domingo, 22 de julho de 2012

MONUMENTO DO HOLOCAUSTO AFRICANO DA ESCRAVIDÃO SERVE A TURISTAS

África: Embarcadouros de escravos PDF Imprimir E-Mail
Havana (Prensa Latina) Gorée é na atualidade um lugar tranquilo onde o visitante pode ver hotéis espaçosos para turistas, rodeados de jardins verdes com palmeiras típicas africanas e jovens, nativos ou estrangeiros, tomados pela mão passeando despreocupados pelas proximidades do mar.

  Também pode ver numerosas pessoas que ganham a vida vendendo artigos de seu rico artesanato ou oferecendo produtos agrícolas, enquanto não longe da costa os pescadores lançam redes numa pesca que poderia representar o sustento do dia para a família ou a solução a outras necessidades.

Numerosas embarcações ligam a ilha com a terra firme do Senegal em um intenso trânsito que dura até a queda da tarde em que diminuem as andanças do dia. Isso é, em geral, o que o visitante percebe na ilha de Gorée.

Ficam na memória os sujos barracões onde os escravos eram amontoados e presos às paredes, e que depois de uma longa espera e no meio de horríveis sofrimentos eram subidos aos navios negreiros que os levariam ao que por cruel ironia se denominava Novo Mundo.

Nesse mundo novo americano ou caribenho, tinham que realizar trabalho escravo para enriquecer aos proprietários das plantações agrícolas. Os traficantes, portugueses, ingleses ou franceses; holandeses ou espanhóis, encheriam também suas carteiras com o infame negócio. A demanda de força de trabalho cresceria com a implantação de novos fazendeiros.

Da Mosto

Em 1445 o navegante português Ga Da Mosto descobriu a península de Cabo Verde no extremo mais ocidental do Senegal e decidiu estabelecer-se na ilha Gorée. A partir dessa decisão ficou selado o futuro imediato da ilha, pois os portugueses foram os primeiros a praticarem o tráfico, e o lugar foi o primeiro cais.

Gorée não foi o único lugar do continente por onde se embarcaram escravos, mas o mais notável, por isso ficou na história como um dos símbolos do que significou a

escravidão para a África, e os gritos de dor ainda podem ser escutados se se presta atenção porque flutuam no ar mexidos pelo vento num interminável vaivém.

Pelas masmorras desse grande armazém passaram milhares de homens e mulheres caçados nas zonas ocidentais, onde a tortura e o chicote estalavam nas costas dos africanos. Nunca se saberá com exatidão os filhos do continente levados à ilha entre os séculos XV e XVIII.

Outros embarcadouros

Em 1446 o navegante português Nuno Tristão chegou a Guiné Bissau. À sua chegada, o território estava ocupado por mandingas e fulas, entre outros grupos étnicos. Nesse mesmo século XV criou-se a Companhia Portuguesa de Guiné que tinha como fim controlar as atividades do país europeu na nova colônia.

A entidade foi autorizada pela Igreja para introduzir escravos na América, uma medida que provocou a rejeição da população autóctone cuja resistência foi vencida pelas armas dos estrangeiros.

As autoridades lusas criaram em Guiné Bissau um novo embarcadouro de escravos, locais e de zonas próximas, ainda que não tenha atingido as dimensões e a notoriedade de Gorée, apesar das tentativas de reproduzir as condições da ilha.

Portugal exerceu o monopólio do comércio humano em Guiné Bissau até o primeiro terço do século XVI em que apareceram outros competidores europeus. Em todo esse tempo teve que enfrentar a hostilidade dos nativos.

São Tomé e Príncipe

Em 1471 apareceram os portugueses neste pequeno arquipélago situado no extremo ocidental do Golfo de Guiné. Os lusos utilizaram as ilhas como depósito de escravos e ponto de partida para o embarque por parte dos denominados mercadores da tarde.

Esses traficantes transportavam da costa de Angola, Congo e Guiné milhares de seres humanos para São Tomé e Príncipe. Esse comércio motivou atos de heroísmo dos habitantes que se traduziram nas rebeliões encabeçadas por Joan Gato em 1530 e a de Amador Vieira, anos mais tarde.

Vieira foi proclamado rei pela maioria dos grupos que sofriam a escravidão portuguesa. Chegou a mobilizar cerca de cinco mil escravos que os portugueses concentraram no lugar e começou a libertar a maiorias do território nacional. Trazido e feito prisioneiro, foi assassinado a 4 de janeiro de 1596 depois de padecer grandes sofrimentos pelas torturas a que foi submetido.

Serra Leoa

O português Pedro de Cintra chegou à costa de Serra Leoa em 1460 e chamou-a assim pelas formas geográficas de suas elevações vistas do litoral. Aqui se criou uma fábrica e naves onde se amontoavam os escravos caçados em diferentes regiões até que chegavam os barcos.

Na grande baía de Freetown, uma das maiores do continente, aglomeravam-se os barcos que depois partiam carregados de escravos para América e Caribe.

Em 1834 a Coroa britânica aboliu o comércio de escravos nas colônias. O país que tinha participado desde o século XVI no tráfico, no XVIII não era de seu interesse por estar em curso a Revolução Industrial. A norma da Coroa foi recusada por fazendeiros e traficantes.

Na baía de Freetown que serviu de importante cais, Londres criou uma base naval para perseguir aos que violassem a disposição da rainha.

Mas o passar do tempo não fez esquecer os horrores do tráfico e os horrendos cais de escravos. Um passado doloroso e triste.

*Colaborador da Prensa Latina

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