital Petrogrado, hoje São Petersburgo.
"Essa pré-revolução criava essas condições, e sem ela talvez as lideranças bolcheviques não teriam condições de ativar a Revolução Russa que se deu em fase posterior. Ela introduz em cena o bolchevismo como o grande condutor da Revolução", diz o especialista.
Villa lembra que no início do século 20 essas ideias tiveram um impacto importante tanto no Brasil quanto na América Latina e que coincidem com a chegada de operários de diferentes países como Itália, Espanha e Portugal, que vão disseminar essa ideia no Brasil e especialmente em países como a Argentina e o México.  "Foi na Argentina que se elegeu o primeiro deputado socialista no início do século 20. Depois teve impacto para o bem e para o mal, como no caso do México, que acolheu uma série de anarquistas como Leon Trotsky."
Ainda em relação ao Brasil, o professor da USP acredita que as ideias disseminadas pela Revolução de Fevereiro de 1927 e depois consolidadas com o comunismo tiveram também um importante papel no processo de decadência da Velha República e da deposição do Presidente Washington Luiz, com a ascensão ao poder de Getúlio Vargas, que traz toda a concepção do Estado Novo, que marcaria profundamente a vida política, econômica e social do Brasil nas décadas seguintes, com o advento do trabalhismo.

'Sem concorrência, no capitalismo não há necessidade de fazer concessões trabalhistas'


A trader works at the Nasdaq MarketSite in New York

'Sem concorrência, no capitalismo não necessidade de fazer concessões trabalhistas'

© AFP 2017/ JEWEL SAMAD
Brasil
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Em uma entrevista exclusiva à Sputnik, o historiador brasileiro Lincoln Secco falou sobre como a política de bem-estar social foi uma resposta do capitalismo à Revolução Russa e como austeridade se torna cada vez mais viável sem um sistema político que a ameace.

O Dia dos Trabalhadores em 2017 assume um significado especial. Nos 100 anos da Revolução Russa, que em geral mudou a geopolítica, é inevitável revisitar a trajetória dos direitos trabalhistas que foram conquistadas ao longo do século. Para o historiador brasileiro Lincoln Secco, tais conquistas estão sendo atacadas atualmente em todo o mundo, em um caminho cada vez mais aberto à austeridade.
"Em suma, o ano de 1917 mudou as características do mundo. A Revolução Russa nesse ano impulsionou o movimento comunista internacional. Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os comunistas chegaram ao poder em vários países e o capitalismo foi forçado a fazer muitos reformas. Eles tiveram que dar uma resposta aos comunistas, que eram uma ameaça. Neste contexto, o modelo de estado social emergiu, foi uma tentativa de humanizar o capitalismo e dizer 'olha como o capitalismo pode ser ainda melhor para os trabalhadores do que o próprio socialismo", diz Secco.
Doutor em História Econômica da Universidade de São Paulo (USP), Secco analisou o contexto e o impacto da Revolução Russa no mundo. De acordo com o estudioso, a evidência de que a política do 'Estado-providência' foi uma reação ao sistema implantado pelos soviéticos é que a sua implementação está em cheque  nos países europeus que a adotaram.
Na sua opinião, os cortes nos benefícios do Estado de bem-estar são cada vez mais comuns em nome da austeridade como uma solução para as crises financeiras. Além disso, Secco lembrou que as políticas de austeridade surgiram na década de 1980, precisamente quando a União Soviética começou a declinar, o que abriu espaço para os governos liberais da época.
"O estado de bem-estar está sendo atacado na Europa, bem como os direitos trabalhistas em todo o mundo. Alguns historiadores e analistas internacionais argumentam que isto é assim porque não há mais qualquer ameaça ao capitalismo, nenhum sistema político capaz de competir com os valores ocidentais. Como não há concorrência de outro sistema político, não há mais necessidade de fazer concessões aos trabalhadores ", eu disse.
Falando sobre o papel das marchas populares, Secco observa que sempre que a população vai protestar, há "políticos profissionais e partidos de ocasião para canalizar suas vozes."
"Os setores populares que se manifestam carecem de organização para governar", eu disse. O historiador exemplifica com a Revolução Francesa (1789-1799), quando a burguesia chegou ao poder após intensos protestos e conseguiram derrubar a monarquia. Na Revolução Russa de Fevereiro de 1917, que, segundo Secco, foi um marco para a Revolução de Outubro do mesmo ano, algo como aconteceu: As pessoas que tomaram a rua para a renúncia do czar ​​não foram os únicos que tomaram o poder. Na visão do acadêmico, outro exemplo são os protestos no Brasil em 2013, que acabaram canalizados pela oposição ao governo da então presidente Dilma Rousseff.
"A população têm êxito ao se auto-organizar para protestar suas demandas e chega a derrubar um governo, mas não logra instituir outro. Os partidos ou políticos profissionais que estão organizados acabam sequestrando a voz popular, tomando seu lugar, disputando sua representação" disse o historiador.

