quarta-feira, 20 de junho de 2012

WIKILEAKS – SUÉCIA TEM CONCHAVO SECRETO COM A ONU.


A VERDADE NUA E CRUA

By CartaCapital

Assange: Wikileaks criou um novo tipo de jornalismo
Brasilianas.org 7 de dezembro de 2010 às 17:45h

Pouco antes de entregar-se às autoridades britânicas, Julian Assange enviou ao jornal The Australian um texto em que defende a publicação dos documentos pelo Wikileaks e afirma que o site criou um novo tipo de jornalismo. O jornalismo científico
Texto em português publicado no Luis Nassif Online
Em 1958 um jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor do “The News” de Adelaide(Austrália), escreveu: “Na corrida entre o segredo e a verdade, parece inevitável que a verdade sempre vença.”

Sua observação talvez tenha sido um reflexo da revelação de seu pai, Keith Murdoch, sobre o sacrifício desnecessário de tropas australianas nas costas de Gallipoli, por parte de comandantes britânicos incompetentes. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não seria silenciado e seus esforços levaram ao termino da desastrosa campanha de Gallipoli.

Quase um século depois, o Wikileaks também publica sem medo fatos que precisam ser tornados públicos.

Eu cresci numa cidade do interior do estado de Queensland, onde as pessoas falavam de maneira curta e grossa aquilo que pensavam. Eles desconfiavam do governo (‘big government’) como algo que poderia ser corrompido caso não fosse vigiados cuidadosamente. Os dias sombrios de corrupção no governo de Queensland, que antecederam a investigação Fitzgerald, são testemunhos do que acontece quando políticos impedem a mídia de reportar a verdade.

Essas coisas ficaram comigo. O Wikileaks foi criado em torno desses valores centrais. A ideia concebida na Austrália era usar as tecnologias da internet de maneira a reportar a verdade. O Wikileaks cunhou um novo tipo de jornalismo: o jornalismo científico. Nós trabalhamos com outros suportes de mídia para trazer as notícias para as pessoas, mas também para provar que essas notícias são verdadeiras. O jornalismo científico permite que você leia as notícias, e então clique num link para ver o documento original no qual a notícia foi baseada. Desta maneira você mesmo pode julgar: Esta notícia é verdadeira? Os jornalistas a reportaram de maneira precisa?

Sociedades democráticas precisam de uma mídia forte e o Wikileaks faz parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter um governo honesto. Wikileaks revelou algumas duras verdades sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, e notícias defeituosas (‘broken stories’) sobre corrupção corporativa.

As pessoas afirmaram que sou anti-guerra: que fique registrado, eu não sou. Algumas vezes, nações precisam ir à guerra, e simplesmente há guerras. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir à sua população sobre estas guerras, e então pedir a estes mesmos cidadãos que coloquem suas vidas e o dinheiro de seus impostos a serviço destas mentiras. Se uma guerra é justificável, então diga a verdade e a população dirá se deve apoiá-la ou não.

Se você leu qualquer um dos relatórios de guerra sobre o Afeganistão e o Iraque, qualquer um dos telegramas das embaixadas estadunidense ou qualquer uma das notícias sobre as coisas que o Wikileaks tem reportado, considere quão importante é que toda a mídia possa reportar tais fatos livremente.

O Wikileaks não é o único que publicou os telegramas das embaixadas dos Estados Unidos. Outros suportes de mídia, incluindo o britânico The Guardian, o The New York Times, o El País e o Der Spiegel na Alemanha publicaram os mesmos telegramas. Porém é o Wikileaks como coordenador destes outros grupos, que tem sido alvo dos mais virulentos ataques e acusações por parte do governo estadunidense e seus acólitos. Eu tenho sido acusado de traição, mesmo sendo cidadão australiano e não estadunidense. Tem havido inúmeros sérios clamores nos EUA para que eu seja capturado por forças especiais estadunidenses.

Sarah Palin diz que eu deveria ser “caçado como Osama Bin Laden”. Uma lei republicana tramita no senado norte-americano buscando declarar-me uma “ameaça transnacional” e tratar-me correspondentemente. Um assessor do gabinete do primeiro-ministro canadense clamou em rede nacional de televisão que eu fosse assassinado. Um blogueiro americano clamou para que o meu filho de 20 anos de idade aqui na Austrália fosse sequestrado e ferido por nenhum outro motivo além de um meio de chegar até mim.

E os australianos devem observar sem orgulho a desgraçada anuência a estes sentimentos por parte da Primeira ministra australiana Guillard e a secretária do Estado dos EUA Hillary Clinton, as quais não emitiram sequer uma palavra de crítica às demais organizações midiáticas. Isto por que o The Guardian, The New York Times e Der Spiegel são velhos e grandes, enquanto o Wikileaks é ainda jovem e pequeno.

Nós somos os vira-latas. O governo Guillard está tentanto atirar no mensageiro porque não quer que a verdade seja revelada, incluindo informações sobre as suas próprias negociações diplomáticas e políticas.

Houve alguma resposta por parte do governo australiano às inúmeras ameaças públicas de violência contra mim e outros colaboradores do Wikileaks? Não me parece absurdo supor que a primeira ministra australiana deveria estar defendendo os seus cidadãos de ações dessa natureza, porém, de sua parte, tem havido apenas alegações infundadas de ilegalidade. A Primeira ministra e especialmente o Procurador-Geral deveriam levar a cabo suas obrigações com dignidade e acima das disputas. Que fique claro que esses dois pretendem salvar a própria pele. Eles não conseguirão.

Toda vez que o Wikileaks publica a verdade sobre abusos cometidos pelas agências dos EUA, políticos australianos entoam o coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Você colocará vidas em risco! Segurança nacional! Você colocará em perigo as nossas tropas!” E então eles dizem que não há nada de importante no que o Wikileaks publica.

