sábado, 17 de junho de 2017

Novo interceptor de mísseis chinês será mesmo hipersônico?

Míssil hipersônico

Novo interceptor de mísseis chinês será mesmo hipersônico?

© Sputnik/ Ildus Gilyazutdinov
Ásia e Oceania
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A China desenvolveu um interceptor de mísseis que, segundo Pequim, somente a Rússia e os EUA possuíam antes.


A empresa de Indústria e Ciência Aeroespacial da China (China Aerospace Science and Industry Corporation, CASIC, na sigla em inglês) anunciou ter desenvolvido um interceptor de mísseis supersônico, capaz de destruir um projétil "voando 10 vezes mais rápido do que uma bala" e a uma altitude de "dezenas de quilômetros", informa o jornal China Daily.
O China Daily afirma que o novo armamento é tão complexo e difícil de produzir que apenas a Rússia e os EUA possuíam esta tecnologia antes.
No entanto, o artigo não especifica os parâmetros exatos dos projéteis que o sistema pode interceptar, algo que os especialistas estão tentando adivinhar. Alguns interpretam o artigo literalmente e calculam que a altitude de "dezena de quilômetros" pode significar de 10 a 100 km, enquanto a frase "10 vezes mais rápido do que uma bala" quer dizer pelo menos 12.000 km por hora, já que uma bala de pistola que é a mais lenta de todas, em geral tem uma velocidade de 1.200 km por hora, de acordo com o portal China.org.cn.
Tomando em conta que 1.200 km por hora é aproximadamente velocidade do som, então a velocidade alegada de 12.000 km por hora é 10 vezes superior a velocidade do som, o que supera o míssil supersônico Tsirkon, desenvolvido pela Rússia, cuja velocidade máxima é entre Mach 6 e Mach 8 (Um Mach = 1. 225,044 km/h), de acordo com várias fontes.
O protótipo do míssil norte-americano Boeing X-51 atingiu as velocidades de Mach 5 a Mach 6, enquanto seu antecessor o avião não tripulado da NASA X-43, bateu o recorde de velocidade de aviões a jato de 11. 850 km/h ou Mach 9,6 antes do projeto terminar.
Deste modo, as especificações indicadas pela China parecem bastante exageradas.

Há dois dias, tanto a China como a Rússia condenaram os EUA por terem testado seu sistema de intercepção de mísseis, que foi lançado da base aérea de Vandenberg, na Califórnia, e destruiu com sucesso um míssil balístico intercontinental.
A Rússia, bem como a China afirmaram que, com este teste, os EUA haviam começado a nova corrida armamentista, pois destruíram o equilíbrio de dissuasão nuclear no mundo.
Os EUA "abriram a Caixa de Pandora", dia o artigo, publicado no jornal chinês People's Daily. "O que fizeram os EUA levará sem dúvidas a uma nova corrida aos armamentos".
O presidente russo Vladimir Putin comentou o teste americano em entrevista aos jornalistas no âmbito do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo.
"Isso destrói o balanço estratégico no mundo", disse Putin aos jornalistas. "O que está acontecendo é um processo sério e alarmante. No Alasca, e agora na Coreia do Sul, estão aparecendo elementos do sistema de defesa antimíssil. Será que temos que ficar impassíveis a observar? Claro que não. Estamos pensando em como responder a estes desafios.
Segundo Putin, Washington usa a Coreia do Norte com desculpa para desenvolver e expandir sua infraestrutura militar na Ásia, do mesmo modo como ele usou o Irã como pretexto para desenvolver o escudo antimíssil na Europa.

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