A Polônia faz um grande alarido, mas não tem uma influência real nem sobre a União Europeia, nem sobre a Ucrânia. Nem tencionamos partilhar com ela quaisquer euros por considerações de política interna.
Contudo, já a Ucrânia tem uma grande influência sobre a Polônia. Se até 2015 Rússia aceitar a Ucrânia como membro da União Aduaneira, o mais provável é os ruidosos slogans anti-russos levarem ao poder o partido de direita Direito e Justiça (PiS) de Jaroslaw Kaczynski. Ao explorar a temática ucraniana, ele irá deteriorar as relações da Polônia com a Alemanha, com a UE e irá hostilizar definitivamente a Rússia. O drama ucraniano favorece o Partido Direito e Justiça.
A chegada ao poder do PiS irá, tendo como fundo os acontecimentos da Ucrânia, reforçar os sentimentos antieuropeus e a histeria anti-russa: hoje a Rússia engoliu a Ucrânia, mas amanhã chegará a vez da Polônia. A Polônia começará a se armar contra a Rússia. Isso será tão absurdo como a política do comandante-em-chefe do exército polonês Edward Rydz-Smigly e do ministro das Relações Exteriores Jozef Beck relativamente à Alemanha antes da Segunda Guerra Mundial. Numa confrontação com uma potência nuclear, como é a Rússia, a quantidade de drones não decide nada. Aliás, nem a Rússia, nem a OTAN, irão recorrer às armas no atual jogo político que se desenrola na Europa.
O partido de Kaczynski irá destruir a Polônia recorrendo à sua própria opinião pública. É aí que reside a verdadeira importância para a Polônia dos acontecimentos na Ucrânia.
 Pregada às telas dos televisores, a Polônia assiste aos acontecimentos na praça da Independência (Maidan Nezalezhnisti) em Kiev. Esse espetáculo estimula as emoções, mas não o raciocínio. Moscou ainda não ativou as forças pró-russas na Ucrânia: o que interessa ao gato a luta entre ratos? A China não interfere desde 1956 nos assuntos da Europa Oriental. Os ucranianos que lutaram pela independência do seu país sempre o fizeram sozinhos. A história desse povo é bastante mais trágica que a história da Polônia. Nós estamos ligados a Kiev por velhas feridas, interesses e obrigações. Mas a chegada ao poder do Partido Direito e Justiça seria um preço demasiado elevado a pagar.

A opinião do autor pode não coincidir com a opinião da redação.