domingo, 10 de julho de 2011

DIABETES - OS REFRIS “DIET” PROVOCAM EPIDEMIA

DIABETES - OS REFRIS “DIET” PROVOCAM EPIDEMIA

- EM 20 ANOS OS CASOS DE DIABETES DOBRARAM, CHEGANDO PRÁTICAMENTE A 350 MILÕES DE CASOS NO MUNDO, UMA VERDADEIRA EPIDEMIA.

- NOTA-SE AÍ UMA COINCIDÊNCIA TERRÍVEL E ASSUSTADORA, OS REFRIGERANTES “DIET” NESSES MESMOS VINTE ANOS, ENTRARAM COM FORÇA NO MERCADO CONSUMIDOR.

– VEJA OUTRA REPORTAGEM AO FINAL DESTA QUE SEGUE, DEMONSTRANDO CIENTÍFICAMENTE, PELA ESCOLA DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO TEXAS, QUE ESTE AVANÇO DO “DIABETES” TEM MUITO A VER COM O ADVENTO DOS “REFRIGERANTES DIET” E O “ASPARTAME” EM ALIMENTOS DIETÉTICOS.

REPORTAGEM DE CAPA » Um mal sorrateiro Em duas décadas, dobrou o número de diabéticos no mundo. Só uma mudança no estilo de vida das pessoas pode frear o avanço da doença

Maria Vitória
Publicação: 08/07/2011 17:32 Atualização: 08/07/2011 19:04
“Stop Diabetes”, estampa o cartaz gigante postado em frente ao Centro de Convenções de San Diego, sede do 71º Encontro Anual da Associação Americana de Diabetes (ADA), o mais importante do mundo. A frase representa o clamor dos endocrinologistas contra essa epidemia mundial. Descontrolada, a incidência de diabetes dobrou em 20 anos, segundo um estudo da revista científica The Lancet. Hoje são 347 milhões de pessoas com a doença no mundo, um número tão alto que superou projeções anteriores, segundo as quais o planeta teria 285 milhões em 2010. O diabetes mais comum, do tipo 2, é fortemente associado a outra epidemia do século 21, a obesidade combinada à vida sedentária.
A doença pode provocar complicações como distúrbios cardíacos, derrames, danos aos rins e ao fígado e cegueira. Do total de portadores do mal, 138 milhões vivem na China e na Índia e outros 36 milhões nos Estados Unidos e na Rússia. Entre os 199 países analisados, o Brasil ocupa a 119ª colocação, com 20 milhões de diabéticos. Todos com predisposição para apresentar distúrbios secundários, como, por exemplo, a retinopatia diabética.
Em todo o mundo, a prevalência de diabete em homens de mais de 25 anos cresceu de 8,3% para 9,8% entre 1980 e 2008.
Para mulheres com mais de 25 anos, saltou de 7,5% para 9,2% no mesmo período. “Essa é uma das características definidoras da saúde mundial nas próximas décadas”, diz Majid Ezzati, epidemiologista do Imperial College London, que chefiou o estudo apresentado na reunião americana. “É a epidemia em grandes proporções. Diferentemente dos casos de hipertensão e colesterol alto, não há um bom tratamento para o diabetes”, afirma o cientista. A terapia atual consiste no uso de insulina ou de medicamentos para controle de glicose, alimentação pobre em carboidratos e gorduras e atividades físicas — por toda a vida do diabético. O prognóstico é sombrio para quem não segue essa regra. Segundo ainda a pesquisa divulgada pela The Lancet, o diabetes mata 3 milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano.
Na raiz do problema está o excesso de peso. Porém, para manter o peso em dia não basta eliminar açúcar e doces da dieta. Pesquisadores da Universidade do Texas e do Centro de Ciência Médica de San Antonio (EUA) descobriram que os refrigerantes dietéticos, apesar do sabor doce e da falta de calorias, podem ajudar a aumentar o peso de quem os consome. Esse foi um dos estudos apresentados no ADA e acompanhou 474 voluntários durante 20 anos. Segundo os pesquisadores, aqueles que ingeriam duas ou mais latas da bebida dietética por dia mostraram um aumento de 500% na circunferência abdominal quando comparados aos que nunca consumiam a bebida ou preferiam a versão convencional. A professora Helen Hazuda, que conduziu a pesquisa, disse que as pessoas precisam saber dos perigos que os produtos dietéticos oferecem à saúde. “Eles podem ser livres de calorias, mas não de consequências”, alerta a cientista.
O endocrinologista Saulo Cavalcanti, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, participou da reunião de San Diego e voltou convicto das suas teses: o diabetes exige mudanças do estilo de vida. “Precisamos deixar de ser sedentários, ter uma alimentação mais saudável e preferir alimentos não industrializados. Hoje as pessoas vivem mais e o diabetes é uma consequência natural do envelhecimento”, alerta Cavalcanti.

PARA SABER MAIS

— Há dois tipos de diabetes, além do gestacional: o 1, de nascença e a tipo 2, adquirido. O tipo 1, conhecido como diabetes mellitus, caracteriza-se pela dependência da insulina. O tipo 2 surge como consequência de uma produção insuficiente de insulina ou resistência do organismo à sua ação.
— O diabetes tipo 1 é diagnosticado em geral durante a infância enquanto o 2 se desenvolve ao longo da vida madura, e está geralmente associado à obesidade, sedentarismo, dislipidemia e hipertensão arterial. O tratamento envolve educação alimentar, exercício físico regular, algumas vezes medicamentos e o autocontrole das taxas de açúcar no sangue. O gestacional, afeta mulheres grávidas e desaparece depois do parto. Essas pacientes podem desenvolver a do tipo 2 no futuro.
— Quando a doença está sem controle e tratamento, o paciente pode apresentar muita sede, aumento da vontade de urinar, muita fome, má cicatrização de ferimentos, cansaço e má circulação das pernas. Para controlar a doença, os médicos recomendam o uso de insulina, quando necessário, e de medicamentos para controlar a taxa de glicose. Os pacientes também devem adotar a prática regular de atividades físicas e adotar uma dieta isenta de açúcar e pobre em gordura e carboidratos (arroz, batata, macarrão, pizza, mandioca)
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

