terça-feira, 4 de março de 2014

UCRÂNIA - Sanções contra Rússia são desvantajosas para próprio Ocidente


Ontem, 15:36

Sanções contra Rússia são desvantajosas para próprio Ocidente

G8

Na onda de agravamento da crise ucraniana os países europeus e os Estados Unidos começaram a falar de possíveis sanções contra a Rússia. Entre as propostas apresentadas por políticos ocidentais está a exclusão da Rússia do Grupo dos Oito e o cancelamento da cúpula de junho em Sochi.

No entanto, a saída do G8 não tem grande importância para a Rússia, acredita o professor da Acadêmia russa de Economia Nacional Vladimir Shtol:
“Eu não acho que isso seria um duro golpe para o prestígio do nosso país. Existe hoje um formato novo, mais largo, o chamado Grupo dos Vinte, onde estamos presentes. Hoje, infelizmente, a economia está muito ligada à política. Em condições de globalização não se pode falar de um vetor individual de desenvolvimento. Há que entender que a interdependência entre nós é bilateral. Então neste caso, acho eu, os nossos parceiros ocidentais deveriam ponderar e avaliar tudo cuidadosamente”.
Os radicais exigem o isolamento da Rússia. Entretanto, o Ocidente não tem assim tantas possibilidades. Além disso, os últimos anos têm mostrado que a Rússia está disposta a aceitar as consequências quando se trata de seus interesses. Comenta o analista político Vladimir Kozin:
“As sanções nunca foram eficazes. Mesmo aquelas que foram impostas contra a Rússia depois de ela ter acalmado a Geórgia em 2008. Aquelas sanções foram canceladas seis meses depois pelo próprio Ocidente. Sanções sempre afetam aqueles países que as impõem”.
Economicamente, a Rússia pode muito bem sobreviver numa situação de sanções econômicas de Bruxelas e Washington, porque ela tem muitos parceiros comerciais fora do círculo designado. Por exemplo, os países dos BRICS, com quem Moscou está intensificando a cooperação econômica.
Estritamente falando, o Ocidente não está pronto para sanções. Quaisquer restrições sérias no comércio irão inevitavelmente afetar os negócios. Toda a Europa Central e Oriental será atingida, nota o diretor do Instituto Internacional de estados recentes, o analista político Alexei Martynov:
“Teoricamente, a Europa pode recusar-se a comprar combustível russo. No entanto, ela terá de “congelar” várias empresas e prescindir de algum conforto. Mas a Europa tem gás norueguês e fornecimento estabelecido de gás liquefeito desde o Oriente Médio. Apesar de que a Europa terá muitas dificuldades em explicar aos seus cidadãos porque eles devem pagar ainda mais pela energia. Já que a renuncia ao gás russo certamente levará a um brusco aumento dos preços”.
Hipoteticamente, Obama pode tentar repetir a experiência de Ronald Reagan e reduzir drasticamente os preços de hidrocarbonetos. A economia da Rússia, devido às suas peculiaridades, é particularmente sensível a tais factores. Mas esta é uma manobra muito séria que pode levar a consequências bastante negativas tanto para a economia mundial como para a estabilidade geopolítica.
Resumindo, sanções eficazes contra a Rússia vão custar ao Ocidente muito caro para que ele se decida a impô-las. Dificilmente a UE e os EUA estão prontos para sacrifícios reais. De qualquer forma, ações decisivas necessitam de vontade política. Justamente algo que os líderes políticos do Ocidente não têm.

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