quinta-feira, 25 de maio de 2017

Manifestante: convocação do Exército foi ato covarde de presidente ilegítimo

Representantes de centrais sindicais, movimentos sociais e público em geral protestando contra o governo em Brasília

Manifestante: convocação do Exército foi ato covarde de presidente ilegítimo

© Foto: UGT
Opinião
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Um manifestante que esteve em Brasília na última quarta-feira, 24, participando dos protestos contra o governo federal criticou duramente as reformas que vêm sendo conduzidas pela atual administração e acusou o presidente Michel Temer de cometer um ato de covardia ao colocar as Forças Armadas nas ruas contra os opositores.

O decreto, assinado ontem pelo chefe de Estado, que autorizava o emprego das tropas, foi revogado na manhã desta quinta-feira. O anúncio foi feito mais cedo pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann.  "Na minha opinião, a convocação do Exército foi mais um ato de covardia de Temer. Ele não tem base popular alguma, não tem legitimidade alguma para continuar no cargo. E é por isso que essas manifestações ocorrem", disse o manifestante em entrevista à Sputnik, pedindo para não ser identificado. "Além de ilegítimo, ele não faz uma discussão ampla com a sociedade sobre as reformas [trabalhista e da Previdência], se limitando a empurrar tudo na nossa conta", acrescentou.
De acordo com o entrevistado, essas polêmicas reformas devem trazer ainda mais pobreza para a população brasileira, assim como ocorreu na Espanha, de onde teria vindo a inspiração do Palácio do Planalto. Ele defende que, embora realmente tenha sido registrada uma queda na taxa de desemprego no país europeu, isso não foi benéfico para a população.
"Os empregos eram todos precarizados. As pessoas tiveram perda considerável do poder aquisitivo. E repetir isso aqui seria uma tragédia. Um país que já é tão desigual como o Brasil vai ficar mais desigual ainda", concluiu. 
Outra fonte que também participou do ato de ontem e também preferiu manter o anonimato revelou ter presenciado momentos de grande tensão na capital federal. Segundo essa testemunha, no início da confusão entre policiais e manifestantes, as centrais sindicais ainda tentaram manter os seus integrantes posicionados de maneira mais ou menos organizada, mas isso não foi possível por conta das bombas de gás atiradas e do spray de pimenta.
Manifestantes protestam contra as reformas da Previdência, trabalhista, e por eleições diretas em Brasília
© Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
"Banheiros químicos foram tombados e incendiados durante a resistência. Após a evasão, as fachadas dos prédios de pelo menos três ministérios foram alvo da revolta dos manifestantes, que atiraram pedras nas vidraças e investiram com chutes e com o que mais tivessem à mão em portas, placas e pontos de ônibus. Testemunhamos manifestantes feridos (um perdeu uma das mãos), desacordados e uma criança chorando de pavor agarrada com a mãe no gramado da Esplanada (a mãe não conseguia se recompor e foi ao chão após inalar o gás atirado pela PM", narrou o ativista, revelando ter se deslocado até o Distrito Federal junto com um comboio proveniente de outro estado. "Deixamos o epicentro do conflito quando soubemos que havia sido utilizada arma de fogo, porém sem saber sua origem".
Ainda de acordo com ele, a notícia, ontem, sobre o acionamento das Forças Armadas fortaleceu o sentimento dos manifestantes de que tanto o presidente da República quanto os demais políticos que apoiam as polêmicas reformas foram significativamente impactados por essa manifestação.

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