domingo, 14 de maio de 2017

Independência de Curdistão: como será o Iraque depois do Daesh?


Combatentes de Peshmerga, forças  do Curdistão iraquiano após o combate de dois dias a 15 quilômetros da cidade de Mossul, Iraque

Independência de Curdistão: como será o Iraque depois do Daesh?

© AFP 2017/ JOSEPH BARRAK / AFP
Oriente Médio e África
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No centro de imprensa da agência Rossiya Segodnya no dia 12 de maio foi realizada uma mesa redonda dedicada ao possível referendo sobre a independência do Curdistão iraquiano.

O referendo pode ser realizado em outubro ou novembro de 2017. Representantes de partidos curdos e especialistas discutiram as perspectivas da criação de um novo Estado independente na região. O colunista da agência Sputnik, Igor Gashkov, partilha suas reflexões sobre o tema: Procurando pelo Ladrão de Bagdá
O novo Estado já tem mesmo governo e líder, é o presidente Massoud Barzani que governa a autonomia curda no Iraque desde 2005. Os aliados de Barzani queriam realizar um referendo sobre a independência ainda em 2014, mas esta questão foi sendo adiada por causa do avanço do Daesh (o grupo terrorista proibido na Rússia e muitos outros países). Agora, à medida que o grupo terrorista está perdendo suas posições, aparecem os contornos do novo Iraque – do país que tem dificuldades em unir as comunidades que nele vivem. Os curdos acreditam que Bagdá os discrimina sistematicamente e só veem solução na independência.
O representante do Partido Democrático do Curdistão iraquiano na Federação da Rússia, Hoshavi Babakr, disse à Sputnik que as autoridades iraquianas pressionam a região através de instrumentos financeiros, limitando as dotações do orçamento. 
Babakr diz que, durante a guerra contra os militantes do Daesh, as autoridades iraquianas deixaram o povo curdo sem apoio. Em 2014 havia a possibilidade de terroristas conquistarem mesmo a capital da autonomia curda — Arbil. De acordo com fontes curdas, nem naquela altura nem agora, o Iraque não deu qualquer assistência (incluindo financeira) para as forças armadas do Curdistão iraquiano, os Peshmerga. A independência inoportuna 
As autoridades iraquianas, por sua vez, consideram as ações dos separatistas curdos como traiçoeiras. Bagdá afirma que a vitória sobre o Daesh ainda não foi alcançada, e que a realização de um referendo sobre a independência do país em tal situação é inaceitável. Os curdos iraquianos são acusados de ligações com Israel e de tentar criar uma "cabeça-de-ponte pró-israelense".
Bagdá sublinha que, combatendo contra o Daesh, as forças Peshmerga assumiram o controle sobre os territórios além dos limites anteriormente estabelecidos do Curdistão iraquiano. Os curdos consideram todas estas terras como suas e pretendem realizar o referendo em questão em todos estes territórios. As autoridades iraquianas dizem que não reconhecerão a autodeterminação dos territórios tomados pelas forças Peshmerga. O argumento de Bagdá é que nestas províncias vivem não só curdos, mas também árabes e turcomanos.

A Turquia e a questão curda Agora a atitude de Ancara em relação às duas regiões curdas — a síria e a iraquiana — é fundamentalmente diferente. O Curdistão iraquiano semi-independente é um dos parceiros económicos da Turquia, que compra ativamente hidrocarbonetos no seu território. O presidente da autonomia, Massoud Barzani, tem o sério apoio da Turquia. Durante sua última visita a Istambul, à chegada foi hasteada a bandeira do seu Estado que ainda não é oficialmente reconhecido, mesmo não correspondendo ao protocolo diplomático.
Mas a atitude das autoridades turcas para com os curdos sírios é bastante diferente. No dia 10 de maio, o presidente turco Erdogan confirmou que considera grupo Unidades de Proteção Popular (YPG), que controlam o território na fronteira turco-síria, como "terroristas". Ancara está preocupada com o fato de que os EUA fornecem armas aos rebeldes curdos. "Nossa paciência está se esgotando", declara Erdogan.
A Turquia considera oficialmente o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que atua no território turco, como uma organização terrorista. O ex-líder da PKK, Abdullah Ocalan, foi condenado a prisão perpétua na Turquia.

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