segunda-feira, 2 de junho de 2014

EURO ELEIÇÕES - REVELA-SE A SÍNDROME DO DESCONTENTAMENTO POPULAR - UM VERDADEIRO ABALO POLÍTICO


Eleições ao Parlamento Europeu são sindrome do descontentamento popular

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A Europa, ao fazer balanço das eleições para o Parlamento Europeu em 22–25 de maio, ficou chocada. Na Grã-Bretanha e na França, os políticos e analistas, foram quase unânimes na opinião de que o escrutínio era um “abalo político”.

Os partidos radicais de direita e os de ânimos anti-imigrantes e “eurocéticos”, ultrapassaram na Grã-Bretanha os conservadores e trabalhistas e na França levaram melhor sobre os socialistas e as forças de centro-direita. Em outros países comunitários, as forças de direita e de esquerda radical viram alargada a sua representação parlamentar. Por isso, essa foi, sem embargo, a maior manifestação do descontentamento popular com o rumo político defendido por Bruxelas e com a política dos seus respectivos governos.

Não se pode dizer que as eleições tenham culminado com resultados revolucionários absolutos. O Partido Popular Europeu (PPE), bancada de centro-direita, ao receber 212 dos 751 mandatos, mantém a liderança apesar de ver enfraquecidas as suas posições. O segundo lugar pertence, como antes, à bancada de cariz socialista – a Aliança Progressista de Democratas e Socialistas que mantém 186 assentos parlamentares. Mas a questão não se resume às estatísticas. O que vale muito mais são os ânimos das pessoas. E essa tendência desanima.

A partir dai, quase um quarto de assentos pertencerá aos partidos radicais nacionalistas. Eles estão em condições de formar uma fração e obter, deste jeito, uma espécie de um “controle acionário” da minoria. No Parlamento Europeu, ocorreu aquilo que pode acontecer numa orquestra em que quase 25% dos músicos não sabem tocar e não prestam atenção ao regente.
Os europeus não têm uma ideia clara sobre a atividade do Parlamento Europeu. Para eles, as eleições autárquicas se revestem de uma importância maior. As eleições para o Parlamento Europeu foram, antes, um plebiscito sobre a política seguida por maiores partidos da UE. E quase todos eles sofreram uma estrondosa derrota. Os exemplos mais elucidativos são o Reino Unido e a França citados acima.

Segundo enfatizou na ocasião o líder do Partido da Independência do Reino Unido (UK Independence Party, UKIP), Nigel Farage, nas eleições passadas foram alcançados resultados sem precedentes nos últimos 100 anos. O seu partido terá no Parlamento Europeu mais lugares do que os conservadores e trabalhistas britânicos. Nunca antes, estes últimos tinham ficado suplantados por algum outro partido em escala nacional.

“Não surpreende muito o fato de isto ter acontecido. Surpreende mais que isto não tenha acontecido antes. Três maiores partidos (conservadores, trabalhistas e liberais) levaram-nos para o mercado comum, transformado depois na UE, prometeram-nos mundos e fundos e, por fim, não cumpriram suas promessas. Agora não podemos dirigir o nosso país e não podemos controlar nossas fronteiras”, acentuou.

Os conservadores chegaram ao ponto de apontar a necessidade de substituir o líder do partido, atual premiê, David Cameron. O apelo foi lançado pelo membro do Comitê Executivo, Martin Tod. As eleições legislativas foram marcadas para o próximo ano e os eleitores “afastaram” já os conservadores para o terceiro lugar no escrutínio para o Parlamento Europeu. O UKIP terá 23–24 assentos contra 13–14 pertencentes aos conservadores e trabalhistas.

Na França, a Frente Nacional, chefiada por Marine Le Pen, ultrapassou os socialistas e a Aliança pelo Movimento Popular, podendo contar agora com 25 mandatos. Isto é, dez mais do que possuem socialistas e representantes de centro-direita. Alguns periódicos franceses qualificaram as eleições como “uma desonra do presidente François Hollande. Marine Le Pen, por seu turno, se pronuncia pelo rigoroso controle sobre a imigração, contra o predomínio da burocracia comunitária, casamentos homossexuais e a política de multiculturalismo. Ela se declara pela saída da França da OTAN e pela cooperação com a Rússia. A política da França não pode ser conduzida sem a participação do povo e contra sua vontade, frisou Marine Le Pen num comício após o triunfo.

“O povo soberano expressou a sua opinião como o tinha feito antes em momentos críticos na sua história. Deu resposta àqueles que não acreditam em sua soberania e em liberdade. O povo da França declarou em alto e bom som que quer resolver ele próprio o seu destino. Precisamos de uma política para os franceses e com o empenho dos franceses”.

O único país que não cedeu perante os ânimos nacionalistas foi a Alemanha em que ganharam os democratas cristãos, encabeçados por Angela Merkel. As perdas sofridas se devem aos eurocéticos do partido Alternativa para Alemanha. A deputada do parlamento estoniano, Yana Toom, de ânimos pró-russos irá representar o seu país no Parlamento Europeu. Ela tem defendido aulas em língua materna para a diáspora russa e a proteção de direitos das minorias nacionais. Ela venceu o presidente do Partido Centrista, prefeito de Tallin, Edgar Savisaar.

Nas eleições para o Parlamento Europeu participaram mais de 43% do total de 400 milhões de eleitores europeus. Após a contagem dos votos se tornou claro: a votação veio traduzir um enorme protesto sob o pano de fundo da crise financeira. A insatisfação se deve, acima de tudo, à política de portas abertas para imigrantes, o malabarismo com valores tradicionais, a perda das metas fundamentais da integração europeia e o excesso de burocratas em Bruxelas.

  • # ravengarravengar 26 Maio, 23:15
    O que esses inocentes esperavam? O resultado das eleições até que não foi tão decepcionantes. Podia se esperar coisa pior. Uma união entre países, com uma união monetária, não comum a todos e sem uma unidade fiscal, sem dúvida nenhuma está condenada ao fracasso.
  • # paulorpaulor 27 Maio, 04:21
    Infelizmente tens razão ravengar, eu sou português e desejo que esta região, e digo região porque Portugal deixou de ser uma nação. E o que eu desejo assim como 90 por cento dos portugueses, era uma saída do euro para começar...

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