quinta-feira, 25 de maio de 2017

Amanhã será outro dia: Brasília em chamas e as manifestações prometem continuar


Manifestação tem tumulto na Esplanada dos Ministérios

Amanhã será outro dia: Brasília em chamas e as manifestações prometem continuar

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Brasil
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A manifestação em Brasília contra o governo de Michel Temer foi palco de um cenário de guerra nesta quarta-feira (24) com ininterruptas bombas de gás contra manifestantes e depredações de vidraças e prédios públicos. Dois prédios da esplanada dos Ministérios ficaram em chamas.

Manifestantes, centrais sindicais e diversos movimentos sociais protestam nesta quarta-feira (24) contra as reformas trabalhista e da Previdência do governo de Michel Temer, além de pedir a saída do presidente e a realização de eleições diretas.  Segundo as fontes da Sputnik Brasil, a violência em Brasília teve início quando os manifestantes se aproximaram do cordão de isolamento perto do Congresso Nacional. Segundo os interlocutores da agência, os manifestantes haviam acordado com as autoridades que o ato ocorreria no gramado da esplanada dos Ministérios. No entanto, o acordo não foi respeitado pela polícia, que iniciou a dispersão de forma truculenta.
Durante o confronto, vidraças foram quebradas e os prédios do ministério da Agricultura e do ministério da Integração Nacional foram incendiados.
Por volta das 16h o Corpo de Bombeiros informou que o fogo foi controlado e os manifestantes começaram a dispersar. A confrontação, no entanto, continuou durante a tarde.
Segundo a Secretaria de Segurança do DF, cerca de 35 mil pessoas ocupam a esplanada dos Ministérios nas manifestações de hoje. Já segundo os organizadores, o ato reuniu 200 mil pessoas.
"Hoje desde cedo foi um dia atípico para Brasília. Desde cedo a gente viu o trânsito da cidade bem caótico, por conta da organização para a manifestação. E a medida que o dia foi passando, a situação foi ficando cada vez mais complicada", contou à Sputnik uma testemunha que ficou relutante em revelar o seu sobrenome, em função das tensões políticas, e se identificou somente pelo nome, Bruno.
"À tarde a situação começou a ficar um pouco mais grave. A gente sentia uma pressão nas ruas. Todo mundo estava muito nervoso. A esplanada e os ministérios foram liberados. O ponto dos servidores foi liberado, então a gente observou uma movimentação atípica de saída dos servidores na hora do almoço. O governo se preparou dessa forma. Tirando os servidores de lá", explicou o interlocutor da agência. Bruno contou que a cidade ficou cheia, pois muitos manifestantes vieram de outras partes do país.
"Eu vi também uma quantidade enorme de ônibus. Porque parte dos manifestantes veio de ônibus, de diferentes partes do país. E realmente a quantidade desses ônibus de viagem estava grande. No final da tarde, alguns ônibus já estavam se movimentando para ir embora", revelou.
O fim dos confrontos com a polícia, no entanto, ainda parece estar longe. O movimento, que se autodenomina "Ocupa Brasília", montou um acampamento e pretende realizar manifestações diariamente.
"Parte das pessoas já foram embora, mas existe agora um acampamento aqui. Muitas pessoas vão ficar aqui em Brasília, acampadas. Inclusive o Governador já separou uma área, onde essas pessoas podem ficar com o mínimo de conforto, com acesso ao banheiro, água. E elas vão ficar em Brasília para continuar as manifestações. As manifestações ainda não acabaram", concluiu.
Enquanto isso, aumentam as preocupações sobre como o governo vem reagindo aos protestos populares. Em meio ao caos na capital, o presidente determinou que as Forças Armadas passassem a fazer o policiamento de prédios públicos até o dia 31 de maio. Temer afirmou que recorrerá à medida sempre que julgar ser necessário. Segundo a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto: “O Presidente da República ressalta que não hesitará em exercer a autoridade que o cargo lhe confere sempre que for necessário”. Segundo o comunicado, o ato será revogado assim que a "ordem for restabelecida". Enquanto partes da imprensa local atribuem a reação ao desespero de Temer, alguns setores da sociedade começam a alertar para o aspecto antidemocrático da medida, chegando a comparar as ações do governo com as do governo militar de 1964.
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