quinta-feira, 24 de abril de 2014

"UE" EM CONVULSÃO - HUNGRIA PREPARA REFERENDO, EM PAUTA SAÍDA DA "UE"


Gaiane Khanova
7 Abril, 16:48

Opção húngara prevê aproximação da Rússia?

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As legislativas na Hungria, realizadas no domingo passado, entraram na lista das notícias mais importantes da mídia europeia e russa.

Desde o início, não tinham contido uma intriga alguma. Como era de esperar, a vitória foi alcançada pelo partido governante Fidesz, encabeçado por Viktor Orban. O primeiro-ministro húngaro, o dito “enfant terrible” da política europeia, tem vindo a ganhar a popularidade graças aos sucessos económicos reais e ao aumento do nível de vida da população. O partido de direita radical Jobbik, com mais de 20% dos botos, veio ocupar a terceira posição, tendo suscitado preocupações de muitos europeus por se pronunciar pela realização de um refendo visando a saída do país da UE.

Que conclusões pode tirar Moscou à luz do escrutínio húngaro? O redator-chefe da revista Rossia V Globalnoi Politike (Rússia na Política Global), Fiodor Lukianov, opina:

“Os resultados das eleições na Hungria têm reflectido uma tendência geral que se delineia na União Europeia. Com base nesse exemplo e no das eleições autárquicas efetuadas na França se pode constatar um desapontamento do eleitorado no atual modelo de integração europeia que, pelo visto, parece ter esgotado o seu potencial. Daí, surgem tentativas de buscar eventuais alternativas. Viktor Orban, extremamente cético quanto ao próprio conceito de União, se tornou um símbolo das transformações que se operam no tecido político da Europa. Não é por acaso que o seu partido volta a ganhar as eleições. Os eleitores estão desiludidos com a atuação de outras forças políticas. Por outro lado, seria um exagero considerar Viktor Orban “um separatista” que procure afastar a Hungria da UE. Outra coisa é que ele soube distinguir a tendência geral. Por isso, se tem esforçado por restituir uma parte da soberania nacional e não quer que as organizações e investidores especulativos predominem na economia nacional. Ele tem uma noção específica acerca da liberdade da expressão. Mas tudo isso é um assunto interno dos húngaros. Ao mesmo tempo, a situação se relaciona, de forma directa, com os interesses da Rússia. Veja-se porque.

O mainstream que se criou na Europa, não convém muito a Moscou. É que o pêndulo político se inclinou muito para o lado da esquerda liberal. Se ocorrer uma correcção para o lado conservador, tomando em conta os interesses nacionais, a Rússia terá menos problemas com uma Europa desse género ao contrário da UE liberal e ideologizado.”

Uma das últimas iniciativas do governo de Viktor Orban passa pelo rumo à segurança energética, à interação nos quadros do projeto South Stream e a novos acordos bilaterais com a Rússia na esfera de energia atómica. O primeiro-ministro húngaro e o presidente russo não têm dificuldades em encontrar uma linguagem comum. Pois, a questão que se coloca agora, é de saber se tal tendência de aproximação será prosseguida.

“A Hungria faz parte da UE, devendo, na política externa, coordenar a sua atividade com parceiros comunitários, destaca Fiodor Lukianov, ressalvando ser impossível uma brusca reviravolta em direcção à Rússia. A auto-suficiência energética, preconizada por Orban, em face da atual crise russo-europeia, vem contrariando a linha-mestre levada a cabo pela Comissão Europeia. Bruxelas está fazendo os possíveis para se livrar das importações de gás russas. Creio que Viktor Orban terá de conduzir uma política flexível, fazendo múltiplas manobras. A Hungria confirmou a disponibilidade de iniciar o fornecimento reversivo de gás para a Ucrânia, o que, com efeito, provocará descontentamento de Moscou que qualifica como ilegal tal procedimento. A Eslováquia, por exemplo, para não estragar as relações com o consórcio russo Gazprom, tem demorado com tal reverso no fornecimento de gás para o território ucraniano. Por isso, não vale a pena esperar que o chefe do governo húngaro se torne, de repente, um aliado da Rússia. Primeiro, terá de lidar com a máquina burocrática europeia. Há 25 anos, ele, como um político de ânimos anti-comunistas, lutava contra a URSS… Mas quanto maior for o número de países de orientação pró-nacional (e mesmo não pró-russa), tanto maior será a possibilidade de a Rússia poder fazer manobras nestas condições.”

O terceiro lugar nas eleições parlamentares, com quase 21 % dos votos, foi ocupado pelo partido radical da direita Jobbik que se manifesta pelo referendo visando a saída da UE. Que sinal terá esse para as eleições europeias que se aproximam?

Na ótica de Fiodor Lukianov, os partidos de extrema-direita e de extrema-esquerda se declaram contra a EU, mas sob prismas diferentes. Eles são capazes de obter um terço ou até mais de um terço dos assentos no Parlamento Europeu. Mas tal opção, proposta pelo Jobbik ou pelo Partido da Independência do Reino Unido, parece-me inviável. Esse rumo irá engendrar efeitos demolidores para a economia húngara. Enquanto isso, os ânimos cépticos em relação à integração europeia irão impedir ou diminuir as ambições dos partidários da Europa una”.
 
primeiro-ministro, Eleições, Rússia, Hungria, Internacional
 
  • # GRIFAOGRIFAO 8 Abril, 08:39
    Avante Hungria!!! Quando era moleque na casa de meus tios, a língua húngara era habitual, e mais quando parentes reunidos, era aquela musicalidade da língua húngara. Não adianta, gato que nasce no forno não é biscoito. Até hoje músicas húngaras derrubam-me lágrimas, e os doces caseiros húngaros, a alimentação deliciosa? Caramba, relação de cientistas e inventores mundiais, mostram maioria de húngaros!!! Avante Hungria, avante húngaros!!!

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