Promessa de cura

Os endocrinologistas garantem: o diabetes não tem cura. “É possível controlar a evolução da doença e evitar complicações”, afirma o médico João Lindolfo Borges, pesquisador e professor da Universidade Católica de Brasília. Mas há quem pense diferente e publique as suas ideias. É o caso do doutor Gabriel Cousens, autor do livro A cura do diabetes pela alimentação viva, da Editora Alaúde. Cousens defende que muitos dos problemas de saúde que acometem a atual sociedade poderiam ser evitados com a adoção de uma dieta restritiva, à base de alimentos de origem orgânica e vegetal.
O método revelado nas páginas é o Programa de 21 Dias do Tree of Life. “O objetivo é baixar os níveis de açúcares no organismo de pessoas que sofrem de diabetes do tipo 1 e 2 em até 80%, mediante uma dieta orgânica, vegana, rica em sais minerais, com pelo menos 80% de alimentos vivos e com 15% a 20% de gorduras vegetais apenas (sem gordura animal)”, afirma Cousens. A dieta é ainda rica em fibras, pobre em glicose e insulina, bem hidratada e individualizada.
Numa primeira fase, Cousens aplicou o programa em 11 pessoas portadoras de diabetes. A ideia era esperar que as pesquisas avançassem. Mas, em virtude dos excelentes resultados obtidos com os primeiros pacientes, o médico decidiu escrever o livro. A publicação traz 85 receitas elaboradas segundo os princípios da alimentação viva e vegana. São sugestões de entradas, saladas (incluindo os molhos), sopas, biscoitos e pães, queijos, cereais e sobremesas, além de orientações sobre como montar o cardápio ideal. No café da manhã, por exemplo, Counsens ensina que é preciso optar entre uma salada, uma sopa ou um suco de vegetais. A recomendação, para os primeiros sete dias, no entanto, é para que se ingira um copo de suco verde em jejum. Para o lanche da manhã e o da tarde, está liberada a ingestão de meio litro de suco de vegetais. No almoço, salada ou sopa, guarnecida de uma opção de entrada e biscoitinhos com patês. E, completando o ciclo do dia, o jantar, que, basicamente, segue o mesmo princípio do almoço.

ESCOLA DE MEDICINA DA UNIVERCIDADE DO TEXAS:

REFRIGERANTE DIET – PROVOCA INFARTO

Nutrição

Refrigerantes diet aumentam acúmulo de gordura na cintura
A bebida eleva ainda os riscos de diabetes tipo 2, derrame e doenças cardíacas

Efeito inverso: a bebida, usada normalmente para evitar o ganho de peso, está relacionada ao aumento no acúmulo de gordura na cintura (Thinkstock)
Os refrigerantes diet sempre estiveram relacionados a hábitos saudáveis, já que contêm poucas calorias. Mas eles podem ser extremamente prejudiciais à saúde, apontam pesquisas recentes. Segundo dados apresentados em uma conferência da Associação Americana de Diabetes, o consumo regular da refrigerante dietético resultou em um aumento até 70% maior na circunferência da cintura em relação às pessoas que não consomem a bebida. Esses refrigerantes ainda aumentariam os riscos de diabetes tipo 2, síndrome metabólica, derrame e doenças cardíacas.
No estudo, pesquisadores pela Escola de Medicina da Universidade do Texas analisaram dados de 474 adultos durante quase dez anos. Os voluntários informaram a frequência da ingestão do refrigerante diet e tiveram a circunferência da cintura, altura e peso medidos em quatro momentos diferentes. O objetivo era rastrear qualquer relação entre a bebida e o acúmulo de gordura no corpo com o passar do tempo.
Ao fim do estudo, os pesquisadores perceberam que a média da cintura de todos os participantes tinha aumentado. Mas aquelas pessoas que consumiam periodicamente refrigerantes diet tiveram um aumento 70% maior do que os que não consumiam refrigerantes de qualquer espécie. o período entre a primeira e a última medição foi nove anos e seis meses. Entre os consumidores mais vorazes, que bebem dois ou mais refrigerantes diet ao dia, o aumento na cintura foi de 500%.
Os motivos exatos que relacionam a bebida ao acúmulo de gordura abdominal, no entanto, não foram descobertos pela equipe de pesquisadores. Uma das hipóteses é a de que essas bebidas enganariam o cérebro, já que alimentos doces tendem a ser altamente calóricos, o que não acontece com a bebida. Assim, o cérebro estaria recebendo uma resposta errada do refrigerante, por causa do seu gosto doce. Algumas pesquisas afirmam que isso levaria o organismo a acumular mais gordura de reserva; outras, que isso aumentaria o apetite por alimentos altamente calóricos para suprir a lacuna criada pela bebida.
Diabetes — Outra pesquisa apresentada durante a conferência mostrou que os refrigerantes diet também estão relacionados com o diabetes tipo 2. No estudo, também da Universidade do Texas, a equipe mostrou que camundongos que ingeriam aspartame — adoçante usado nas bebidas — tinham níveis elevados de glicemia em jejum, um indicador do diabetes ou da condição pré-diabética.
Não é a primeira vez que se apontam os riscos dos refrigerantes dietéticos. Um estudo publicado no começo de 2011 já alertava que os refrigerantes diet podem ser responsáveis pelo aumento dos riscos de infarto e derrames.

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