quarta-feira, 28 de maio de 2014

IRÃ X EUA - IRANIANOS CUMPREM À RISCA AS TRATATIVAS DO PRÉ-ACORDO, NÃO HÁ PORQUE SE ADIAR O ACORDO FINAL


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Ontem, 17:15

Quando será assinado acordo sobre programa nuclear do Irã?

Irã, programa nuclear, política, segurança, AIEA, Rohani, sexteto, EUA

O Irã está cooperando ativamente com a AIEA, diz a agência num relatório recente. Mas será que isso significa que até 20 de julho será assinado um acordo abrangente sobre o programa nuclear do Irã, como o planejado nos acordos de Genebra entre o Irã e seis mediadores internacionais?

A AIEA nota que a cooperação de Teerã com a agência é muito ativa. Pela primeira vez em seis anos os iranianos forneceram todos os dados sobre detonadores de nêutrons (detonadores explosivos de linha-guia, EBW na sigla inglesa). Foram desvanecidos todos os receios de que eles estavam sendo testados para fins militares. Teerã também está reduzindo o estoque de urânio altamente enriquecido. A maioria dele foi “diluída” até um baixo nível de enriquecimento.
Tais ações de Teerã estão prescritas no plano de ação conjunto. Este é um documento temporário que, em novembro do ano passado, o país assinou junto com o sexteto – os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha. Em resposta foram parcialmente suavizadas as sanções unilaterais dos EUA e da União Europeia. Já foram parcialmente descongeladas contas iranianas em bancos ocidentais.
O levantamento completo das sanções será possível após a assinatura em vez do atual documento temporário de um acordo abrangente sobre o programa nuclear iraniano. Em 20 de julho expira a validade do documento temporário. Se o acordo abrangente sobre o programa nuclear iraniano não for assinado até essa data, a validade do documento temporário poderá ser prorrogada por mais de seis meses – para continuar as negociações.
Há dias o presidente Hassan Rohani disse que mais provavelmente o documento será assinado até 20 de julho. Ele se referiu a “certos sinais” que o Irã tem recebido. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Javad Zarif, foi um pouco mais cauteloso em suas palavras, mas na verdade falou do mesmo: “O objetivo é o mesmo – alcançar um acordo no prazo de dois meses. Mas talvez ele terá de ser adiado por mais meio ano”.
Mas afinal o que se pode assinar até 20 de julho? O analista político Vladimir Evseev acredita que até 20 de julho dificilmente conseguirão resolver todas as questões – resta muito pouco tempo. Segundo Evseev, o mesmo indicam “vazamentos” de informações das negociações:
“A julgar pelos documentos que estão sendo preparados, foi removida a parte essencial do documento sobre o plano de ação conjunto – ou seja, o protocolo adicional de 1997. Este protocolo pressupõe inspeções-surpresa de quaisquer instalações no Irã. E se o acordo for assinado sem esse protocolo adicional, ele não pode ser chamado de abrangente. Talvez seja um acordo-quadro”.
No entanto, outros especialistas notam que quaisquer “vazamentos” agora são meramente provisórios. O que será e o que não será incluído no texto do futuro acordo, será decidido pelos negociadores.
E a propósito, não há nenhuma indicação de que o Irã tem a intenção de recusar formalmente a cumprir o importante protocolo adicional. Teerã se juntou a esse protocolo em 2003. E embora ele não tenha sido ratificado pelo parlamento desde então, o Irã voluntariamente cumpria suas disposições até 2006. Será que os dirigentes atuais do país intendem retomar esse procedimento, e se assim for – em troca de que, ainda não está completamente claro. Mas ainda há tempo para discutir essas questões.
E isto significa que a assinatura do acordo abrangente já este verão é possível, embora esteja longe de ser garantida. Entretanto, segundo especialistas, acelerar o processo de assinatura é do interesse não só, e talvez até não tanto, de Teerã. Os norte-americanos também precisam de assinar o acordo depressa. Nas eleições parlamentares intercalares de novembro ele pode ser apresentado como um grande sucesso da política de Barack Obama.
E isso abre um vasto campo para negociações entre Teerã e o sexteto, ou mais precisamente, os seus participantes ocidentais. Os resultados dessa negociação serão conhecidos em breve.

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