Mas as nossas publicações estão longe de serem desimportantes. Os telegramas diplomáticos dos EUA revelam alguns fatos inquietantes:

Os EUA pediram a sua diplomacia para que roubassem material humano (“personal human material”) e informações de oficiais da ONU e grupos de direitos humanos, incluindo DNA, impressões digital, scans de íris, números de cartão de crédito, senhas da internet e fotos de identificação, em violação a tratados internacionais. É provável que diplomatas australianos da ONU também sejam alvos.

O Rei Abdullah da Arabia Saudita pediu aos oficiais dos EUA na Jordânia e Bahrein que interrompam o programa nuclear iraniano a qualquer custo.

A investigação britânica sobre o Iraque foi adulterada para proteger “interesses dos EUA”

A Suécia é um membro secreto da OTAN e a Inteligência dos EUA não divulga suas informações ao parlamento.

Os EUA está forçando a barra para tentar fazer com que outros países recebam detentos libertados de Guantanamo. Barack Obama concordou em encontrar o presidente esloveno apenas se a Eslovênia recebesse um prisioneiro. Nosso vizinho do Pacífico, Kiribati, foi oferecido milhões de dólares para receber detentos.

Em sua decisão histórica no caso dos Documentos do Pentágono, a Suprema Corte Americana disse: “ apenas uma impresa livre e sem amarras pode eficientemente expor fraudes no governo”. A tempestade turbulenta em torno do Wikileaks hoje reforça a necessidade de defender o direito de toda a mídia de revelar a verdade.

Leia o texto original publicado pelo The Australian

Julian Assange é o fundador do Wikileaks

Polícia britânica ameaça prender fundador do WikiLeaks se ele deixar embaixada
Scotland Yard diz que Assange, que pediu asilo político e está abrigado em missão diplomática do Equador, pode ser detido por ter violado regras de prisão domiciliar
O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, será detido se deixar a embaixada do Equador em Londres, onde se refugiou na terça-feira pedindo asilo político, advertiu nesta quarta-feira a Scotland Yard (Polícia Metropolitana).
http://i0.ig.com/bancodeimagens/1p/g9/mi/1pg9mipqxi38tzx7cssxtnjrs.jpgAFP
Partidários do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, manifestam-se com placas do lado de fora de Embaixada do Equador em Londres, onde ele está refugiado
Em uma decisão que surpreendeu muitos de seus defensores, Assange se apresentou na terça-feira na missão diplomática equatoriana em Londres, onde a polícia britânica não tem jurisdição por ser território diplomático. Ele solicitou asilo ao governo de Rafael Correa, em uma última tentativa de evitar sua iminente extradição à Suécia, onde é procurado para interrogatório depois de duas mulheres lhe terem acusado de má conduta sexual durante uma visita ao país em meados de 2010. Ele nega as alegações.
O Executivo equatoriano indicou que Assange estará sob proteção de sua embaixada até que tome uma decisão sobre o pedido de asilo, enquanto a Scotland Yard advertiu nesta quarta-feira que ele pode ser detido assim que deixar o recinto.
Segundo a Polícia Metropolitana britânica, a razão é que o jornalista e ex-hacker australiano violou as condições de sua prisão domiciliar no Reino Unido - situação que mantém desde dezembro de 2010 - ao passar a noite no local.
Diante da Embaixada do Equador em Londres há nesta quarta-feira policiais, furgões, vários jornalistas e curiosos que esperam qualquer movimento no local, apesar de a missão diplomática não ter emitido nenhum comunicado desde que confirmou a presença de Assange em suas dependências.
O governo britânico afirmou que colaborará com as autoridades equatorianas para resolver a situação "o mais rápido possível", ao mesmo tempo em que lembrou que Assange está agora em "território diplomático" e, portanto, "fora do alcance da polícia".
As autoridades equatorianas afirmaram que, se aceitarem a solicitação de Assange, isso não representaria uma interferência nos processos legais no Reino Unido ou na Suécia, enquanto a procuradoria sueca considera que compete a Londres e Quito resolverem o impasse.
O fundador do WikiLeaks alegou uma "perseguição" contra si para pedir asilo ao Equador baseando-se na Declaração de Direitos Humanos da ONU, com vistas a evitar uma extradição à Suécia por supostos delitos sexuais. Assange nega os crimes, assegurando que as relações que manteve com duas mulheres em Estocolmo no verão de 2010 foram consentidas. Segundo ele, as acusações têm motivações políticas.
Desde 2010, o WikiLeaks divulgou milhares de documentos diplomáticos confidenciais dos EUA que revelavam métodos e práticas questionáveis de muitos governos, mas há meses a falta de financiamento do site de vazamentos e os conflitos de Assange com ex-parceiros reduziram seu impacto.
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Julian Assange, criador do site de vazamentos WikiLeaks (foto de arquivo)
O jornalista australiano luta contra sua extradição do Reino Unido para a Suécia por temer que possa ser entregue aos EUA, país mais prejudicado pelas revelações de seu site. Segundo o criador do WikiLeaks, os EUA secretamente o indiciaram por divulgar segredos americanos e o julgarão se a Suécia for bem-sucedida em conseguir sua extradição.
Em vez de refugiar-se na embaixada equatoriana, era esperado que Assange recorresse à Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo, antes que, a partir de 28 de junho, pudesse ser extraditado à Suécia.
A data para a extradição foi estabelecida na semana passada pela Suprema Corte britânica, que em 30 de maio tinha dado sinal verde à entrega de Assange à Suécia e, em 14 de junho, rejeitou a reabertura do caso, o que pôs fim a uma batalha legal de 18 meses no Reino Unido.
*Com EFE

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