Os peritos, entretanto, admitem que não se trata tanto do interesse nacional dos EUA, mas do interesse pessoal do próprio Obama e da sua administração. Diz o presidente do Instituto do Oriente Médio Evgueni Satanovsky:
“A oposição não pode fazer nada contra Assad sem um ataque dos Estados Unidos. A Arábia Saudita, o Qatar, a Turquia e Israel não podem derrubar Assad com as suas próprias forças. Eles precisam do apoio dos estadunidenses e dos europeus. Essa operação já foi paga há muito tempo. Neste caso, os EUA estão apenas a cumprir uma encomenda. Claro que não são os EUA como país, mas sim a liderança norte-americana. Já se sabe há muito tempo que o presidente Obama simpatiza com os islamitas.
"Neste caso, “o cachorro americano é abanado pelo rabo saudita, catariano, turco e israelense.”
A iniciativa russa para a colocação das armas químicas sírias debaixo do controle internacional irá também salvar a reputação do próprio Obama. Diz o perito Andrei Volodin do Centro de Estudos Orientais russo:
“As provas apresentadas na ONU são, na realidade, do interesse da atual administração americana. Do meu ponto de vista, Obama é um homem inteligente. Neste caso ele recebe as provas da inocência de Assad em conjunto com o compromisso da Síria em colocar as armas químicas debaixo de uma supervisão internacional eficaz.
Quanto à oposição, se trata de uma acusação direta dirigida a ela, à Arábia Saudita, à Turquia, à Israel e ao Qatar. É cada vez mais difícil resolver a situação pressionando os EUA, a Grã-Bretanha e a França.
A posição dos EUA é extremamente clara: eles querem manter a Pax Americana. Mas manter uma paz à americana está agora a ser praticamente impossível. Isso é referido por todos os peritos e observadores minimamente importantes. Se os EUA tiverem bom senso suficiente, a situação será resolvida sem prejuízo dos seus interesses: as armas químicas serão entregues à supervisão internacional ou serão retiradas do território sírio. Assim, Obama irá receber uma justificação para abdicar da sua intervenção militar e manter a sua reputação aos olhos dos satélites norte-americanos.”
Na sua comunicação à nação, Barack Obama referiu a ideia da exclusividade do papel da América no mundo, a qual, na opinião do presidente, justifica a sua ingerência nos outros países apesar de “não poder corrigir todas as injustiças”. A situação em torno da Síria coloca um ponto final na época da exclusividade norte-americana. Quanto mais depressa a elite política dos Estados Unidos admitir esse fato, mais depressa o mundo poderá começar a criar regras do jogo mais justas para funcionamento na arena internacional.