domingo, 11 de junho de 2017

Reforçar presença da OTAN junto às fronteiras russas é esquecer-se da História

Parceiros norte-americanos e estônios treinam em conjunto (foto de arquivo)

Reforçar presença da OTAN junto às fronteiras russas é esquecer-se da História

© flickr.com/ U.S. Army Europe Images
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Comentando a recente decisão da OTAN de instalar mais 4 batalhões armados nos países bálticos e na Polônia em resposta a chamada “agressão russa”, o especialista de segurança nacional alemão Karl-Heinz Kamp comparou-o às crianças que brigam declarando que o outro é que começou.

Os aliados ocidentais estão se preparando para instalar mais 4 batalhões – uma força de cerca de 4 mil homens – na Polônia e nos países bálticos como parte dos planos da OTAN para “reforçar a sua fronteira com a Rússia”.

Espera-se que os EUA concedam dois batalhões e a Alemanha e o Reino Unido um cada.
Karl-Heinz Kamp, diretor acadêmico da Agência Federal Alemã para a Política de Segurança, explicou que a Rússia começou quando “disse, por exemplo, que pode conquistar os países bálticos em três semanas”.
Embora o especialista não tenha referido que estas não foram palavras de algum responsável russo, mas sim da empresa de inteligência norte-americana RAND Corporation, que concluiu que, se os tanques e tropas russas invadissem os países bálticos amanhã, as forças da OTAN seriam derrotadas em menos de três dias e não de três semanas.
Karl-Heinz Kamp destacou que o passo é uma medida de contenção mas não é muito significativa porque a aliança não tem “nem dinheiro, nem capacidades, nem pessoas” para realizar “ações mais intensas”.

Na Alemanha a decisão já foi violentamente criticada.
A pesquisa mais recente da empresa alemã Bertelsmann Foundation mostrou que mais de metade dos cidadãos alemães (57%) pensam que o país não enviará tropas para proteger os países bálticos e a Polônia de “um ataque da Rússia”.
Cerca de 49% dos alemães estão contra a ideia de instalar bases da OTAN nos países-membros da aliança para conter a Rússia, enquanto 40% disseram que apoiarão tal passo.

Gregor Gysi, um famoso parlamentar alemão, criticou o governo do seu país dizendo que o passo dá uma mensagem errada na véspera de 75º aniversário do assalto da Alemanha Nazista contra a União Soviética em junho.
"O fato é que não foi a Rússia que invadiu a Alemanha, mas a Alemanha que invadiu a Rússia", declarou Gysi na sua página no Facebook.
Na sua opinião, enviar tropas para a fronteira russa agora significa esquecer-se da História e escalar a situação.

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