domingo, 15 de dezembro de 2013

MENSALÃO - VEJA ACUSA Roberto Jefferson de DEDO DURO


VEJA ACUSA JEFERSSON - "DEDO DURO"

Publicada em 04 de Dezembro de 2013 ás 17:37:01


Os paradoxos e a verdade


Creio que, em determinados casos, aquilo que um tribunal de exceção mais teme é exatamente que o réu fale a verdade. Sei que é estranho alguém afirmar tão aparente disparate, porém, se pararmos pra pensar, talvez isso não reflita contrassenso, mas, sim, tão somente um paradoxo.

Vou tentar esclarecê-lo.

Tive um amigo em Minas Gerais, companheiro de labuta, com quem me associei num pequeno empreendimento. Andávamos pelo interior do Estado vendendo determinada mercadoria em pequenos estabelecimentos comerciais. Certo dia, depois do almoço em modesta lanchonete, ele me confidenciou que já fora “bandido” e me contou algumas de suas aventuras no submundo do crime. Entretanto, quase nenhuma daquelas histórias me surpreendeu, considerando o desenrolar dos fatos, as tramas e as habilidades (malandragens) para se livrar de flagrantes delitos; era tudo muito verossímil, como nos romances policiais. Entretanto, certo detalhe em uma de suas histórias me levou a pensar cada vez mais no disparate (ou paradoxo) que expus acima.

Meu companheiro me contou que já havia “trabalhado” no ramo de compra e venda de dinheiro falso (redundância?!). Disse que os lucros eram fabulosos e que tudo estava indo muito bem, pois seus comparsas nos âmbitos das polícias civil e militar lhe davam cobertura e garantiam que estavam amparados por coniventes elementos no Judiciário. Mas ele afirmou que tinha consciência de que, mesmo nessas condições, um dia a casa cai, portanto tratou de amealhar considerável patrimônio, a fim de assegurar o sustento da sua família, caso “perdesse pros homens” numa parada sinistra, o que realmente aconteceu. E foi aí que a porca torceu o rabo.

Submetido a interrogatório em uma delegacia, identificou entre seus inquisidores alguns de seus próprios parceiros da quadrilha em que atuava, os quais, segundo ele, eram os mais enérgicos na condução dos trabalhos de investigação. Em alguns momentos, eles explodiam coléricos, esbofeteando e espancando-o sob uma sucessão de pergunta aos berros: “Quem são seus parceiros?!”, “Onde eles estão?!”, “Quem fornece o dinheiro falso?!”, “Onde é a oficina de fabricação da muamba?!”, “Fala!”.
E tome bordoadas e perguntas.

Meu amigo me falou que, em determinado momento, teve vontade de dizer: “Porra, companheiros, fiquem frios! Tranquilizem-se! Vocês não precisam exagerar, eu não vou entregar ninguém!”. Mas conteve-se, pois confiava no bom senso dos comparsas e entendia que, naquele teatro, eles saberiam estimar suas forças físicas e sua resistência emocional. E foi o que aconteceu.

Ele sabia que, se falasse a verdade, destruiria a todos ou, pior, somente a ele. A todos porque, entre os seus parceiros diretamente coniventes, havia também os indiretamente conluiados com os colegas de trabalho, rabos presos por comportamentos baseados em suposta “ética corporativa”, assim sendo, o mais provável é que somente ele fosse eliminado.

Acabei de me lembrar de Roberto Jefferson. Estranho...

Acredito que existem duas diferenças básicas entre Jefferson e o meu amigo: este é um ex-bandido, um indivíduo regenerado, e, quando na ativa, foi pego involuntariamente como bode expiatório, boi de piranha; enquanto Jefferson assumiu voluntariamente o papel de alcaguete, calculadamente, acreditando que usufruiria o benefício da “delação premiada”, porém sem ser considerado “delator”. Na prática, isso tem acontecido, mas ele rejeita a pecha de “dedo-duro” imputada por Roberto Civita, o capo de tutti i capi no ramo mídia venal.

Pausa pra refrescar a memória.

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