sexta-feira, 23 de maio de 2014

Rússia - Ocidente deve respeitar direito dos povos de determinar seu destino


Hoje, 17:43

Rússia: Ocidente deve respeitar direito dos povos de determinar seu destino

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A crise ucraniana e as questões de segurança na Europa foram o tema principal da conferência sobre segurança internacional em Moscou. Segundo o ministro russo de Relações Exteriores Serguei Lavrov, há que aprender a lição com os recentes acontecimentos na Ucrânia.

Originalmente a agenda da reunião em Moscou supunha a definição de perspectivas de resolução dos conflitos no Oriente Próximo e Médio, no Sul da Ásia. Mas, infelizmente, nos últimos meses estes problemas urgentes ficaram na sombra devido à crise na Ucrânia. Isso, em grande parte, foi uma consequência do abandono pelos países ocidentais de uma verdadeira cooperação em favor da contenção da Rússia, enfatizou Serguei Lavrov falando na conferência:
“O continente europeu, que gerou no século passado duas catástrofes internacionais globais, em vez de demonstrar ao mundo um exemplo de desenvolvimento pacífico e ampla cooperação, está novamente atraindo para si a atenção da comunidade internacional. Tal estado de coisas não pode não inquietar. Especialmente porque ele não é uma manifestação de uma coincidência aleatória de circunstâncias, mas talvez um resultado natural dos desenvolvimentos na Europa nos últimos 25 anos.
Nossos parceiros ocidentais não aproveitaram a chance verdadeiramente histórica de construir uma Grande Europa sem linhas divisórias, e escolheram a lógica habitual de movimento para Leste do espaço geopolítico controlado por eles. De fato, isso significou, ainda que de uma forma suave, a continuação da tendência para conter a Rússia”.
Em vez de harmonizar projetos de integração na Europa e Eurásia, foram realizadas tentativas de colocar os estados do espaço pós-soviético perante uma escolha restringida entre o Ocidente e o Leste. Na frágil situação política interna na Ucrânia, essa pressão foi suficiente para desencadear uma crise massiva de soberania neste país, acreditam em Moscou. Como notou Serguei Lavrov:
“Se nós todos sinceramente queremos ajudar o povo ucraniano a superar esta crise, devemos abandonar decididamente os infames jogos sem resultados, deixar de encorajar sentimentos xenófobos e neo-nazistas, renunciar ao desejo de se guiar por um perigoso complexo de superioridade que Helmut Schmidt chamou recentemente de “mania de grandeza” falando da política da UE em relação à Ucrânia”.
O ministro das Relações Exteriores russo apelou a aprender a lição correta com os acontecimentos na Ucrânia e passar a realizar o mais rapidamente possível os princípios de segurança igual e indivisível na área euro-atlântica, bem como a criar condições para a formação de um espaço econômico e humanitário único de Lisboa a Vladivostok:
“Infelizmente, esquemas baseados na defesa de sua própria exclusividade, no uso de padrões duplos, na procura de obter benefícios geopolíticos unilaterais de situações de crise, são amplamente utilizados não só na Europa, mas também noutras regiões. Isso prejudica a eficácia dos esforços para resolver as crises. Em situações semelhantes são utilizadas abordagens completamente diferentes. De fato, as mesmas forças em alguns casos recebiam apoio (como foi na Líbia quando os nossos colegas da OTAN apoiaram ativamente os opositores do regime), mas em outros casos recebiam resistência armada, e elas eram declaradas terroristas (como aconteceu no Mali, onde os homens que derrubaram Kadhafi resistiam a contingentes internacionais). Como resultado, as partes de conflitos intraestatais têm a tentação de instigar uma intervenção militar externa para atingir seus objetivos. E esses objetivos muitas vezes não têm nada a ver com a luta pela democracia e os direitos humanos”.
Operações de mudança de regime em estados soberanos prejudicam obviamente a estabilidade internacional. Todo o tipo de “revoluções coloridas”, tentativas de impor aos povos suas próprias receitas de transformações que não levam em conta as tradições e as características nacionais, a chamada “exportação da democracia”, tudo isso afeta de forma destrutiva as relações internacionais, acredita o ministro russo:
“A cooperação russo-chinesa pode ser considerada como um modelo de relações interestatais, baseada no respeito por interesses mútuos e trabalho eficaz para o bem de seus países e de toda a comunidade internacional. É justamente sobre uma base assim que deve ser construído um novo sistema internacional de relações policêntricas em todos os seus componentes, incluindo a cooperação internacional no fortalecimento da estabilidade regional. E um acordo sobre princípios comuns de solução de crises, que impedissem duplos padrões, poderia desempenhar um papel positivo”.
Os esforços para ajudar a resolver situações de crise devem ser baseados no respeito ao direito dos povos determinar o seu destino por si próprios, sem interferências do exterior, enfatizou o ministro russo.

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