Dia do Trabalhador é marcado por protestos em todo o Brasil


Manifestação de trabalhadores em São Paulo, Brasil, por ocasião do 1º de maio

Dia do Trabalhador é marcado por protestos em todo o Brasil

 
© AFP 2017/ NELSON ALMEIDA
 

Milhares de pessoas aproveitaram as comemorações do Dia do Trabalhador em todo o país para realizar mais uma rodada de protestos contra o atual governo brasileiro, cuja popularidade vem caindo vertiginosamente, sobretudo após o anúncio das reformas do trabalho e da Previdência, consideradas por muitos um ataque a direitos básicos dos cidadãos.

https://www.facebook.com/br.sputnik/videos/811642212324947/

Dias depois da greve geral que mobilizou milhões de pessoas no Brasil, cidades como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras, voltaram a sediar atos de forte oposição à administração de Michel Temer, que, nos últimos dias, atingiu a marca de 9% de aprovação, segundo o Datafolha, e de apenas 4%, de acordo com o Instituto Ipsos.

 https://www.facebook.com/MidiaNINJA/videos/878918922266254/

Indígenas têm mãos decepadas por fazendeiros no Maranhão


Índios do Acampamento Terra Livre fazem  manifestação na Esplanada dos Ministérios

Indígenas têm mãos decepadas por fazendeiros no Maranhão

José Cruz/Agência Brasil

Pelo menos 10 índios e três pistoleiros ficaram feridos após um ataque organizado por fazendeiros na cidade maranhense de Viana no último domingo. Segundo fontes locais, a violência envolveu tiros, pauladas e golpes de facão.

Informações divulgadas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) dão conta de que dois indígenas da etnia gamela tiveram as mãos decepadas, enquanto cinco foram baleados e outros foram vítimas de cortes e agressões envolvendo pedaços de madeira. Até o momento, não há registro de mortes, mas o número de vítimas pode aumentar.

O ataque, ocorrido no povoado de Bahias, foi motivado por disputas de terras na região. De acordo com o Brasil de Fato, na última sexta-feira, 28, os índios retomaram uma área que faz parte do território tradicional reivindicado pelos gamelas mas que é utilizada por criadores de gado e búfalos. A ação de ontem foi uma resposta dos fazendeiros, e, segundo testemunhas, pode ter contado com o apoio de um deputado federal, Aluísio Guimarães Mendes Filho, do PTN.

Indígenas atacados pelos pistoleiros afirmaram que a Polícia Militar estava no local no momento do massacre mas decidiu não interferir, descrevendo o acontecimento como um confronto, e não um ataque.

Indígenas Gamela tiveram membros do corpo decepados durante ataque no MA; sobe o número de baleados e feridos



Conselho Indigenista Missionário - Cimi
há 6 horas
MASSACRE CONTRA O POVO GAMELA
Depois de uma madrugada de tensão pelo receio de novos atos de violência contra as aldeias Gamela, além da angústia sobre o estado de saúde dos feridos no ataque deste domingo, 30, contra a retomada dos indígenas no Povoado das Bahias, município de Viana (MA), informações consolidadas dão conta do massacre envolvendo até mesmo a amputação de membros do corpo de dois indígenas: cinco baleados, sendo que dois tiveram também as mãos decepadas, e chega a 13 o número de feridos a golpes de facão e pauladas. Não há, até o momento, a confirmação de mortes. Pela manhã, dois Gamela receberam alta do Hospital Socorrão 2, na capital São Luís.


