sábado, 17 de junho de 2017

Como se desenvolveram em 2016 os principais conflitos no Oriente Médio e Ásia?

Agentes das forças pró-governamentais sírias na cidade de Aleppo, Síria, 21 de dezembro de 2016

Como se desenvolveram em 2016 os principais conflitos no Oriente Médio e Ásia?

© AFP 2017/ GEORGE OURFALIAN
Oriente Médio e África
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Um pouco mais de um ano atrás, a Sputnik escreveu sobre os voluntários que se juntavam ao exército sírio para libertar o seu país, a maior parte do qual estava sob o controle dos terroristas. Agora a situação é outra e até parece que a guerra síria pode acabar em breve.

A Sputnik apresenta os principais desenvolvimentos de 2016 na Síria e em outros países do Oriente Médio e Ásia, mergulhados em grandes conflitos.
Síria

Pin com retrato dos presidentes da Síria, Bashar Assad, e da Rússia, Vladimir Putin
© Sputnik/ Ramil Sitdikov
As forças sírias começaram este ano avançando em todas as direções. Os principais combates se desenvolviam em Aleppo e perto de Palmira, a pérola do deserto sírio, tomada pelos terroristas ainda em 2014. O Daesh era o maior ameaça ao mundo, poderoso e invulnerável, com grandes reservas de petróleo roubado.
O primeiro grande êxito de 2016 na Síria foi o cessar-fogo anunciado a 27 de fevereiro. Este não abrangia grupos radicais como Daesh e Frente al-Nusra.
Em 15 de março a Rússia começou a retirada da maior parte do seu contingente na Síria, explicando que a aviação russa já havia contribuído para o avanço do exército sírio contra os terroristas.
A batalha por Palmira foi considerada um dos momentos cruciais da guerra na Síria, porque devia abrir o caminho para a libertação do maior baluarte do Daesh na Síria – Raqqa. O exército sírio anunciou a libertação oficial de Palmira em 27 de março. A desminagem da cidade pelos sapadores russos terminou em 20 de maio. Entretanto, mais tarde, em 11 de dezembro tornou-se público que, depois de se reagruparem, os militantes do Daesh conseguiram mais uma vez entrar na cidade e capturar alguns bairros e a parte histórica da cidade. As tropas sírias continuam atualmente os combates na tentativa de retomar Palmira de novo.

Ontem, 29 de dezembro, o governo e oposição síria concluíram um acordo de cessar-fogo mostrando-se dispostos a iniciar negociações de paz. Isso não seria possível sem a melhoria das relações entre a Turquia e Rússia no terceiro trimestre do ano em curso e dos contatos com o Irã.
A situação em Aleppo, capturada pelos terroristas em 2012, agravou-se no fim no ano em curso. Entretanto, graças a uma ofensiva intensa das tropas governamentais sírias e ao apoio da Força Aeroespacial russa, depois de três meses de combates violentos, uso de armas químicas e da oposição dos países ocidentais, a cidade foi libertada. Em 16 de dezembro, o Centro para a Reconciliação na Síria russo informou sobre o fim da operação de libertação de Aleppo e do começo da retirada de Aleppo Oriental dos militantes e suas famílias, bem como da evacuação dos civis. Segundo os últimos dados, da cidade já foram evacuadas mais de 37 mil pessoas.
Iraque
O Iraque iniciou o ano de 2016 dominado pelo terrorismo. Execuções públicas de civis pelo Daesh e ataques químicos nas ruas de cidades iraquianas era uma coisa habitual. Mais de 90 mil quilômetros quadrados do território iraquiano estava sob o controle do Daesh.
Em fevereiro, o primeiro-ministro do Iraque, Haider Al-Abadi, declarou que o exército iraquiano iria fazer os possíveis para que 2016 fosse o último ano do Daesh no país.

