domingo, 11 de junho de 2017

Opinião: EUA dão novas oportunidades ao reforço da China na América Latina

Bandeira da China (foto de arquivo)

Opinião: EUA dão novas oportunidades ao reforço da China na América Latina

© AFP 2017/ ISAAC LAWRENCE
Economia
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O cancelamento pelo presidente do México Enrique Peña Nieto do encontro com Donald Trump no dia 31 de janeiro, por causa do escândalo com o financiamento da construção do muro na fronteira, forçou os observadores a reavaliar o papel da China neste país.

Com a governação da administração de Trump surge a tendência de formação de um vácuo, nos mercados do México e outros países da costa do Pacífico da América Latina, que a China tenciona preencher, segundo comunicou à Sputnik China o vice-diretor do Instituto da América Latina Boris Martynov.

A linha dura de protecionismo no discurso de Trump tem um impacto sério sobre os países da América Latina. Tal opinião foi expressa pelo jornal chinês Diário do Povo, que acrescentou a intenção de Trump de retirar uma parte de empresas norte-americanas do México e aumentar as taxas sobre os artigos mexicanos, para corrigir a balança comercial com este país, e lembrou que o México já tinha assinalado um acordo para produção de automóveis do grupo de empresas chinesas JAC.
O aparecimento desta publicação é um sinal significativo que sinaliza que a China não só não ignora as mudanças na América Latina, mas tenciona reagir em conformidade com essas mudanças.

Aqui importa referir a visita ao México do membro do Conselho de Estado da China Yang Zechi, responsável pela política externa da China, onde ele teve um encontro com a ministra das Relações Exteriores do México Claudia Ruiz Massieu e em que eles concordaram em aumentar a confiança mútua e em intensificar a cooperação entre os dois países.
"É possível que a China aproveite esta situação, porque a sua política na América Latina já tem há muito tempo um caráter orientado para objetivos econômicos. China está ativamente concorrendo com os EUA. Os EUA, ainda no período do isolacionismo clássico, tinham impacto no seu 'quintal' – na América Latina. Mas hoje em dia o conceito de 'quintal' já não é atual", opinou Boris Martynov numa entrevista à Sputnik China, acrescentando que a América Latina vai abrira suas portas à China de acordo com seus próprios interesses.

Assim, a demanda em massa da China por produtos de exportação tradicionais da América Latina lhe permitiu ultrapassar a crise de 2008, efetuando programas sociais importantes. O México também sofreu com a crise de 2008 por causa de sua dependência do mercado dos EUA (cerca de 80% do comércio externo são destinados para os EUA), por isso agora ele vai tirar proveito da situação para diversificar sua economia através dos laços comerciais com a China.
"A motivação dos países da região pela integração é muito elevada. Por isso, as negociações com a China serão realizadas ativamente ao nível multilateral e no âmbito de negociações bilaterais", adianta Martynov.

Presidente da China, Xi Jinping, durante um discurso na Coreia do Sul, em 2014
© Fotobank.ru/Getty Images/ SeongJoon Cho
Segundo o analista do centro de pesquisas da economia mundial da Universidade das Relações Exteriores da China Cheng Fengying, o México tem como objetivo prestar atenção aos mercados em desenvolvimento da Ásia e da América Latina. Os países têm que cooperar.
"Para a China a situação também abre possibilidades e ao mesmo tempo cria desafios. Por exemplo, a incerteza da política dos EUA dificulta a realização da política macroeconômica na China e a orientação para investimentos externos", acrescentou Cheng Fengying.
Mas para ele o momento-chave é que os diversos países têm que agir com base nos seus próprios interesses de desenvolvimento independente dos EUA.

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