Por Equipe de Comunicação - Cimi

Depois de uma madrugada de tensão pelo receio de novos atos de violência contra as aldeias Gamela, além da angústia sobre o estado de saúde dos feridos no ataque deste domingo, 30, contra a retomada dos indígenas no Povoado das Bahias, município de Viana (MA), informações consolidadas dão conta do massacre envolvendo a amputação de membros do corpo de dois indígenas: cinco baleados, sendo que dois tiveram também as mãos decepadas, e chega a 13 o número de feridos a golpes de facão e pauladas. Não há, até o momento, a confirmação de mortes.

Os dados seguem sendo parciais, os números de baleados e feridos podem aumentar, e isso se deve ao fato de que os Gamela se espalharam após a investida dos fazendeiros e seus capangas, entre 16h30 e 17 horas. Os criminosos estavam reunidos para atacar os indígenas ao menos desde o início da tarde, nas proximidades do Povoado da Bahias, numa área chamada de Santero, conforme convocação realizada pelas redes sociais e em programas de rádio locais - inclusive com falas de apoio do deputado federal Aluisio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA).

Cinco indígenas foram transferidos durante a noite de ontem e madrugada de hoje para o Hospital Socorrão 2, Cidade Operária, na capital São Luís. Todos baleados em várias partes do corpo e dois chegaram à unidade com membros decepados: um teve as mãos retiradas a golpes de facão, na altura do punho (foto ao lado); outro, além das mãos, teve os joelhos cortados nas articulações.

Na manhã desta segunda-feira, 1o de maio, Dia dos Trabalhadores, dois Gamela receberam alta: um levou um tiro de raspão na cabeça e teve apenas uma das mãos machucadas e o segundo levou um tiro no rosto e outro no ombro, mas sem prejuízos para os órgãos vitais. Os demais seguem internados: dois  em estado grave, correndo risco de morte, e sem alternativa passaram por intervenções cirúrgicas.

"Um deles levou dois tiros, uma bala está alojada na coluna e a outra na costela, teve as mãos decepadas e joelho cortados. O irmão dele levou um tiro no peito. Outro teve as mãos decepadas", relata integrante do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que esteve com os Gamela hospitalizados em São Luís. Carros de apoiadores dos Gamela, inclusive, tiveram que cuidar de algumas locomoções de feridos pela falta de ambulâncias.  

Em Viana e nos municípios do entorno, os feridos receberam atendimento médico com cortes de facão pelo corpo e lesões diversas. Relatos de áudio, ao menos de três moradores e moradoras da cidade, circulam trazendo informações de que boatos correram ainda à noite, horas após a ofensiva contra os Gamela, sobre ataques a serem realizados contra os indígenas na unidade de pronto-atendimento, fazendo com que muitos saíssem do local após os primeiros socorros.  

"Tememos novos ataques a qualquer momento. A concentração de jagunços segue estimulada e organizada no Santero, o mesmo lugar de onde saíram ontem pra fazer essa desgraça com o povo da gente. A polícia tá dizendo que não foi ataque, mas confronto. Não é verdade, fomos pegos de tocaia enquanto a gente saía da retomada. Mal podemos nos defender, olha aí o que aconteceu", diz um Gamela que não identificamos por razões de segurança.    

O Governo do Estado do Maranhão, por intermédio das secretarias de Segurança Pública e Direitos Humanos, está informado dos fatos. A Fundação Nacional do Índio (Funai) também foi notificada e a intenção é envolver o governo federal na garantia dos direitos humanos e de proteção aos Gamela - sobretudo porque a avaliação dos indígenas é de que as polícias Militar e Civil são próximas dos principais opositores da pauta do povo, que na região sobre com racismo e preconceito sendo constantemente taxados de falsos índios.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e a 6a Câmara de Coordenação e Revisão, que cuida dos assuntos ligados aos povos indígenas e quilombolas na Procuradoria-Geral da República (PGR), estão analisando formas de intervenção na situação. A Relatora da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, será comunicada nas próximas horas sobre o ataque contra os Gamela. Em Nova York (EUA), o Fórum Permanente de Assuntos Indígenas das Nações Unidas está reunido desde a semana passada e conta com uma delegação do Brasil de indígenas Munduruku, Yanomami, Baré e Kanamary, além da Repam, Cimi e Fian.

