sábado, 17 de junho de 2017

Especialista: sauditas e Qatar apoiam grupos rebeldes sírios que boicotam consultas de paz

Um lutador rebelde dispara uma arma antiaérea de 23 milímetros de trás de um caminhão enquanto um avião da Força Aérea da Síria voa acima durante os confrontos entre os rebeldes e as tropas pró-governamentais nos arredores da cidade do norte de Aleppo

Especialista: sauditas e Qatar apoiam grupos rebeldes sírios que boicotam consultas de paz

© AFP 2017/ DANIEL LEAL-OLIVAS
Oriente Médio e África
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Danny Makki, especialista em questões do Oriente Médio, comentou os relatos de que vários grupos da oposição síria ameaçaram boicotar as próximas negociações de uma solução política em Astana, no Cazaquistão, devido a violações do cessar-fogo.


Em entrevista à Sputnik Internacional, Makki revelou que aqueles rebeldes estão sendo apoiados pelo Qatar e Arábia Saudita que tinham sido afastados do acordo entre a Rússia e a Turquia.
O anúncio destes grupos da oposição foi transmitido pela mídia ocidental na terça-feira (03). Dez grupos rebeldes anunciaram que suspendem as discussões sobre a conferência de Astana ou em relação ao cessar-fogo "até que este seja completamente observado".
Estes grupos se referem a "violações graves e frequentes" nas áreas de Wadi Barada e Ghouta oriental, ocupadas por rebeldes perto da capital síria Damasco.
Makki destacou que "o anúncio dos grupos da oposição síria contradiz a resolução da ONU que foi votada por unanimidade por todos os países ainda no sábado".
Fragmento de vídeo cedido pela agência Step News Agency, de fonte da oposição síria, mostrando fumaça após alegado bombardeio da área de Wadi Barada pelo exército sírio, a noroeste de Damasco.
© AP Photo/ Step News Agency
Fragmento de vídeo cedido pela agência Step News Agency, de fonte da oposição síria, mostrando fumaça após alegado bombardeio da área de Wadi Barada pelo exército sírio, a noroeste de Damasco.
Segundo ele, a área de Wadi Barada não fazia parte do acordo de cessar-fogo. Por isso as alegações dos grupos rebeldes sobre violação do cessar-fogo são incorretas.
O especialista acrescenta que a maioria dos grupos rebeldes que fizeram tal anúncio estão do lado dos jihadistas.
Makki opina que Qatar e Arábia Saudita estão tentando se vingar pressionando estes grupos rebeldes a abandonarem esse acordo.
Segundo o especialista, o acordo inicial foi assinado por 8 grandes grupos que representam mais de 20-30 grupos menores. No total, há centenas de grupos de rebeldes na Síria, dos quais dois terços, representando cerca de 60 mil rebeldes, assinaram esse acordo.

Ao mesmo tempo, Makki chama atenção ao fato de que nenhum grupo apoiado pelos turcos abandonou o acordo.
A maioria dos grupos em redor de Damasco que rejeitaram o cessar-fogo são aqueles que se consideram ameaçados pela ofensiva do exército sírio perto da área de Wadi Barada. Mas Wadi Barada nunca foi parte do plano de cessar-fogo, explica o especialista. Na opinião dele, se trata de uma tentativa de prejudicar o acordo russo-turco.
Ao mesmo tempo Makki destaca que esses grupos rebeldes que pretendem boicotar as negociações de uma solução política em Astana não representam uma ameaça significativa ao plano de cessar-fogo, porque esse plano é apoiado pela Turquia.
"Muitos grupos e movimentos que aderiram ao acordo estão combatendo ao lado dos turcos perto da cidade de Al-Bab contra o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia)", assinala o especialista.
Finalmente, Makki destaca o papel da presença russa na região que mudou consideravelmente a dinâmica interna da crise síria.
Em 31 de dezembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma resolução de apoio ao cessar-fogo na Síria. O exército sírio e os grupos armados concordaram em respeitar o regime de cessar-fogo em todo o território da Síria a partir da meia-noite de 30 de dezembro.

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