quinta-feira, 7 de abril de 2011

WikiLeaks-DERRUBAM EMBAXADORA E EUA REVIDAM NO EQUADOR-

ESTADOS UNIDOS EXPULSA EMBAIXADOR DO EQUADOR

QUITO, 7 ABR (ANSA) - O governo dos Estados Unidos ordenou ao embaixador do Equador em Washington, Luis Gallegos, que deixe o país "o quanto antes possível" em uma ação de represália à expulsão da embaixadora norte-americana, Heather Hodges, de Quito no início da semana.

O subsecretário para assuntos da América Latina do Departamento de Estado norte-americano, Arturo Valenzuela, telefonou nesta manhã para Gallegos para informá-lo sobre a decisão, conforme indicaram porta-vozes de Washington à ANSA.

Valenzuela "pediu ao embaixador Gallegos que deixe o país o quanto antes possível", assinalando que "a injustificada ação do governo do Equador, declarando a embaixadora Hodges 'persona non grata' não deixou sem outra opção que esta ação recíproca", afirmaram as fontes.

Elas acrescentaram que o governo norte-americano também decidiu suspender a nova rodada de diálogo bilateral que estava agendada para junho. "Os Estados Unidos estão interessados em uma relação positiva com o Equador, mas esta lamentável decisão (...) será levada em conta daqui para frente" nas relações bilaterais, advertiram os porta-vozes.

Na segunda-feira, a Chancelaria equatoriana pediu a saída da diplomata norte-americana do país após o jornal espanhol El País revelar, pelo WikiLeaks, um telegrama diplomático de Hodges ao governo dos Estados Unidos no qual ela acusa o ex-comandante da Polícia Nacional do país Jaime Hurtado de atos de corrupção. Ela também apontou que o presidente equatoriano, Rafael Correa, conhecia seus antecedentes supostamente criminosos quando o nomeou ao comando geral da Polícia Nacional, em 2008.

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, chegou a se reunir com Hodges para pedir explicações sobre as denúncias, mas, segundo ele, a diplomata não teria dado "informações satisfatórias".

Ele explicou na ocasião que a decisão de expulsá-la de Quito não era uma ruptura nas relações com Washington, mas uma punição a uma funcionária por causa de suas "graves declarações", e assegurou ontem, em coletiva com a imprensa estrangeira, que seu país estaria disposto a enfrentar possíveis repercussões por sua decisão.

Hoje, a Procuradoria Geral do Equador abriu uma investigação sobre os supostos atos de corrupção cometidos por ele, que incluem utilização de influência para se "apropriar" de fundos públicos, facilitação de tráfico de pessoas, obstrução de investigações contra policiais corruptos, entre outros crimes.

O procurador Alfredo Alvear ordenou o início da investigação e a realização "das diligências que correspondem para o esclarecimento" das denúncias, segundo informou a Procuradoria em uma nota.

Hurtado rechaçou as acusações e assegurou que as acusações são represálias de "algum" funcionário da Embaixada dos Estados Unidos, que não teria conseguido influenciar na política interna da Polícia, ou de oficiais com "ressentimentos" pessoais. (ANSA)


07/04/2011 12:49

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