sexta-feira, 30 de junho de 2017

Greve geral deixa escolas públicas sem aula

Greve geral deixa escolas públicas sem aula

Talita de Souza

A greve geral nacional desta sexta-feira (30) mudou a rotina dos estudantes brasilienses do ensino público do Distrito Federal. Além da ausência dos professores, convocados para paralisação e ato na Praça do Relógio pelo Sinpro-DF (Sindicato dos Professores do Distrito Federal), o não funcionamento do transporte público ajudou a esvaziar as escolas. O Sinpro-DF informou que cerca de 80% das escolas estão paralisadas — o número exato será divulgado no fim do dia.


O intenso movimento cotidiano do Centro de Ensino Médio Elefante Branco (CEMEB) contrastou com o deserto em que amanheceu nesta sexta (30): apenas dois alunos compareceram às aulas. Segundo o vice-diretor Fernando Damiano, esse é um recorde de ausência. “A falta dos alunos está relacionado tanto à falta da circulação de ônibus quanto à adesão dos alunos ao movimento. Nossos estudantes dependem do transporte público e toda vez que há paralisação do setor, temos um desfalque nas aulas. Mas é inegável o fato de que os secundaristas do Elefante Branco também aderem á greve geral”, diz. Os docentes também deram força ao movimento: o vice-diretor afirma que cerca de 95% dos professores paralisaram as atividades.

O Centro de Ensino Médio Setor Oeste (CEM Setor Oeste) também teve baixa frequência: cinco alunos estão na escola e tendo aula. Os professores, porém, não aderiram à paralisação, segundo informou a direção do estabelecimento.

“Estamos aqui na escola, mas com o coração nas manifestações. Estamos torcendo para que os movimentos populares realmente mobilizem o país e a nação. Quando eu estudava, a escola pública era de excelência e qualidade. Hoje, o ensino público é desdenhado. Até os filhos de professores do ensino público estão em instituições particulares”, disse o professor Fernando Damiano. “Os médicos e professores do espaço público são heróis pelas condições em que trabalham. Mas, até quando eles aguentarão o sucateamento? Precisamos lutar mesmo, a greve é uma maneira da sociedade entender que precisamos mudar.” conclui o vice-diretor do Cemeb.Com relação à reposição de aulas, os gestores das escolas divergem. Vice-diretor do Cemeb, Fernando Damiano, acredita que o dia de aula só será resposto no segundo semestre. “Como tínhamos feito um calendário de reposição da greve anterior, aprovado pelo GDF, a de hoje não estava prevista e precisa se encaixar. As aulas vão terminar em 22 de julho e os alunos terão apenas uma semana de recesso, até 28 de julho, por isso devemos repor o dia de hoje em agosto”, pontua. Já a diretora do Centro de Ensino Médio Setor Oeste (CEM Setor Oeste), Ana Maria Gusmão, diz que a reposição será feita de acordo com determinação da Secretaria de Estado Educação do DF (SEE/DF). “Geralmente, a SEE envia um documento com a ação que devemos ter; seguiremos a orientação”, conclui.

Ensino particular
O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares do DF (Sinepe/DF) deu autonomia às instituições de ensino em relação a aderir ou não o movimento. A advogada do grupo, Oneide Soterio da Silva, afirma que a recomendação é de que as escolas cumpram o calendário de aulas acordado com os pais. O Centro Educacional Leonardo da Vinci segue a recomendação e está com a programação normal. O colégio está em semana de provas e afirma que nem alunos nem professores aderiram ao movimento.

Ato dos docentes
O Sinpro-DF está reunido na Praça do Relógio em Taguatinga desde às 9h. “Além da categoria, há trabalhadores de diversas áreas que estão se posicionando contra as reformas Trabalhista e da Previdência”, afirma Cláudio Antunes, diretor de imprensa do Sindicato. O número de manifestantes no local não foi informado.


*Estágiaria sob supervisão de Ana Sá

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