Até há pouco tempo, o potencial nuclear era o único meio de destruição garantida do potencial militar e econômico das superpotências. O equilíbrio dos potenciais nucleares da URSS e, depois, da Rússia e dos EUA, defendeu, durante muito tempo, o mundo da repetição de uma grande guerra. Os conflitos nas regiões de contato direto eram resolvidos através da diplomacia e os conflitos armados tornaram-se prerrogativa da periferia mundial, onde os satélites das superpotências se enfrentavam em guerras locais.
Nos EUA conservou-se o desejo de quebrar esse equilíbrio através da consecução da supremacia técnico-militar global que exclui que lhe sejam causados prejuízos inaceitáveis. Nos anos da Guerra Fria, porém, esse objetivo não foi alcançado.
Nos anos 2000, devido à redução de potenciais nucleares estratégicos, tornou-se teoricamente possível a combinação de um sistema de defesa antimíssil com meios ofensivos não nucleares de alta precisão.
Teoricamente, semelhante ataque neutralizante poderia privar a Rússia da maior parte esmagadora do seu potencial nuclear, tornando a restante parte um alvo fácil do DAM.
O perigo dessa concepção aumenta porque, atualmente, não existem documentos que limitem o desenvolvimento de sistemas DAM e de meios não nucleares de ataque global.
Ao mesmo tempo, nem o DAM, nem tanto mais os meios de ataque global estão prontos para serem empregues, principalmente num conflito hipotético contra a Rússia. Mas é preciso procurar já agora meios de resposta. A primordial medida aqui é o reforço do potencial nuclear estratégico.
Na base da informação existente, pode-se supor que a base das Forças Nucleares Estratégicas da Rússia, nas próximas décadas, será constituída por três complexos terrestres e um marítimo. Em terra, a aposta será feita no complexo Yars em bunker, móvel por estrada e por caminho de ferro, no Rubezh, que pode ser rapidamente instalado em grandes quantidades, e no complexo pesado em bunker Sarmat. A base das forças navais de contenção nuclear será o dueto Borei/Bulava.
O complexo de mísseis de várias ogivas, que é o desenvolvimento da família dos Topol/Topol-M, vai tornar-se uma substituição eficaz dos Topol com blocos múltiplos ultrapassados, produzidos entre 1985 e 1993, bem como mísseis balísticos intercontinentais instalados em bunker UR-100N.
A base do conjunto deve ser constituída precisamente por Yars móveis instalados em plataformas automóveis e ferroviárias. A mobilidade destes sistemas garante-lhes um nível mais alto de defesa de um ataque inesperado com armas de alta precisão.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do sistema de defesa aeroespacial da Rússia, incluindo o sistema de prevenção de um ataque de mísseis, mantém em funcionamento bunkers que exigem menos tempo de preparação para lançamento (menos de 2 minutos contra 5-10 minutos do complexo móvel) e um poder de combate bem maior.
Por exemplo, o míssil balístico intercontinental mais potente: R-36M2 Voevoda, que no Ocidente é conhecido como SS-18 Satan, porta 10 blocos de combate com uma potência de 800 quilotoneladas. Estes mísseis, os últimos dos quais foram produzidos em 1992, devem ser substituídos pelo Sarmat, um novo míssil balístico intercontinental com combustível líquido fabricado no Bureau de Construção Makeev.
Por enquanto, as forças nucleares estratégicas russas, pelo número de portadores, encontra-se abaixo da linha dos 700 portadores instalados num total de 800 portadores instalados e desinstalados, fixada pelo Tratado START-3, e são gradualmente reduzidos até ao limite delimitado de 1.550 ogivas (hoje, há cerca de 2.000). Ao mesmo tempo, o desenvolvimento descontrolado do escudo antimísseis dos EUA e a instalação da infraestrutura de um ataque global podem conduzir a que a Rússia tenha de recorrer ao direito de saída do tratado e começar a instalar as suas Forças Nucleares de Contenção para além desses limites.
A existência de complexos de mísseis já testados em ensaios e em produção será uma vantagem importante.

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