quinta-feira, 8 de junho de 2017

Crescimento da China e declínio dos EUA 'estão mais rápidos do que haviam previsto'



O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda) e o líder chinês, Xi Jinping

Crescimento da China e declínio dos EUA 'estão mais rápidos do que haviam previsto'

© AP Photo/ Files
Opinião
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A China está melhorando as relações com seus vizinhos na região Ásia-Pacífico, enquanto os EUA estão se retirando da Ásia, mas o papel de Pequim como principal potência na região será muito diferente da liderança de Washington, disse especialista britânico, Martin Jacques, à Sputnik Internacional.

No domingo, o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, ressaltou na conferência internacional de segurança, Shangri-La Dialogue, entre ministros e comandantes da Ásia-Pacífico, que os países da região não podem continuar contando com defesa de grandes potências.
"Temos que assumir a responsabilidade por nossa segurança e prosperidade, reconhecendo, ao mesmo tempo, que somos mais fortes quando partilhamos o fardo da liderança comum com parceiros confidentes e amigos", disse.
Alguns aliados dos EUA expressaram preocupações, durante a conferência, quanto à diminuição do envolvimento da administração de Donald Trump nos assuntos da região, tornando-a mais aberta ao domínio da China.O jornalista britânico, Martin Jacques, pesquisador e autor do bestseller internacional When China Rules the World: The End of the Western World and the Birth of a New Global Order (Quando a China domina o mundo: o fim do mundo ocidental e o nascimento da nova ordem global), disse à Sputnik Internacional que com a retirada de Trump da Parceria Transpacífico e a exigência que países como Japão e a Coreia do Sul deem mais atenção à sua própria defesa, surgiram mais preocupações.
"Até hoje, a diferença mais notável se trata da saída dos EUA da Parceria Transpacífico, que sem dúvidas foi uma criação da administração de Obama, sendo este o sinal mais claro por enquanto", disse Jacques.
Os Estados Unidos nunca disfrutaram de uma forte presença no Sudeste Asiático, onde seu único aliado, as Filipinas, anunciou há pouco sua intenção de se aproximar da China e se distanciar de Washington.As mudanças na situação geopolítica na Ásia, com a China aumentando sua influência e os EUA perdendo, é uma consequência das mudanças econômicas de longo prazo, explicou o especialista.
"Este é um processo mais longo do que [o mandato] de Trump, sendo muitas vezes mal interpretado no Ocidente. O que estamos vendo há muito tempo, com a expansão da China, é que ficam cada vez mais estreitas as relações econômicas entre a China e quase todos os países na Ásia Oriental, e cada vez mais fracas entre os últimos e os EUA", acrescentou.
"Desde as ações do [presidente Rodrigo] Duterte nas Filipinas, percebemos um desvio na região rumo à China. Acho que a política norte-americana no Sudeste Asiático, lançada por Obama, fracassou e que a parceria entre a China e os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático [ASEAN, sigla em inglês], está crescendo", opinou o jornalista.
Nas Filipinas, o presidente Rodrigo Duterte anunciou a "a separação" dos EUA e expressou seu desejo de estabelecer cooperação com China e Rússia. Singapura e Tailândia, que não possuem aliança militar com os EUA, mas historicamente se inclinavam mais a Washington, também estão construindo laços econômicos com a China."A Tailândia era uma espécie de aliado formal [dos EUA], mas agora tem relações mais próximas com a China do que tinha com Washington, então estes países estão gravitando, principalmente por razões econômicas, mas não só, rumo à China", sublinhou.
É muito provável que estas relações sejam diferentes das relações entre EUA e seus aliados na Ásia. Enquanto Washington busca aliados na área militar, a China está mais focada nos laços econômicos, disse Jacques.
O Sudeste Asiático é uma região muito importante para a China, que vem constantemente melhorando suas relações com os países da região.
No entanto, as relações com o Japão, com a Coreia do Sul e com Taiwan no Nordeste da Ásia são "muito mais problemáticas", mesmo a China desejando criar os melhores laços possíveis.
"Taiwan continua sendo parte da China, o Japão é muito hostil à China, sendo um Estado vassalo dos EUA, então não tem sua própria política externa ou de defesa, enquanto a Coreia continua dividida como era na época da Guerra Fria. Por essas razões, esta região é um grande problema para a China, como se pode ver claramente pelo exemplo da península Coreana e do que irá acontecer com suas partes.""A longo prazo, acho que a China se tornará uma potência global. Seu crescimento econômico permanece extraordinário, sendo mais rápido do que se pensava, com o declínio dos EUA acontecendo mais rápido do que muitos haviam previsto", concluiu.
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