domingo, 14 de maio de 2017

'Recusa de novo reset nas relações com Rússia é um risco para segurança dos EUA'


O simbólico botão de reset apresentado ao Ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov pela ex-secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton.

'Recusa de novo reset nas relações com Rússia é um risco para segurança dos EUA'

© AFP 2017/ ALEXANDER NEMENOV
Mundo
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Ex-conselheiro da campanha eleitoral de Donald Trump, Carter Page, afirmou que quaisquer tentativas atualmente empreendidas por membros do Congresso com o fim de destruir potenciais novas abordagens nas relações com a Rússia podem pôr em risco a segurança nacional dos EUA e a vida de inúmeros militares.

John McCain, em 15 de maio de 2014, durante audiência do Comitê de Segurança Nacional do Senado
© Fotobank.ru/Getty Images/ Win McNamee
O fato de vários congressistas norte-americanos tentarem evitar um "reset" nas relações entre a nova administração dos EUA e a Rússia, inclusive o apelo para organizar um painel especial para investigar a alegada intervenção russa nas presidenciais norte-americanas, pode criar ameaças à segurança nacional, destacou o ex-conselheiro de Trump, Carter Page, em sua carta ao senador John McCain analisada pela Sputnik Internacional. A carta ao conhecido "falcão" republicano, que tem muitas vezes criticado a plataforma de Trump e que ocupa o cargo de presidente do Comitê das Forças Armadas no Senado, foi enviada na noite de terça-feira (27).
"Os cidadãos norte-americanos estão em grande medida cansados de políticas intervencionistas fracassadas. <…> O número de 'proxy wars' ['guerras por procuração', ou seja, guerras conduzidas por terceiros] envolvendo Washington e Moscou por todo o mundo continua pondo inúmeras vidas em risco", escreveu Page.
Em 18 de dezembro, o líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, recebeu uma carta de vários congressistas norte-americanos, incluindo McCain, na qual se exigia criar um painel especial para realizar um inquérito em relação ao alegado papel russo nos ataques de hackers aos e-mails do Partido Democrata durante a campanha presidencial em novembro de 2016.
Barack Obama e Donald Trump conversam com a imprensa durante reunião na Casa Branca, em Washington, 10 de novembro de 2016
© AP Photo/ Pablo Martinez Monsivais
Enquanto a decisão sobre um painel bipartidário representado em diversas comissões não é tomada, o Comitê das Relações Exteriores do Senado, encabeçado pelo republicano Bob Corker, vai realizar um briefing secreto e uma audiência pública sobre a alegada interferência russa nas eleições em janeiro do próximo ano. "Independentemente das provas que o Congresso e o executivo possam encontrar durante as investigações sobre a Rússia que estão em andamento, é pouco provável que seja encontrado algo tão grosseiro como a frase extremamente não diplomática e hostil de Hillary Clinton: 'Nós chegamos, nós vimos, ele morreu' [a frase que ela, segundo a mídia norte-americana, teria pronunciado em outubro de 2011 em relação ao assassinato do líder líbio, Muammar Kadhafi]. O presidente Obama teve toda a razão ao se referir a essa intervenção falhada como o seu erro mais crasso", adiantou Carter Page.
A carta do ex-conselheiro de Trump foi divulgada no momento em que os EUA estão prestes a anunciar novas medidas contra a Rússia por sua suposta intervenção nas eleições.
A Casa Branca está procurando caminhos para rever a ordem executiva de 2015 para poder permitir tais ações, enquanto o anúncio público da retaliação de Washington pode chegar já no início desta semana, comunicou o Washington Post citando responsáveis oficiais anônimos norte-americanos. A eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos abriu novas perspectivas para as relações russo-americanas, já que ao longo da sua campanha ele tem por várias vezes elogiado o líder russo e afirmado que Washington e Moscou precisam estreitar os laços em uma série de assuntos, primeiramente no que trata do combate ao terrorismo na Síria.
McCain, por sua vez, está viajando nestes dias pelos países do Báltico juntamente com vários outros senadores para falar com as autoridades sobre o compromisso da OTAN na área da segurança dos aliados e sobre a suposta ameaça russa.

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