O destróier USS Donald Cook entrou no mar Negro 
em 10 de abril. Dois dias depois, o bombardeiro 
russo Su-24 sobrevoou o destróier. Boatos sugerem
 que, após o encontro com o bombardeiro, 
a tripulação do Donald Cook sentiu-se 
desmoralizada e meios de comunicação 
informaram que 27 marinheiros 
norte-americanos entregaram seus
 relatórios com pedido
 de dispensa da Marinha.
Mas o que assustou tanto a tripulação?
Donald Cook é um destróier da quarta geração
 da Marinha dos EUA. Suas principais armas
 são mísseis de cruzeiro Tomahawk, 
com alcance de voo de até 2.500 km e 
capazes de transportar ogivas nucleares.

Dependendo da situação, seja rotina 
ou ataque, o navio pode ser equipado
 com 56 ou 96 desses mísseis,
respectivamente.
O destróier está também equipado 
com o mais recente sistema de
 combate Aegis.
 Entre outras coisas, ele reúne 
os meios de defesa antiaérea de todas
as embarcações nas quais está instalado
 em uma rede comum, permitindo, assim, 
acompanhar e disparar centenas de alvos 
ao mesmo tempo.
Nos extremos da superestrutura do destróier
 estão instaladas quatro enormes antenas de
 um radar universal, que substitui vários 
radares convencionais. Juntamente com 
os Tomahawks montados nos lançadores da 
proa e da popa, também meia centena de 
mísseis antiaéreos guiados e de diferentes 
classes esperam a sua hora.
O bombardeiro russo Su-24 que se aproximou 
do Donald Cook não tinha quaisquer bombas ou 
mísseis a bordo. Montado debaixo da fuselagem
 havia um sistema de neutralização 
radioeletrônica conhecido por Khibini.
 Ao se aproximar do destróier,
 o Khibini desligou o radar, os circuitos
 de controle de combate e os sistemas
 de transmissão de dados da embarcação.
Resumindo, desligou todo o Aegis,
 do mesmo
 modo que se desliga o botão da TV com
 o controle remoto.
Depois disso, o Su-24 simulou 12 ataques
 à embarcação.
Quando o bombardeiro finalmente 
se afastou, o Donald Cook se dirigiu
 rapidamente para um porto romeno
 e não voltou a se aproximar das 
águas territoriais russas.
Informação em guerra
“Quanto mais sofisticado for o sistema
 radioeletrônico,
 mais fácil é fazer o seu funcionamento
 entrar em 
ruptura com métodos e meios de
 combate radioeletrônicos”,
 diz o chefe do centro de 
pesquisa científica de combate 
radioeletrônico
 da Força Aérea, Vladímir Balibin. 
“Para vencer numa
 guerra moderna não basta alcançar
 a superioridade
 aérea. É também necessário alcançar
 a superioridade
 da informação.”
Além do Khibini, a indústria de defesa
 nacional da
 Rússia produz outros dispositivos para
 desencorajar
 tanto unidades militares regulares
 do inimigo,
 como bandidos e terroristas.
“O reequipamento das forças nucleares
 estratégicas
 da Rússia com os meios da guerra
 radioeletrônica 
está sendo feito em ritmo acelerado”,
 afirma o 
vice-premiê russo, Dmítri Rogózin.
 Se o exército 
e a marinha forem reequipados até
 2015 em 70%, 
as medidas de ataque radioeletrônico
 do potencial estratégico 
serão atualizadas em 100%.
“Os meios de combate radioeletrônico
 são o que
 permitem às nossas armas inteligentes
 atuar e
 neutraliza as armas inteligentes do inimigo.
 E isso é o correto”, diz o vice-premiê.

Dispositivos em serviço

As unidades militares das
 Tropas Aerotransportadas
 (VDV) da Federação Russa
 já começaram a receber equipamentos
 do sistema Infauna. Quando montado
 em veículos blindados ou outros 
veículos de combate,
 o sistema consegue encontrar e 
neutralizar as comunicações 
rádio do inimigo em HF e VHF e desativa
 as minas de controle remoto.
Elas acabarão explodindo, 
mas apenas depois 
de o comboio militar russo passar
 por cima delas e se afastar
 a distância segura.
O Infauna tem outra função:
 os sensores óticos 
colocados dos veículos interceptam
 o flash dos 
disparos e dão ordem para se
 formar uma cortina
 de fumaça que oculta
 o comboio do fogo inimigo.
O aparelho Lessotchek executa
 as mesmas funções
 que o Infauna, mas é bem mais
 compacto – ele
 pode ser transportado em uma
 mochila ou 
maleta. 

Uma maleta dessas pode ser 
facilmente levada
 para reuniões de negócios
 importantes e nem
 os serviços de segurança 
mais avançados serão
 capazes de identificá-la.
A base da defesa radioeletrônica das 
comunicações
 táticas do Exército da Rússia é o sistema 
Borissoglebsk-2. Ele inclui um ponto 
de controle automatizado e quatro tipos
 de estações de bloqueio
 que detectam com um único algoritmo fontes de
 atividade inimiga no ar e as neutralizam.
O dispositivo Jitel detecta e bloqueia ligações
 telefônicas via satélite e celulares, assim como
 sistemas de navegação GPS.
 Ele provou ser eficaz
 durante o conflito na Ossétia do Sul
 ao desorientar
 os drones georgianos.

Publicado originalmente pela Rossiyskaya Gazeta