Ameaças comuns
É bem sabido que a Rússia e a Europa mantêm os enfoques comuns quanto à questão do surgimento de ameaças regionais na Ásia Central. O narcotráfico, terrorismo, extremismo religioso, instabilidade política e outros fenômenos específicos têm afetado interesses de Moscou, de seus aliados na OTSC e dos parceiros europeus. Neste contexto, o interesse comum em manter a estabilidade não causa dúvidas. É óbvio que uma meta dessas não poderá ser alcançada por um só país.
Entretanto, as mudanças do clima político na Ásia Central são esperadas já no próximo ano - no decurso da retirada do Afeganistão do contingente militar da OTAN, encabelado pelos EUA. É necessário preparar-se para este evento sem receios de uma catástrofe, revelou à Voz da Rússia o secretário-geral da OTSC, Nikolai Bordyuzha:
"Não creio que em 2014 aconteça uma catástrofe que afete o nível de segurança. Compreendemos, por outro lado, que após a retirada, não haverá uma estabilidade maior. A situação no Afeganistão irá repercutir-se nos países-membros da OTSC. Neste contexto, em nível dos chefes de governos, foram tomadas medidas de prevenção, uma das quais – a decisão de prestar assistência ao Tadjiquistão no reforço da sua linha fronteiriça com o Afeganistão. É uma das medidas elaboradas que se realizam em conformidade com as indicações dos Chefes de Estados."
É evidente, pois, que a segurança dos parceiros centro-asiáticos da Rússia, antes de tudo, do Quirguistão e do Tajiquistão, não poderá ser garantida sem o apoio direto da Rússia. Estes países não dispõem de recursos suficientes para levar a cabo essa tarefa, tomando em conta a situação instável que se vive neles.
Distribuição de tarefas
É precisamente nisso consiste a diferença entre a posição da Rússia, líder da OTSC e o posicionamento da OSCE. Não obstante a situação que se criará no Afeganistão após a retirada da OTAN, a solução desses problemas irá recair, antes de mais, sobre a Rússia. A participação da Europa será minimizada devido à crise econômica. A Rússia arcará tanto com respectivas despesas financeiras, como deverá sustentar ainda a carga de operações militares, prestando, no mínimo, apoio aos aliados mediante a intervenção da Força Aérea e tropas especiais.
Com isso, é preciso ter sempre presente que a ameaça externa, resultante de uma ofensiva de grupos armados afegãos rumo ao norte, será muito menor em relação às ameaças internas. O caráter instável e precário de governos centro-asiáticos poderá minar a situação "por dentro", implodindo-a com uma maior eficiência do que os chefes de guerra do movimento talibã. Refiram-se ainda as peculiaridades da formação de elites locais, que dependem de seus líderes experientes. Nestas condições, o pior cenário seria a mudança do poder, num prazo relativamente curto de 5-6 anos, nos países da Ásia Central, aliados da Rússia na OTSC e no Uzbequistão. Na pior das hipóteses, a Rússia será envolvida em operações militares regionais, empregando suas tropas terrestres.
A única possibilidade de evitar tal cenário pessimista são os esforços conjuntos visando a prevenção das atuais ameaças. Será muito mais fácil combatê-las se a Rússia e seus parceiros souberam enfrentar a ação de grupos islamitas radicais, privando-os de sustentáculos econômicos em forma de narcotráfico.