A associação existe na sua forma atual desde 2010, quando nela ingressou a África do Sul, tornando-se o seu quinto integrante. As relações comerciais no quadro do “quinteto” estão organizadas de há muito. Mas o fraco conhecimento da legislação dos parceiros e a ausência da estatística unificada que forneça dados sobre os recursos e os índices de crescimento, freia cada vez mais a atividade do BRICS, como organismo único. O primeiro passo rumo à harmonização será a criação da base de dados. Fala Alexander Apokin, perito sênior do Centro de Análise Macroeconômica e de Prognósticos a Curto Prazo:
“Trata-se da confrontação dos sistemas estatísticos e, mais tarde, da elaboração de métodos comuns de recolha e de processamento destes dados estatísticos. O aperfeiçoamento da estatística, em primeiro lugar, na China, na Índia e, parcialmente, na República Sul-Africana, permitirá prognosticar com mais precisão o futuro e elaborar decisões estratégicas. Tudo isso vai servir também no caso de criação do Banco de Desenvolvimento do BRICS.”
Na cúpula de BRICS, realizada na primavera deste ano, os seus líderes declararam que o “quinteto” deve ter o seu próprio banco. Vários peritos avaliaram o futuro órgão financeiro como contrapeso ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial, isto é, estruturas que se encontram sob a forte influência do Ocidente. Mas os integrantes do “quinteto” não têm até hoje o ponto de vista único a respeito da esfera de ação do Banco de Desenvolvimento. Alexei Maslov, chefe do departamento de estudos orientais da Escola Superior de Economia, comenta a situação:
“A China encara isso no mínimo como um meio potente de influência sobre a Europa, os EUA e sobre as economias ocidentais em geral. A Rússia considera esta interpretação da situação muito desvantajosa, dado que lhe importa estabelecer relações em pé de igualdade com todos os países. Por isso, a Rússia não considera isso como uma alternativa absoluta ao Fundo Monetário Internacional ou ao Banco Mundial.”
 O Conselho Atlântico deverá não somente aproximar as posições no tocante ao banco mas também superar outras divergências. O “centro cerebral” nasceu na primavera e a sua importância irá aumentar cada vez mais. A associação, pensada inicialmente como puramente econômica, obteve mais tarde também potentes ambições políticas. Agora o BRICS luta por um sistema mais justo de ordem mundial que seja uma alternativa ao esquema adaptado aos interesses dos EUA. Para avançar neste sentido e buscar a solução própria dos problemas internacionais, é preciso uma estratégia clara a longo prazo. Espera-se que os analistas do “quinteto” a formulem definitivamente na véspera da cúpula seguinte do BRICS. O novo encontro dos líderes dos países do grupo será realizado em 2014, no Brasil.
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