sábado, 17 de junho de 2017

Democracia e direitos estão ameaçados pelo medo e pelas 'notícias falsas', diz Snowden

Edward Snowden

Democracia e direitos estão ameaçados pelo medo e pelas 'notícias falsas', diz Snowden

© REUTERS/ Glenn Greenwald/Laura Poitras/Courtesy of the Guardian/Handout via Reuters
Europa
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O ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), Edward Snowden, disse nesta terça-feira que a democracia em todo o mundo está ameaçada por políticos como o presidente norte-americano Donald Trump e a sua retórica contra “notícias falsas”.

“O custo da autocracia é a ilegitimidade e, embora nenhum de nós tenha desejado isso, está cada vez mais próximo”, avaliou Snowden, em declarações reproduzidas pela Agência Reuters, durante participação na Conferência de Estoril, em Portugal, que debate temas ligados aos direitos humanos e à migração.
O ex-funcionário da NSA participou via vídeo diretamente de Moscou, onde está vivendo sob asilo desde 2013, após ter revelado detalhes secretos dos programas de vigilância e segurança do governo dos EUA. Visto por herói por ativistas, ele é acusado de espionagem no seu país.
Snowden declarou ainda que o mundo está em uma “encruzilhada da história”, alertando que a direção que parece tomar é “pavimentada com medo, nela reside o mundo das paredes, literal e figurativo”.

Ele ainda criticou ainda a postura de políticos como Trump, que denunciam “o jornalismo inconveniente como notícias falsas”, levando a uma “perseguição daqueles que expõem os fatos”. Se não for combatido, tal cenário pode fomentar mais governos ilegítimos pelo mundo.
“Um governo disposto a negociar a consciência pública para o conforto político pode até governar, mas eles não lideram”, completou Snowden, que ainda ponderou que o momento de ataques a direitos tem relação direta com o medo enfrentado pela sociedade.
“Os direitos são perdidos por leis covardes que são passadas em momentos de pânico, os direitos são perdidos para a complicada cumplicidade de líderes que temem a perda de seu cargo mais do que a perda de nossa liberdade”, concluiu.

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