O artigo de Vladimir Putin publicado no jornal The New York Times provocou grandes debates entre os cidadãos dos EUA. Eles descreveram nas redes sociais as suas opiniões em relação ao que leram no artigo. A julgar pelos comentários na Internet, a maioria dos usuários norte-americanos apoia a posição da Rússia quanto à participação dos EUA no conflito sírio. Além disso, muitos americanos alteraram a sua atitude em relação à Rússia para melhor. No geral os comentários se repetem. Eis apenas alguns deles que podem ser lidos no Facebook.
“É curioso verificar que Putin faz mais em defesa da América que o nosso próprio governo. Eu tiro-lhe o chapéu, Putin.”
“Assim Putin acabou com a guerra do Obama. Putin, que é um ex-agente do KGB, impediu o laureado com o Prêmio Nobel da Paz Obama de começar uma guerra que iria matar milhares. Não faz muito sentido, não é?”
“Quanto mais leio e ouço sobre Putin, mais impressionada fico.”
“Sabem em quem eu realmente confio? Num cara com puras intenções e o forte sentido de moralidade. Alguém que realmente se preocupa com o bem-estar dos EUA. Vladimir Putin!”
No artigo publicado na quinta-feira, o chefe de Estado russo se dirigiu diretamente ao povo americano e explicou que ninguém tinha dúvidas quanto ao uso de gás tóxico na Síria. Contudo, existem todos os fundamentos para pensar que ele foi usado não pelas tropas governamentais, mas pelas forças da oposição. Os militantes rebeldes teriam apostado nessa decisão para provocar uma intervenção militar estrangeira no país. Um ataque de Washington irá provocar uma grande quantidade de vítimas inocentes. Só a suspensão da operação militar pode ajudar a salvar as vidas de milhares de sírios e reforçar a confiança mútua nas relações internacionais, diz o artigo. A maioria dos americanos partilham da opinião do presidente russo, refere o cientista político Grigori Trofimchuk, vice-presidente do Centro de Modelos de Desenvolvimento Estratégico.
“O artigo de Putin no The New York Times teve influência na situação – criou uma oportunidade para os americanos não atacarem a Síria. O artigo estava interessante, era vivo. Eu diria que era contundente. Ele focou aspetos extremamente importantes. Um deles é o da excepcionalidade da nação americana. Todos esses aspetos em conjunto tiveram um determinado eco na sociedade americana.”
Também teve um largo impacto nos EUA a declaração de Vladimir Putin que todos os povos são iguais e que nas relações internacionais não há lugar para pretensões de excepcionalidade. Os usuários da Internet norte-americanos concordaram. Este é só um dos muitos comentários: “Putin tem razão – nós não somos “excepcionais”. Isso é apenas propaganda promovida por Obama que nos afasta dos povos do resto do mundo. Nós temos de perceber que todos estamos interligados e unidos.”
Só os políticos norte-americanos não gostaram do artigo. Assim, o senador republicano pelo estado do Arizona John McCain qualificou o artigo do presidente russo como “um insulto à inteligência de todos os americanos”. Mas os próprios americanos não pensam assim, diz o editor principal do portal Terra America, Boris Mezhuev
 “Há muitas reações positivas de pessoas das quais elas não eram esperadas. Donald Trump, por exemplo, expressou surpreendentemente a sua simpatia pelo artigo. A Rússia tem o direito de falar assim porque ela fez algo real para evitar o confronto militar e, sobretudo, retirou a política americana de um beco sem saída. Obama não sabia o que havia de fazer.”
Depois de a Rússia ter proposto um plano para a transferência das armas químicas sírias para supervisão da comunidade internacional, surgiu uma possibilidade real de os Estados Unidos não bombardearem Damasco. Queremos acreditar que as autoridades norte-americanas vão aproveitar essa oportunidade.