Não é o primeiro ataque sofrido pelo povo Gamela, que luta para que a Funai instale um Grupo de Trabalho para a identificação e demarcação do território tradicional. Devido a morosidade quanto a quaisquer encaminhamentos pelo órgão indigenista, os Gamela decidiram recuperar áreas tradicionais reivindicadas. Em 2015, um ataque a tiros foi realizado contra uma destas áreas. Em 26 de agosto de 2016, três homens armados e trajando coletes à prova de bala invadiram outra área e foram expulsos pelos Gamela, que mesmo sob a mira de armas de fogo os afastaram da comunidade.




 

MA

Ataque a tiros e facadas fere cerca de uma dezena de indígenas Gamela e deixa três baleados; não há confirmação de mortes Às 22h30, apurações parciais com quatro fontes distintas confirmavam três indígenas feridos por armas de fogo, sendo dois em estado grave e transferidos de Viana para a capital São Luís

Uma cerca a menos, um dia a mais: de pé, o povo Gamela luta pelo chão sagrado e pela existência Há anos um invasor aprisionou um pequizeiro e um bacurizeiro centenários, com cerca de arame farpado. Ambos guardam em seus galhos e frutos parte de nossa memória

Madeireiros invadem floresta no Maranhão e intimidam indígenas Gavião Na segunda-feira 6, um casal do povo foi atropelado e morto por um caminhão madeireiro. Leia o relato do antropólogo Maycon Melo sobre o caso

Guarda Florestal Pykopjê-Gavião identifica ramal madeireiro e povo faz denuncia às autoridades Em denúncia protocolada junto ao MPF, as lideranças do povo alegam que a depredação ambiental é realizada numa espécie de consórcio entre fazendeiros, madeireiros e donos de carvoarias

Conselho de Gestão Ka'apor se pronuncia às autoridades públicas sobre situação na TI Alto Turiaçu "No nosso acordo de convivência concordamos que temos que afirmar nossa cultura, os idosos devem passar nossa história para as crianças, não devemos nos dividir nem brigar"

LAVA-JATO - Reinaldo Azevedo DESMORALIZA o Deltan Dallagnol e a força tarefa da Lava Jato [IMPERDÍVEL SENSACIONAL]



Reinaldo Azevedo DESMORALIZA o Deltan Dallagnol e a força tarefa da Lava Jato [IMPERDÍVEL SENSACIONAL]

"CRIME E CASTIGO" - CRIME FOI A DEPOSIÇÃO DE UM GOVERNO LEGÍTIMO, "DILMA", CASTIGO FOI A PERCEPÇÃO ÓBVIA: ÉRAMOS FELIZES E NÃO SABÍAMOS, HOJE SOMOS MOLESTADOS POR UM TERRORISTA GOLPISTA "TEMER" - Democracia é a principal vítima dos que assaltaram o voto popular





Osvaldo Bertolino - O outro lado da notícia 



Democracia é a principal vítima dos que assaltaram o voto popular

Ou a trupe de Temer segue os ditames políticos da Operação Lava Jato ou cai fora

FHC e outras testemunhas demostram, mais uma vez, que Lava Jato usa fanfarronadas contra Lula

Eduardo Cunha, descarte do golpe, põe o dedo na cara dos picaretas da Lava Jato

Caos no país era absolutamente previsível com o golpe, que reabriu a ferida da injustiça social

Alexandre de Moraes, Moro e Dallagnol são típicos justiceiros surgidos com a esculhambação do golpe

Dona Marisa morre com a alma ferida, com a dor da injustiça, com a dor de todas as boas almas

Picaretagem da Operação Lava Jato se ramifica e recrudesce ofensiva contra Lula


Cinismo do Grupo Globo na prisão de Eike Batista escancara conluio mídia-Lava Jato

Descaramento da mídia em campanha por "reformas" neoliberais confirma alerta de Rui Barbosa

Leonel Brizola cantou a bola do espetáculo da Globo na prisão de Eike Batista

Delação da Odebrecht começa a ser usada como chantagem para a aprovação do programa do golpe

E ETC...