Os sírios andam pelas ruas com prédios desmoronados, ao fugirem aos confrontos entre as forças do governo e os rebeldes, no Leste de Aleppo
© REUTERS/ Abdalrhman Ismail
É evidente que a luta contra o terrorismo no Iraque ainda está longe do fim, mas as tropas governamentais e milícias curdas conseguiram avançar significativamente durante o ano.
No fim de junho foi libertada a cidade de Fallujah, que fica a 53 km a oeste de Bagdá. Ela era controlada pelo Daesh desde 2014. A ofensiva das tropas iraquianas durou mais de um mês.
A principal operação realizada no Iraque neste ano é a libertação da cidade de Mossul, tomada pelo Daesh em 2014. A ofensiva foi iniciada em 16 de outubro. O maior obstáculo à libertação da cidade é o fato de que o Daesh usa os residentes de Mossul como escudo humano. Já passaram mais de dois meses desde o início da operação e as forças iraquianas já controlam a maior parte da cidade. Em recente entrevista à Sputnik, o ministro das Relações Exteriores iraquiano, Ibrahim Al-Jaafari, disse que o Iraque não tem pressa de libertar Mossul porque o seu objetivo não é somente expulsar os terroristas da cidade, mas salvar as vidas dos civis, que podem sofrer durante a intensa ofensiva. O primeiro-ministro iraquiano prometeu que o Iraque derrotará o Daesh nos próximos três meses.
Iêmen

O Iêmen já por dois anos está dominado pelo conflito entre rebeldes-houthis do movimento xiita Ansar Allah e parte do exército leal ao ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, de um lado, e  as forças governamentais e milícia leal ao presidente iemenita Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, de outro. O governo recebe apoio aéreo da coalizão liderada pela Arábia Saudita. Em resposta a isso, os houthis têm intensificado os combates nas várias regiões do reino.
O ano de 2016 começou para o Iêmen com o fim do cessar-fogo. Em fevereiro, a ONU disse que no país existe uma situação de catástrofe humanitária, que se agravou pelo fato de as partes beligerantes criarem obstáculos ao fornecimento de ajuda humanitária para a população civil do país. Ao mesmo tempo, foram prolongadas as sanções internacionais contra os líderes de partes que se enfrentam no país, inclusive o embargo de armas. Em março, a mídia informou sobre o começo das negociações secretas entre houthis e representantes sauditas. Um novo cessar-fogo foi acordado a 11 de abril. Entretanto, as tréguas no Iêmen não duram muito porque as partes as violam e recomeçam-se as hostilidades.

A ONU declarou repetidamente que as forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita são responsáveis pela maioria dos casos de morte de civis em resultado de ataques aéreos. Em junho, as partes beligerantes realizaram a maior troca de prisioneiros. Em outubro, um ataque aéreo contra um edifício em Sanaa, onde se realizava uma cerimônia fúnebre, teve grande ressonância internacional. Em resultado do ataque foram mortas mais de 200 pessoas, cerca de 500 ficaram feridas.
Mais uma tentativa de cessar-fogo foi anunciada em novembro, mas fracassou três dias depois.
No fim de dezembro, as autoridades iemenitas concordaram com o plano de paz proposto pela ONU. Segundo este plano, os houthis devem abandonar as posições tomadas e deixar as armas, após o que o processo político pode iniciar-se.
Afeganistão
O ano de 2016, como sempre, foi marcado no Afeganistão por uma série de atentados organizados pelo grupo radical Talibã. O grupo terrorista Daesh espalhou-se para os países da Ásia Central, embora a sua influência não tivesse atingido um nível que criasse uma ameaça real.

As forças de segurança do Afeganistão começaram uma luta independente contra os talibãs e militantes do Daesh. Os confrontos continuaram por todo o ano.
Entretanto, as autoridades afegãs fizeram tentativas de regularizar o conflito por meio de negociações. Em abril tornou-se público que se iniciaram negociações entre talibãs e autoridades afegãs, mas que ainda não levaram a quaisquer resultados.
Ao mesmo tempo, foi morto o líder do Talibã Akhtar Mansour, o seu lugar passou a ser ocupado por Mullah Haibatullah Akhunzada.
Em julho, um grande atentado sacudiu a capital afegã. O ato terrorista atingiu uma manifestação pacífica contra um projeto de linhas elétricas. Morreram mais de 80 pessoas. O Daesh assumiu a responsabilidade.
O grupo terrorista também conseguiu lançar uma grande ofensiva contra a parte central do Afeganistão em outubro. A situação até hoje permanece tensa. No início de dezembro, o presidente norte-americano Barack Obama até afirmou que os EUA não são capazes de liquidar o Talibã.

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