A diminuição de sobrecargas durante o lançamento e a aterrissagem é uma questão da vida e da morte para o macaco. Até hoje, é desconhecido exatamente o destino de seu antecessor. No fim de janeiro deste ano, agências noticiosas abundavam em informações sobre o voo triunfal do primeiro macaco “astronauta” iraniano. Naquela altura, para este papel foi escolhido um macaco reso, primata que tem um peso menor em comparação com outras espécies – 7 quilogramas. Os canais televisivos do Irã mostravam fotos do “astronauta”, lançado a uma altitude de 120 km acima da superfície terrestre e o seu pouso bem-sucedido. O voo foi efetuado no foguete Pishgam a combustível sólido.
Muitos observadores repararam na altura que as fotos do macaco antes e depois do voo eram diferentes. Numa das fotos o pelo do primata era mais escuro e faltava um grande nevo por cima de um olho. Inicialmente, Teerã ignorou esses comentários, acusando posteriormente de lapso seus jornalistas que, segundo se afirmava, publicaram uma foto de um macaco “astronauta” de reserva.
Não se pode excluir que o primeiro macaco tivesse morrido: não é por acaso que Hamid Fazeli mencionou desta vez as sobrecargas. Pergunte-se então o que Teerã está planejando agora: repetir a tentativa num outro foguete ou realizar a experiência a um nível absolutamente diferente? Responde Alexander Zheleznyakov, académico da Academia de Cosmonáutica da Rússia:
“Como entendi das declarações feitas nos últimos dias, está previsto efetuar o atual lançamento por uma trajetória orbital e não suborbital. Em outras palavras, este será um lançamento verdadeiramente espacial e a chamada biocápsula com o macaco será instalada numa órbita próxima da Terra. Mas estas são apenas suposições”.
O voo de um novo “astronauta” contribuirá indiretamente para a preparação do Irã para a missão espacial tripulada, marcada para 2018. Contudo, o perito duvida que seja possível respeitar esses prazos:
“Em 2018, o Irã ainda não terá capacidades de lançar um homem para o espaço por uma trajetória orbital. Provavelmente, já será possível efetuar um voo tripulado suborbital. No entanto, a meu ver, mesmo o lançamento suborbital do foguete com um ser humano a bordo não é uma tarefa simples. Por isso, a meta de 2018 é bastante otimista. Quando eles colocarem a biocápsula em órbita, será possível examinar suas caraterísticas e rever as potencialidades do Irã”.
Tais prognósticos são ligados também ao desenvolvimento da construção de foguetes na Coreia do Norte, cuja tecnologia o Irã utiliza frequentemente para a construção de seus veículos espaciais. Muito depende do aperfeiçoamento do potente foguete iraniano Simurgh, desenvolvido com base no foguete norte-coreano Unha 3. Por enquanto, o Simurgh não é capaz de colocar em órbita um astronauta, diz o diretor do Centro de Pesquisas Sociais e Políticas.
“Uma vez que é dispensada especial atenção aos lançamentos de seres vivos, o Irão poderá efetuar voos tripulados. Resta saber em que forma. Será uma entrada no espaço e imediatamente o regresso ou farão algumas voltas ao redor da Terra? Na realidade, o Irã pode alcançar tal nível, o que irá confirmar o desenvolvimento de seu programa espacial. Por outro lado, nem tudo que diz o Irã se confirma na prática”.
Os peritos não têm dúvida da capacidade do Irã de instalar pequenos aparelhos em órbitas baixas próximas da Terra. A partir de 2009, o país lançou três satélites de fabrico próprio, cuja massa não superava 50 quilogramas. Foi anunciado que está previsto lançar mais três satélites antes do Ano Novo iraniano, que coincide com o dia do equinócio primaveril de 21 de março. Por enquanto, porém, ficamos à espera dos resultados do voo do segundo macaco “astronauta”.
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