terça-feira, 20 de maio de 2014

ECONOMIA - GIGANTES MILITAR (RÚSSIA) E ECONOMICAMENTE (CHINA) ACORDAM COMPROMISSOS MÚTUOS

Hoje, 20:05

Rússia e China: uma longa caminhada para o compromisso

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, anunciaram, após as negociações em Xangai, a intenção de fortalecer as relações de parceria na esfera energética, “acelerando o início do fornecimento de gás russo para a China”.

O presidente russo propôs anular o imposto de extração de recursos naturais para jazidas de gás que proporcionem essa matéria-prima no quadro de futuros contratos russo-chineses. A China, por seu turno, prometeu cancelar as taxas de importação.
O respectivo contrato, segundo disse o assessor de imprensa da presidência, Dmitri Peskov, poderá vir a ser assinado a qualquer momento. Salientou ainda que as conversações serão prosseguidas, tendo sido alcançado “um significativo progresso”. “Resta levar a um bom termo as negociações quanto ao preço”, completou.
Ambas as partes se declaram dispostas a debater os detalhes finais. O programa de fornecimento, a entrar em vigor em 2018, não foi modificado ou cancelado. No seu âmbito, o Gazprom irá efetuar exportações anuais estimados em 38 bilhões de metros cúbicos de “combustível azul”, podendo esse volume vir a ser aumentado para 60 bilhões.
A título de comparação: o volume de exportações de gás russo para a Europa ultrapassará, este ano, 160 milhões de metros cúbicos. Uma vez que os europeus estão apreensivos com tal reviravolta russa para o Oriente, o prémier russo, Dmitri Medvedev, em entrevista à agência Bloomberg, asseverou que o fornecimento de gás para a região asiática não será realizado à custa da Europa:
“Temos em alto apreço os nossos parceiros ocidentais. Há décadas que mantemos contatos comerciais com eles. O seu mercado é muito valioso para nós e eu quero que todos compreendam isso. Por outro lado, não podemos fornecer o nosso gás somente para o mercado europeu. Temo-lo em quantidades suficientes para exportar para o mercado asiático, em rápido crescimento”.
Conforme realçou a propósito o chefe da companhia Rosneft, Igor Sechin, será concluído um acordo com a vigência de 30 anos. E este contrato foi negociado durante 10 anos. “Seria absurdo não acertar agora certos detalhes e depois, anualmente, introduzir correcções e emendas”, frisou. Os analistas russos compartilham essa opinião. O contrato de gás com Pequim excede os limites de um acordo simples de parceria económica, considera o perito Nikolai Podlevskikh. Trata-se, no essencial, de um tratado de criação de uma nova infra-estrutura na área energética e de transportes:
“O fornecimento de gás na vertente oriental se relaciona com as elevadas despesas e enormes investimentos nas obras de construção de gasodutos, estações de bombagem e na prospeção de novas jazidas. Tais assuntos estão previstos pelo contrato. Por isso, este último prevê novas hipóteses de investimento de capitais chineses na prospeção de jazidas e na construção de gasodutos”.
Claro que as conversações não foram fáceis, bem como as soluções de compromisso não foram atingidas num abrir e fechar de olhos. Mas sem o contrato, a situação nesse segmento irá piorar. Por essa razão, o contrato “está condenado ao sucesso”, constata com optimismo o analista russo, Alexander Pasechnik:
“A China precisa do gás russo, está interessada em implementar a sua estratégia energética. Dito de outra maneira, sem o gás russo serão desacelerados os ritmos de desenvolvimento económico da China. Além disso, o contrato é mutuamente vantajoso”.
A propósito, ambos os líderes aceitaram com calma o fato de adiamento e, terminadas as conversações, foram assistir aos exercícios navais conjuntos Interação Marítima 2014 que se realizam no mar de China Oriental. Vladimir Putin e Xi Jinping acordaram realizar, no próximo ano, manobras militares alusivas ao 70º aniversário da Vitória na Segunda Guerra Mundial. O dirigente russo declarou estar satisfeito com os resultados das negociações, sobretudo, com seus aspectos econômicos:
“As relações entre a Rússia e a China se desenvolvem com êxito, tendo alcançado um novo patamar de parceria multifacetada e interacção estratégica. Uma atenção especial foi dedicada às questões económicas. A China mantém posições de maior parceiro económico da Rússia. No ano passado, as trocas comerciais totalizaram 90 bilhões de dólares, podendo ser aumentadas para 100 bilhões em 2015”.
Segundo algumas fontes próximas das delegações oficiais dos dois países, a assinatura do contrato foi impedida, em certa medida, pela questão do pré-pagamento. o preço de gás depende da solução desse problema. O presidente Putin, expondo o seu parecer, propôs examinar a questão da abolição do imposto russo sobre a extracção de gás destinado para a China. Pequim está examinando a questão da revogação de taxas de importação sobre o gás russo.
Ora, enquanto as condutas ainda não estão preenchidas com o gás natural russo, a China irá receber o gás liquefeito. A empresa russa Novatek celebrou, em 20 de maio, um contrato com a CNPC chinesa, prevendo a exportação anual de 3 milhões de toneladas de gás liquefeito.

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