Manobra em todas as etapas
Uma característica-chave de novos complexos passa pela sua capacidade de manobra em todas as etapas de emprego. Na terra, os Yars semelhantes aos seus antecessores Topol e Topol-M de estacionamento móvel, estão protegidos melhor contra as armas de alta precisão que os sistemas de mísseis baseados em poços, cuja localização se conhece muito bem.
Na fase de lançamento, os Yars e os Rubezh levam uma certa vantagem: ganham a velocidade mais depressa e podem efetuar manobras limitadas no segmento ativo da trajetória.
Estas características vêm complicando a tarefa de intercepção em comparação com os mísseis balísticos intercontinentais baseados em poços. Além disso, para ambos as novas máquinas estão sendo projetadas blocos de manobra hipersônicos.
Os dispositivos facilitam a rotura definitiva da defesa antiaérea: será difícil interceptar tais alvos devido à elevada velocidade de queda do bloco combativo, a qual se estima em segundos. Ao mesmo tempo, a sua alta capacidade de manobra vem aumentando a probabilidade de falha do atirador. Com isso, não haverá, pelo visto, a segunda chance de fazer intercepção eficaz.
Os Topol serão substituídos
Os complexos de mísseis RT-2PM Topol, conhecidos no Ocidente como RS-12M e designados pela OTAN de SS-25 Sickle, eram produzidos de 1984 a 1993, devendo passar à “reforma por idade”. O sistema RS-26 Rubezh deverá substituir os Topol, diferindo dos Yars por um alcance menor (supostamente 8-9 mil km versus 11 mil) e por preço baixo. Estes fatores, aliados ao aspecto tecnológico seguro, permitem lançar a produção em série dentro em breve e, juntamente com os Yars, garantir a substituição de antigos sistemas de fabricação soviética.
Atualmente, as tropas de mísseis estratégicos contam com 96 complexos de nova geração: um parque de 78 Topol-M e 18 Yars. Os mísseis projetados e produzidos na União Soviética - 50 unidades Voevoda (R-36M2), 50 unidades UR-100 e 170 Topols - constituem o grosso das Tropas de Mísseis Estratégicos (TME) da Rússia.
Nos próximos 15 anos, a Rússia irá produzir cerca de 200 mísseis de nova geração para as TME e cerca de 150 para a Marinha de Guerra a fim de substituir os antigos e preservar o potencial estratégico nuclear nos marcos do START-3. Os testes bem sucedidos de Yars e de Rubezh tornam reais tais planos.

Os fatos citados são da responsabilidade do autor.