domingo, 11 de junho de 2017

'Irã prepara seus próprios submarinos para guerra defensiva no golfo Pérsico' (VÍDEO)

Submarino iraniano da classe Ghadir (foto de arquivo)

'Irã prepara seus próprios submarinos para guerra defensiva no golfo Pérsico' (VÍDEO)

© AP Photo/ Vahid Reza Alaei
Defesa
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Teerã passou anos se preparando para uma guerra naval defensiva no golfo Pérsico, escreve o especialista em defesa, Sebastien Roblin.

Em seu artigo para a revista The National Interest, o autor aponta que, nesta possível guerra, Irã usará sua grande frota de navios de ataque rápido para lançar mísseis antinavio contra adversários a fim de bloquear a passagem através do estreito de Ormuz.
Capacidades navais
O país dispõe de 21 minisubmarinos da classe Ghadir que são de produção nacional, mas construídos em conformidade com os submersíveis norte-coreanos da case Yono. São barcos de 120 toneladas, capazes de se deslocar a uma velocidade de 11 nós (21 km/h). Além disso, cada submarino pode levar dois torpedos de 533 mm.
"Em geral, as águas costeiras pouco profundas são muito favoráveis para operações minisubmarinas, com interferências de zonas rochosas superficiais e fortes maresias que reduzem o alcance de detecção do sonar", diz Roblin.
Segundo acrescenta o especialista, essas águas também oferecem aos minisubmarinos "abundantes oportunidades para se esconder e esperar em uma emboscada".

Além dos submersíveis de pequeno tamanho, o Irã dispõe de três submarinos diesel-elétricos maiores e mais capazes de classe Kilo, comprados da Rússia na década de 90. Estes barcos, por sua vez, podem navegar confortavelmente pelas águas do oceano Índico, aprofundando-se.
Em 2013, Teerã lançou seu próprio submarino da classe Fateh. Embora este navio, de fabricação nacional, careça de algumas características modernas como mísseis antinavio ou o sistema de propulsão independente, é verdadeiramente uma "peça genuína", indica o autor.
Mas, por que Irã investe somas consideráveis na construção de seus próprios submarinos ao invés de adotar esquemas já desenvolvidos por Rússia e China?
Aspiração à autossuficiência
A razão consiste em que Teerã já se dá conta de como as parcerias internacionais em mudança podem desviar o planejamento da defesa. Assim, antes da revolução no país, seu governo recebia "grandes quantidades de armas" dos EUA.

No entanto, continua Roblin, este armamento norte-americano "foi bastante difícil de manter, depois de um pequeno incidente em 1979 na embaixada dos EUA", trata-se da crise dos reféns no Irã, durante a qual um grupo de estudantes iranianos tomou como reféns dezenas de diplomatas norte-americanos.
Depois de o Iraque invadir Irã em 1980, Teerã se encontrou em más relações tanto com os EUA, como com a União Soviética, por isso se dirigiu para a China em busca de armas. Além disso, envolveu-se em "relações clandestinas" com a administração de Reagan.
"Esta tumultuada história criou um tremendo impulso para a autossuficiência militar do Irã, mesmo que os resultados de curto prazo não sejam nada especiais com os sistemas estrangeiros de armas existentes", salienta Roblin.
"Guerreiros" submarinos
O submarino Fateh mede entre 40 e 48 metros de comprimento e, segundo informações, é capaz de levar cerca de 600 toneladas em posição paralela. Assim, compartilha características com os submarinos de defesa costeiros alemães desenvolvidos nos anos 1960 e 1970.

Além disso, Fateh dispõe de quatro tubos de torpedos para a proa, com acesso potencial entre seis e oito recargas, e um arranjo soar circular situado sob os tubos. O submarino Fateh é capaz de operar a uma profundidade de até 200 metros abaixo d'água, o que é mais do que suficiente para as águas rasas do golfo Pérsico. Acredita-se que sua velocidade máxima em posição submersa alcance de 14 a 24 nós (entre 26 e 42 km/h).
Roblin indica que, segundo a mídia local, o Fateh é capaz de estar em alto-mar durante cinco semanas e cobrir uma distância de 5.000 km, o que lhe fornece a capacidade de penetrar no mar da Arábia.
Teerã também planeja fabricar dois submarinos da classe Besat (ou Qaem), cada um de 60 metros de comprimento e equipado com seis tubos de torpedos. É provável que tenham uma capacidade de mergulho de 300 metros e uma velocidade máxima de 37 quilômetros.
No entanto, a falta de novos relatórios sobre o seu desenvolvimento sugere que o projeto foi abandonado e atrasado.
Ao mesmo tempo, o Escritório de Inteligência Naval dos EUA informou, em março, que os submarinos da classe Besat terão capacidade de lançar mísseis de cruzeiro em cinco anos.

A arma iraniana que pode entrar em serviço o mais rápido possível é o torpedo supercavitante Hoot (ou Baleia), que, segundo informado, é capaz de alcançar uma velocidade de mais de 321 km/h, ou quatro vezes mais do que um típico torpedo moderno.
O autor explica que tal façanha é alcançada através do uso do calor, do sistema de escape do foguete, o que lhe permite viajar em uma bolha de gás com resistência ao arraste mínimo.

As provas do Hoot foram realizadas em 2006, 2015 e em maio de 2017. Na opinião do analista de defesa, o torpedo foi desenvolvido levando em consideração o torpedo russo Shkval.
Roblin destaca que, embora o estado de algumas das armas iranianas ainda seja desconhecido, a sua implantação, marcará melhorias significativas no potencial naval do país.
"[…] O esforço consistente do Irã para produzir em casa submarinos maiores e mais capazes e armas utilizadas em selos, fornece mais provas de que Teerã está investindo a longo prazo para se tornar uma potência militar autossuficiente", conclui o analista.

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